20180717

Características da oração vitoriosa. Lc 18:1-8. Pr. Edenir Araújo - Culto de Celebração - 15/07/18


 “1 Disse-lhes Jesus uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer: 2 Havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava homem algum. 3 Havia também, naquela mesma cidade, uma viúva que vinha ter com ele, dizendo: Julga a minha causa contra o meu adversário. 4 Ele, por algum tempo, não a quis atender; mas, depois, disse consigo: Bem que eu não temo a Deus, nem respeito a homem algum; 5 todavia, como esta viúva me importuna, julgarei a sua causa, para não suceder que, por fim, venha a molestar-me. 6 Então, disse o Senhor: Considerai no que diz este juiz iníquo. 7 Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los? 8 Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?” Lc 18:1-8

Introdução

O livro de Lucas poderia ser chamado de Livro de oração. Lucas escreve esse livro para Teófilo para ensiná-lo como viver a vida e desde o seu início até o seu fim, é impressionante a quantidade de vezes que vemos a menção da palavra oração e passagens que nos mostram o valor da prática da oração. Lucas começa falando sobre a oração de Zacarias sendo respondida e termina falando sobre oração. É importante mencionar que Lucas também escreveu o livro de Atos que é uma continuação do livro de Lucas. Como começa o livro de Atos? Começa com oração!

12 Então, voltaram para Jerusalém, do monte chamado Olival, que dista daquela cidade tanto como a jornada de um sábado. 13 Quando ali entraram, subiram para o cenáculo onde se reuniam Pedro, João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago. 14 Todos estes perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele.” At 1:12-14

Durante toda a narrativa de Atos vemos o quanto foi importante para aqueles irmãos orarem. Um pastor expressou a importância da oração dizendo que em Atos 2, os crentes oraram 10 dias; a seguir, Pedro pregou 10 minutos e 3 mil pessoas foram salvas. Hoje, as igrejas oram 10 minutos, pregam 10 dias, e três pessoas são salvas.

Se você orar, maravilhas Deus vai operar! Quando o homem trabalha, o homem trabalha; mas quando o homem ora, Deus trabalha. Max Lucado explica isso dizendo: Quando agimos, colhemos os frutos do nosso trabalho, mas quando oramos, colhemos os frutos do trabalho de Deus.
Toda vez que Deus deseja realizar algo, Ele convoca seu povo para orar!

O poder da oração relatado por Dag Heward-Mills

Cabe aqui contar a história relatada por Dag Heward Mills em seu livro Como Orar, sobre um homem que depois de ter sofrido um grave acidente, foi levado a um hospital. Seu pastor então, foi chamado para orar por ele, e esse recebeu alta algum tempo depois. Após se recuperar, resolveu contar de sua experiência para a congregação. Ele testemunhou que realmente havia morrido durante a experiência no hospital, e foi levado para o céu. Ele disse que o céu era lindo, disse também que não queria mais voltar para a terra. Ele descreveu de maneira esplendorosa as cenas do céu para a congregação entusiasmada. Encontrando-se com o Senhor       Jesus, disse-Lhe como estava feliz por estar no céu. Mas surpreendentemente Jesus lhe disse: “Eu sinto muito, mas você vai ter que voltar para a terra!”. “Não, não, não”, ele retrucou. “Eu nunca mais vou voltar para a terra. Estou muito feliz por estar aqui.” Mas Jesus insistiu: “Eu sinto muito, você terá que voltar. O seu pastor não está lhe permitindo ficar no céu”. “Como pode o meu pastor não me permitir ficar no céu”, ele exclamou. “Eu nunca mais voltarei para a terra. Uma vez que eu estou aqui, eu vou ficar aqui.” Então, Jesus virou-se e mostrou-lhe uma espécie de cortina, que ele puxou de lado. O homem, de repente, ouviu a voz de seu pastor enquanto ele orava no hospital. Seu pastor estava dizendo: “Eu não vou deixá-lo morrer. Senhor, eu me recuso a deixá-lo morrer. Ele tem uma família que precisa dele na terra”. O homem ficou espantado e percebeu que as orações e as argumentações de seu pastor eram poderosamente eficazes no céu.

Todos ficaram impressionados com o testemunho do homem. Todos perceberam como as orações são realmente poderosas.

Isso serve para nós de grande lição!

Não fique perplexo com este grande mistério de que alguém possa arrazoar, possa interferir no sobrenatural com Deus. Ele nos disse para virmos e ponderarmos com Ele. Eu sei que soa fantástico que você possa realmente colocar questões diante Deus e explicar-lhe por que você quer um amor, um marido, uma esposa ou um filho. Você pode falar com Deus hoje. Neste exato momento você pode mudar as circunstâncias e dar um rumo novo para a sua vida através do poder da oração.

De fato, a oração de um justo é poderosa e eficaz!

Resumo da parábola de Lucas 18
Duas pessoas fazem parte desta parábola de Jesus: um juiz que não temia a Deus e nem respeitava os homens e uma viúva que implorava por justiça. Essa mulher tinha uma causa justa contra uma pessoa e ia até aquele juiz para clamar que ele julgasse o seu processo, porém, o homem da lei a ignorava totalmente. No entanto, por causa da insistência daquela viúva e pelo incômodo que esta estava lhe causando, o juiz decidiu que atenderia o seu caso.
Agora, a maior lição do texto de Lucas 18 é: Ore sempre, sem nunca esmorecer! Lc 18:1

Quais são as características de uma oração vitoriosa segundo o texto de Lucas 18?

1.       A oração vitoriosa é uma oração corajosa

Aquela mulher não se deixou levar por suas limitações ou dificuldades, mas ousou pedir corajosamente. Certamente muitas pessoas estavam na mesma condição, porém ninguém falava nada. Já essa viúva, encorajou-se e pediu. Ela fez diferente. Que tal reajir de maneira diferente quando for orar.

O desencorajado é acomodado
Se permanecermos os mesmos, nada acontecerá de novo. Para que algo diferenciado aconteça, você precisa sair da media, precisa sair da sua zona de conforto e comodismo. Infelizmente muitos não se encorajam para algo novo, permanecendo sempre os mesmos.
O maior inimigo do crescimento em todas as áreas são a falta de motivação e o comodismo. É quando a pessoa não sabe aonde quer chegar e se contenta em ficar aonde esta. O comodismo mata nossos sonhos e matando nossos sonhos, matamos nossas conquistas. Levante-se e saia da zona de conforto!

O comodismo é como um carro em ponto morto

Algumas pessoas vivem a vida de maneira acomodada como se fossem um carro em ponto morto. Quando deixamos um carro descer ladeira abaixo em ponto morto, estamos deixando o mesmo conduzir-se por si mesmo. Não há nenhuma força motora movendo o veículo, na verdade, ele está sendo levado abaixo, e a força que conduz o veículo é automática. Qual o problema disso? Bom, o problema é que no ponto morto ou automático as coisas sempre tendem a descer. A vida de alguém que não se mexe e não sai da zona de conforto, não se esforça para crescer e “subir” na vida, é sempre uma caída, e sempre para baixo. Não é a toa que chamamos “ponto morto”, por isso é que desce. Tudo o que está morto, tende a descer, tudo que está morto necessariamente vai pra baixo e por fim desaparece. Quem pode ser chamado de ponto morto? Podemos chamar de ponto morto, alguém que está na sua zona de conforto. O conforto é parente próximo da preguiça e da mediocridade. A zona de conforto é a vida desprovida de esforços e de sacrifícios, esse é o ponto morto.

Alguém disse que “a zona de conforto é um lugar muito prazeroso, pena que nada cresce por lá”. Seu crescimento começa onde termina sua zona de conforto. A realização dos seus sonhos e projetos estão fora da sua zona de conforto. O que não te desconforta não te transforma. Seu casamento está no ponto morto? Sua profissão está no ponto morto? Sua família está no ponto morto? Seu ministério está no ponto morto? Tudo isso está no piloto automático? Chegou a hora de se mexer, chegou a hora de assumir o controle da sua vida e reagir!

O comodismo trás conforto e o conforto comodismo.

A viúva não se acomodou, pelo contrário, ela se encorajou!!!

Ela se encorajava dia após dia, pois ela sabia que sua petição em breve seria atendida.

2.       A oração vitoriosa é uma oração perseverante e persistente.

Aquela viúva estava todos os dias a importunar aquele juiz. Jonh Maxxuel escreveu um livro chamado “Talento não é tudo”. Neste livro o autor diz que muitas pessoas hgabilidosas e talentosas vivem num constante fracasso, pois não tem disposição para perseverarem até alcançarem seus objetivos.  

Persistir ou perseverar significa repetir até conseguir realizar o objetivo! Isso significa que você incansavelmente vai ao Senhor em oração. Isso significa que você vai clamar sem sentir-se envergonhado diante do Senhor, até que Ele responda. Persistência traz resultados mesmo no natural. Thomas Edison persistiu e perseverou fazendo milhares de testes antes de fazer acender a luz elétrica. Charles Chaplin, que foi abandonado pela mãe, tendo de morar nas ruas, encarando a pobreza de frente. Somente após esse tempo de muita luta e dificuldade, se tornou o comediante mais famoso do mundo em sua época. O físico e cientista alemão Albert Einstein, não falava até os quatro anos e só começou a ler depois dos sete. Na escola, foi expulso por seu professor que o descreveu como mentalmente lento e não sociável. Einstein, O gênio criador da teoria da relatividade, que conquistou o Prêmio Nobel de física em 1921, também enfrentou muitos enormes desafios. Walt Disney, produtor cinematográfico norte americano, criador de Mickey Mouse e  Disneylândia, passou por muitas aflições. No início de sua carreira foi demitido de uma Editora porque de acordo com seu editor, não tinha imaginação e nem boas ideias. Sua primeira companhia de animação “Laugh-O-Grams” faliu. Depois, mudou com seu irmão para Califórnia onde foi reconhecido em Hollywood após fazer sucesso. Hoje, a marca Disney fatura milhões de dólares com brinquedos, filmes e os parques temáticos. O fundador da montadora Ford Motor Company, Henry Ford, foi o primeiro empresário a aplicar a montagem em série na produção em massa de automóveis na indústria dos Estados Unidos. Durante sua carreira, sua primeira empresa, a Detroit Automobile Company não obteve sucesso. Sua segunda empresa também faliu e, apesar do fracasso, ele persistiu.

Voltemos ao texto de Lucas 18 e aprendamos que aquela mulher não desistiu enquanto ela sabia que poderia fazer um esforço a mais. É nesse algo a mais que estava a sua vitória.

Deus disse a Josué...

Deus disse a Josué diante do grande desafio para entrar em Canaã: “Esforça-te e tem bom ânimo”. Paulo disse aos Hebreus: “Necessitais de perseverança para que depois de haverdes feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa”. Esforce-se, de tudo de si, porque todo esforço tem a sua recompensa!

35 Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão. 36 Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa.” Hb 10:35-36

3.       A oração vitoriosa é uma oração esperançosa

Aquela viúva jamais perdeu a sua esperança.

Alguém disse que uma pessoa pode viver quarenta dias sem alimento, 7 dias sem água, oito minutos sem ar, mas nem um minuto sem esperança. Precisamos de esperança. Alguns pesquisadores da Universidade de Cornell estudaram 25.000 prisioneiros da Segunda Guerra Mundial e concluíram que uma pessoa pode aguentar quase tudo se tiver esperança. (Rick Warren, em "Poder Para Ser Vitorioso”.

Uma grande esperança, pode nos trazer grandes vitórias. "As grandes esperanças fazem os grandes homens" (Thomas Muller)

Esperança é a capacidade de manter o ânimo em circunstâncias que sabemos ser desesperadoras.

1 Esperei com paciência no SENHOR, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor. 2 Tirou-me de um lago horrível, de um charco de lodo; pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos; 3 e pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no SENHOR. 4 Bem-aventurado o homem que põe no SENHOR a sua confiança e que não respeita os soberbos, nem os que se desviam para a mentira. 5 Muitas são, SENHOR, meu Deus, as maravilhas que tens operado para conosco, e os teus pensamentos não se podem contar diante de ti; eu quisera anunciá-los e manifestá-los, mas são mais do que se podem contar.” Sl 40:1-5


20180712

Série de mensagens "Uns aos Outros" - Parte 12 - 3 Razões porque devemos vencer o espírito da ofensa!!! Rm 13:8; Hb 12:1. Pr. Edenir Araújo - Culto de Celebração - 08/07/18


“A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei.” Rm 13:8

14 Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, 15 tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem.” Hb 12:14-15

Introdução

No ano de 1787, quando a constituição americana ficou pronta, Benjamin Franklin manifestou esperança, mas fez uma ressalva dizendo que as únicas coisas certas na vida são a morte e os impostos. Eu gostaria de acrescentar dizendo que a ofensa é a terceira coisa certa na vida. Sonhar com uma vida cristã onde não haja perseguições, calunias ou conflitos, é como tentar se imaginar mergulhando em um rio sem se molhar.

A ofensa é algo com o qual nós vamos ter que lidar durante toda a nossa vida até Jesus voltar.

O próprio Jesus diz que: É impossível que não venham tropeços (escândalos), mas ai daquele por quem vierem!” Lucas 17:1

Ou seja, Jesus está dizendo muitas adversidades virão para tentar nos impedir de avançar. A ofensa é uma delas.

A pessoa que se deixa ofender como aquele que ofende, os dois estão agindo de maneira errada. O que se deixa ofender ficou amarrado pelo diabo, e aquele que ofende fez o papel do verdugo ou carrasco do diabo.

As ofensas virão!

As ofensas fazem parte da vida de todo homem e a questão não é se você foi ofendido ou se não foi ofendido, se uns foram mais ou menos ofendidos que outros, a questão não está ai, a questão é: O que é que você vai fazer numa situação dessas.

Todos sofrem esse tipo de ataque, todos enfrentam mal entendidos, emoções feridas acontecem com toda a gente, e a questão é: O que é que você vai fazer num momento desses?

Sua atitude fará a diferença entre a vitória e o fracasso, entre ficar amargurado ou ficar livre das ataduras de satanás. Porque a ofensa é uma armadilha de satanás para nos amarrar.

Numa exortação à santidade, o escritor aos Hebreus disse: 14 Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, 15 tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem.” Hb 12:14-15

Murmuração ou reclamação.

a ofensa é uma locomotiva que puxa os vagões da mágoa, rancor, tristeza, amargura, frieza, desgraça e maldição.

Quando as nossas emoções são feridas, e a ofensa se transforma em amargura, toda a trupe do inferno se manifesta. E o pior então acontece. Eu me refiro à murmuração. Murmuração por quê? Porque a pessoa ofendida não fica calada; a pessoa ofendida perde o controle da sua língua. Então o que importa para o amargurado é compartilhar de sua insatisfação. A cada compartilhamento amargurado, a pessoa está angariando adeptos para o ofendismo.

O ofendido amargurado se priva da graça (perdão)

A pessoa ofendida fica privada da graça de Deus; a pessoa ofendida fica impedida de receber de Deus e é ai que o diabo a quer colocar. A pessoa ofendida geralmente é uma pessoa que ainda não perdoou. E se ainda não perdoou não pode receber perdão, não está em posição de receber de Deus.

“Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas.” Mt 6:14-15

Somos seres espirituais (Jo 3), racionais (Rm 12), mas principalmente emocionais. Deus quer santificar-nos nessas três partes (1Ts 5:23). Temos grande facilidade de reagir na região da alma e geralmente nos sentimos ofendidos e ficamos feridos quando somos tocados em nosso ego. Nos sentimos ofendidos quando somos confrontados em nosso ego.

Existem muitas situações que nos ofendem ou nos fazem sentir ofendidos.

·         Uma delas é quando somos exortados. Um exemplo disso é o que nos escreve o escritor aos Hebreus. Na verdade, nenhuma correção parece no momento ser motivo de gozo, porém de tristeza...” Hb 12:11ª

·         Outra situação é quando somos caluniados, difamados, perseguidos. Quanto a essas situações, Jesus disse que elas devem nos alegrar, pois nos servem para o nosso crescimento. Mt 5:10-12

·         A falta de reconhecimento, também nos soa como ofensa. Às vezes pensamos... “Porque minha esposa não me comunicou sobre tal decisão?”, “Como ele pode decidir sem falar nada comigo?”, “depois de tudo o que eu fiz...”.

Independente das razões que você tenha guarde essa verdade:

Ficar ofendido é pecado!

Americanos abrem mão da ofensa

Nos Estados Unidos é uma virtude muito grande perdoar e não ficar ofendido. No meio dos americanos ficar ofendido é uma atitude reprovada, e os que assim se comportam são vistos como pessoas imaturas.  Aqui no Brasil parece que é ao contrário, as pessoas enxergam como virtude ficar ofendido. Os adeptos do “ofendismo” dizem: “Eu não posso aceitar isso!”, “Isso não vai ficar assim!”.

Precisamos aprender que a cultura certa é a cultura Bíblica.

Outras razões porque as pessoas se ofendem?

·         Por não serem ouvidas;
·         Por não serem reconhecidas;
·         Por não serem participadas;
·         Por se sentirem injustiçadas;
·         Por se sentirem humilhadas;
·         Por serem traídas;
·         Por não serem valorizadas;
·         Por não serem consultadas;

Mas principalmente por serem ingratas. Deixe-me explicar: Se você for ofendido por um estranho, isso vai te deixar triste? Dificilmente. Quando alguém que você nunca viu ou ouviu falar te calunia, você fica chateado? Claro que não. Agora veja que as pessoas que nos conseguem chatear e ofender são os mais íntimos, geralmente são as pessoas com quem caminhamos, e veja bem; quantas alegrias essa pessoa já te proporcionou? Quantos momentos de bênção você já viveu com essa pessoa? Agora os praticantes do ofendismo são ingratos e apagam tudo de bom que já aconteceu. A ingratidão é uma arma contra as nossas vidas. Precisamos aprender com Jesus a lidar com a ofensa.

Agradecer ou reclamar

Agradecer é fazer a graça descer! Reclamar é clamar novamente pelos problemas.

“O que perdoa a transgressão busca a amizade; mas o que renova a questão, afastam amigos íntimos.” Pv 17:

O que temos feito com as ofensas?

Dois amigos viajavam pelo deserto e, em um determinado ponto da viagem, discutiram e um deu uma bofetada no outro. O outro, ofendido, sem nada poder fazer, escreveu na areia: "Hoje, meu melhor amigo me deu uma bofetada no rosto." Seguiram adiante, e chegaram a um oásis onde resolveram banhar-se. O que havia sido esbofeteado e ofendido começou a afogar-se, sendo salvo pelo amigo. Ao recuperar-se, pegou um canivete e escreveu em uma pedra: "Hoje, meu melhor amigo salvou minha vida." Intrigado, o amigo perguntou: Por que, depois que te ofendi, escreveu na areia, e agora, que te salvei, escreve na pedra? Sorrindo, o amigo respondeu: Quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever onde o vento do esquecimento e o perdão se encarreguem de apagar. Quando nos acontece algo grandioso, devemos gravar isso na pedra da memória do coração onde vento nenhum, em todo o mundo, poderá sequer borrá-lo. Onde você tem gravado as suas frases?

O comportamento errado ou as ofensas dos outros não devem ficar retidas em nosso coração. Aquilo que o ofende somente o enfraquece. Se estiver procurando ocasiões para ficar ofendido, você as encontrará a cada oportunidade. Este é o seu ego operando, convencendo-o de que o mundo não deveria ser assim. 

Ofensa retida, contamina outros!

Quando nós somos ofendidos, geralmente levamos essa ofensa a mais alguém, não queremos carregá-la sozinho. Queremos que os outros sejam solidários com o nosso ponto de vista. E procuramos agregar adeptos ao “ofendismo”, associados do nosso lado que nos defendam, que nos dêem as pancadinhas nas costas e digam: "Pois é, realmente o outro foi injusto, malvado... você é que tem razão...”

Mas olhe o que eu lhe vou dizer: As pancadinhas nas costas e a concordância dos outros com a nossa ofensa não curam as nossas feridas.

É muito importante compartilhar suas dores para oração e cura, mas publicar isso com espírito de melindre a auto-comiseração é uma grande armadilha.

“O que perdoa a transgressão busca a amizade; mas o que renova a questão, afastam amigos íntimos.” Pv 17:

A ofensa nos coloca em uma Gaiola

Conheci um criador de pássaros que tinha duas gaiolas, em uma das gaiolas, ele tinha uma pássaro preso que cantava e ao lado um alçapão (gaiola menor que serve de armadilha para pegar outros pássaros). O pássaro preso estava sempre a cantar e os outros livres que estavam nas redondezas ouviam o canto deste e se aproximavam. Então, cantando o pássaro preso dizia: "Olha só o que fizeram comigo! Veja bem onde me colocaram! Todos querem o meu mal." O pássaro que estava livre, então toma as dores e diz: “Espera ai que eu já vou te ajudar!" Deixe chegar mais pertinho de você, deixe-me dar um ombro amigo. Simpático a causa alheia, aproximava-se do alçapão para dar ouvidos ao pobrezinho do pássaro. Coitado do pássaro que ouviu os lamentos de seu semelhante preso, quando menos esperava, já estava ele também preso.

É assim também conosco quando paramos para ouvir os lamentos de pessoas ofendidas.

3 Razões porque devemos vencer o espírito da ofensa!!!

devemos vencer a ofensa porque quem fica ofendido espera no homem e não em Deus.

5 Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR! 6 Porque será como o arbusto solitário no deserto e não verá quando vier o bem; antes, morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável. 7 Bendito o homem que confia no SENHOR e cuja esperança é o SENHOR. Jr 17:5-7

As pessoas ficam ofendidas porque esperam no homem e quando o homem não retribui às suas ações sentem-se ofendidas. O pecado está em esperar alguma coisa no homem e não em Deus. Se a sua fonte está em Deus, você sempre terá um coração pronto para aceitar a pessoa com sua falhas e ofensas, e tudo será tratado de acordo com o coração de Deus. O homem que tem uma confiança mórbida no homem está há um passo do abismo. Se Deus for mesmo a sua fonte, nada nem ninguém te ofenderá. As pessoas ficam ofendidas porque esperam no homem. As pessoas sentem-se ofendidas por não terem as suas expectativas atendidas.

Um homem pode se sentir ofendido por sua esposa não servi-lo na hora do almoço. Uma mulher pode se sentir ofendida por seu marido ter se esquecido do aniversário dela. Alguém pode se sentir ofendido por não ter sido lembrado no dia de seu aniversário. Outro pode estar ofendido por não ter sido mencionado como o autor de determinada obra. Estes dizem: “Ninguém me aplaudiu”. Coloque sua confiança no Senhor e diga: “Porque teu é o reino, o poder e a glória para sempre”.

Se você cria uma expectativa no Senhor e espera n’Ele, certamente vai administrar melhor as ofensas.

Quem não age assim vive de cara amarrada, cara emburrada que projeta culpa nas pessoas. Você pode aparecer pintado de ouro, a pessoa não te aceita, porque tem alguma coisa que você ainda NÃO FEZ, NÃO FALOU, NÃO DEU. Ai o relacionamento fica pesado, doente. Você então traz sorvete para agradar, você liga, pede perdão, etc. Não tem nada que façamos que muda essa atitude, a pessoa fica doente. Toda as vezes que você está perto da pessoa, ela está com cara de nota promissória.

O fim da pessoa que vivem criando espectativas no homem é ficar sozinha.

Devemos vencer a ofensa porque quem fica ofendido não liberou perdão. Ef 4:31-32; 5:1-2

“31 Toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmia sejam tiradas dentre vós, bem como toda a malícia. 32 Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.” Ef 4:31-32

“Sede pois imitadores de Deus, como filhos amados; 2 e andai em amor, como Cristo também vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave.” Ef 5:1-2

O perdão deve ser o centro do viver de cristão. O marco zero do agir de Deus foi o perdão de Cristo te alcançando no ato da sua conversão. Tudo o que Deus fez e está fazendo em sua vida, foi e é a partir do perdão de Deus.

“Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele...”. Cl 2:6

Não temos problema com o conceito, mas a prática é difícil quando se alimenta a ofensa. Retemos sentimentos justificáveis ou ficamos procurando motivos externos no ofensor para perdoar. A verdade é que somos farisaicos e rápidos em achar faltas.

Para resolver nosso problema interior e liberar o ofensor precisamos desistir de qualquer reivindicação.

Quem perdoa, dá a chance do outro errar novamente. Tomar para si a ofensa é prender-se ao ofensor. Acredito que o melhor a fazer quando se está ferido é liberar o perdão.

Não devemos alimentar em nós o veneno da serpente, pois quem fica ofendido perde a principal característica de Cristo, o amor incondicional. Jo 13:1

Veja o exemplo de José, depois de ter sido traido e vendido como um escravo por seus irmãos, decidiu perdoá-los. Gn 50:19-20

Ficar ofendido e não decidir perdoar é como tomar veneno de rato. Pessoas amarguradas estão mais propensas a desenvolverem doenças degenerativas do que pessoas cujo os corações estão limpos. Mt 5:8

As pessoas que dizem não posso perdoar na verdade estão dizendo não quero perdoar. Devemos seguir o exemplo de Jesus (Lc 23:34) e Estevão (At 7:60). Jesus e Estevão deveriam dizer: eu perdôo este povo, mas no coração deles não tinha lugar para outro sentimento que não fosse o amor incondicional de Deus.
Mas se a pessoa me ofender de novo? Quem perdoa, trata cada nova ofensa como se nunca tivesse acontecido antes.

Devemos desistir de qualquer reivindicação e liberar de vez o ofensor a fim de que possamos viver em liberdade total.

Existe também os irmãos que ficam ofendidos porque tomam a ofensa alheia para si (compram briga). O que, passando, se mete em questão alheia é como aquele que toma um cão pelas orelhas. Pv 26:17

Quando você perceber que alguém está ofendido, não seja simpático, mas empático. Não tenha pena da pessoa, mas ajude-a a encontrar a cura. Não fortaleça a ofensa, mas guarde o coração da pessoa, ajudando-a a perdoar. O perdão traz reconciliação, enquanto que a ofensa traz divisão. Nós somos chamados de pacificadores.

Quem não perdoa vive como um escravo (Mt 18:23-35). Queremos misericórdia para nós, mas juízo para os outros. Se não perdoarmos seremos entregues aos verdugos.

Ficar ofendido impede as promessas de Deus (Mt 5:23-24; Mc 11:25). Devemos cumprir a bem aventurança de sermos pacificadores. Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.” Mt 5:8

Só os pacificadores são reconhecidamente filhos de Deus. Precisamos viver isso na experiência.

Quem não entra pelo caminho da pacificação está doente e cooperando para adoecer outros. O que perdoa a transgressão busca a amizade; mas o que renova a questão, afastam amigos íntimos.” Pv 17:9

Perdão é decisão e não sentimento. É um ato da vontade.


Devemos vencer a ofensa porque quem fica ofendido vai contra a sua própria natureza. Deus é amor.

Aquele que se uniu ao Senhor é um só Espírito com Ele. Você não pode ir contra a sua natureza, não pode anular a sua característica mais presente e forte. 1Co 13

10 Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros; 11 não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor; 12 alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração; 13 acudi aos santos nas suas necessidades, exercei a hospitalidade; 14 abençoai aos que vos perseguem; abençoai, e não amaldiçoeis; 15 alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram; 16 sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altivas mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios aos vossos olhos; 17 a ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas dignas, perante todos os homens. 18 Se for possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens. 19 Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira de Deus, porque está escrito: Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor. 20 Antes, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. 21 Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem. Rm 12:10-21

Irmão, se o bem vence o mal, qual é o mais forte? É o bem! Então se o bem é mais forte e você pode fazer o bem, não se deixe vencer pelo mal, não se deixe vencer pela ofensa, não se deixe amarrar pela ofensa.

Como Jesus disse que era impossível que não viessem ofensas, então vamo-nos preparar. Assim você não é apanhado de surpresa. Quando a ofensa vier, você está preparado, de vigia.

“1 Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. 2 Durante a ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que traísse a Jesus, 3 sabendo este que o Pai tudo confiara às suas mãos, e que ele viera de Deus, e voltava para Deus, 4 levantou-se da ceia, tirou a vestimenta de cima e, tomando uma toalha, cingiu-se com ela. 5 Depois, deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido. 6 Aproximou-se, pois, de Simão Pedro, e este lhe disse: Senhor, tu me lavas os pés a mim? 7 Respondeu-lhe Jesus: O que eu faço não o sabes agora; compreendê-lo-ás depois. 8 Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu não te lavar, não tens parte comigo. 9 Então, Pedro lhe pediu: Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça. 10 Declarou-lhe Jesus: Quem já se banhou não necessita de lavar senão os pés; quanto ao mais, está todo limpo. Ora, vós estais limpos, mas não todos. 11 Pois ele sabia quem era o traidor. Foi por isso que disse: Nem todos estais limpos. 12 Depois de lhes ter lavado os pés, tomou as vestes e, voltando à mesa, perguntou-lhes: Compreendeis o que vos fiz? 13 Vós me chamais o Mestre e o Senhor e dizeis bem; porque eu o sou. 14 Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15 Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. 16 Em verdade, em verdade vos digo que o servo não é maior do que seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o enviou. 17 Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes.” Jo 13:1-17

20180705

Série de Mensagens "Uns aos Outros" - Parte 11 - Derrotando o espírito de Caim. Parte 2. Pr. Edenir Araújo - Culto de Celebração - 01/07/18


3 Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao SENHOR. 4 Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta; 5 ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou. Irou-se, pois, sobremaneira, Caim, e descaiu-lhe o semblante. 6 Então, lhe disse o Senhor: Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante? 7 Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo.”

O primeiro homicídio

“8 Disse Caim a Abel, seu irmão: Vamos ao campo. Estando eles no campo, sucedeu que se levantou Caim contra Abel, seu irmão, e o matou. 9 Disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei; acaso, sou eu tutor de meu irmão? 10 E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão clama da terra a mim. 11 És agora, pois, maldito por sobre a terra, cuja boca se abriu para receber de tuas mãos o sangue de teu irmão. 12 Quando lavrares o solo, não te dará ele a sua força; serás fugitivo e errante pela terra. 13 Então, disse Caim ao Senhor: É tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo. 14 Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua presença hei de esconder-me; serei fugitivo e errante pela terra; quem comigo se encontrar me matará. 15 O Senhor, porém, lhe disse: Assim, qualquer que matar a Caim será vingado sete vezes. E pôs o Senhor um sinal em Caim para que o não ferisse de morte quem quer que o encontrasse. 16 Retirou-se Caim da presença doSenhor e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden.”

Descendentes de Caim

“17 E coabitou Caim com sua mulher; ela concebeu e deu à luz a Enoque. Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho.”

"Não sejamos como Caim, que pertencia ao Maligno e matou seu irmão. E por que o matou? Porque suas obras eram más e as de seu irmão eram justas."1 Jo 3:12

Hoje, nós vamos continuar falando sobre o espírito de Caim, sobre a síndrome de Caim. Como já falamos na semana passada, Caim inaurura o ministério da ofensa, agressão e homicídio. Gênesis 4:8 é onde nasce a intolerância e arrogância, a indiferença e inveja.  

Podemos dizer que hoje, o espírito de Caim está operando na vida de muitos, lutando contra a mutualidade. A síndrome de Caim está mais presente no nosso meio do que em qualquer outro tempo. E isso está de acordo com as palavras de Jesus em Mateus 24: “por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos.” Mt 24:5

O amor de Deus é o combustível para a prática da mutualidade, e quando ele se esfria, se esvai as forças para a comunhão verdadeira, aumentando a hostilidade, a competição, a rivalidade, a inveja e a falta de perdão aumentaria.

O que é uma síndrome?

Síndrome não é doença, é uma condição médica. É o grupo ou agregado de sinais e sintomas associados a uma mesma patologia e que em seu conjunto definem o diagnóstico e o quadro clínico de uma condição médica.

Baseado no comportamento de Caim, eu gostaria de compartilhar hoje, 5 sintomas que podem denunciar a Síndrome de Caim, a indisposição para praticar o estilo de vida Uns aos Outros.

Antes, devemos lembrar que a má atitude do coração de Caim afetou seu presente e compro­meteu seu futuro. Veja alguns dos sintomas que dominaram seu coração, a ponto de endurecê-lo impedindo-o de amar seu irmão.

1.       Valorização exagerada de si mesmo. Gn 4:16-17

“16 Retirou-se Caim da presença do SENHOR e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden. 17 E coabitou Caim com sua mulher; ela concebeu e deu à luz a Enoque. Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho.” Gn 4:16-17

Permitir que a vida fosse dominada pela soberba foi a atitude que complicou a vida de Caim. A expressão Retirou-se Caim da presença do SENHOR, deve ser considerada.

O fato de não ter dado ouvidos ao Senhor, o fez fugir da presença do Senhor. Deus não o mandou embora, Caim decidiu ir embora, ele retirou-se da presença do Senhor porque não amou seu irmão e não quis se corrigido no seu erro. Não há caminhos alternativos, além de amar seu próximo. Quando não nos dispomos a amar e suportar nossos irmãos, inevitavelmente nos afastamos da presença de Deus.

Devemos observar que Caim se afasta de Deus para uma terra chamada NODE, que significa terra da peregrinação. Isso nos ensina que os que se afastam da vontade de Deus, são como peregrinos sem paradeiro e sem destino.

O orgulho e a vergonha de Caim

O orgulho de Caim o impede de tentar ofertar novamente, de modo a ser aceito por Deus. A soberba de seu coração apresenta a parceira das desgraças: a vergonha. Tentar de novo? Reconhecer o erro? Isso é uma vergonha! Foi assim com Caim. Ele permite que o orgulho domine seu coração por inteiro. Mas, como vimos, o orgulho não vem sozinho; ele traz sua irmã, a vergonha.

O orgulho e a vergonha. Jamais diríamos que são irmãos. Eles parecem tão diferentes.

O orgulho estufa o nosso peito. A vergonha pesa em nossa cabeça. O orgulho ostenta. A vergonha esconde. O orgulho busca reconhecimento. A vergonha busca ser evitada. Mas não se engane, pois essas emoções possuem a mesma parentela. E têm o mesmo impacto. Elas nos afastam do Pai e dos nossos irmãos.

O orgulho diz: "você é muito bom para ele". A vergonha diz: "você é muito ruim para ele". O orgulho afasta. A vergonha nos mantém afastados. "Se o orgulho precede a queda, a vergonha é o que nos impede de levantar-se após a queda”. Não foi diferente com Caim. Com um coração dividido entre o orgulho e a vergonha, ele passou a "temer mais o fracasso do que a desejar o sucesso".

A Bíblia diz que Deus odeia a arrogância; ele vê o orgulho como uma abominação porque sabe que o orgulho precede a des­truição. Por isso, Paulo ordena: "Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade".

A pessoa com uma visão exagerada de si mesma fundamenta sua vida sobre a falsa premissa de que tem o controle em suas próprias mãos. Acha-se importante demais e auto-suficiente para fazer com que as coisas aconteçam do modo como deseja. Assim, descartam ajuda de seus familiares, irmãos, etc.

O orgulho de Caim o fez pensar que sua vontade era mais im­portante que a vontade de Deus. Não aceitava que Deus fosse Se­nhor absoluto de sua vontade. Não procurava fazer as coisas do jeito de Deus.

O estilo Caim de ser...

O jeito Caim de ser, “nariz empinado” era, a seu ver, a única maneira de viver a vida. Leia comigo, o texto de Gênesis 4:16-17: “16 Retirou-se Caim da presença do SENHOR e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden. 17 E coabitou Caim com sua mulher; ela concebeu e deu à luz a Enoque. Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho.” Gn 4:16-17

Preste atenção nas palavras:

Retirou-se Caim da presença do SENHOR...”. Esfriou sua relação com Deus.
habitou na terra de Node...”. Terra da peregrinação. Tornou-se um peregrino, sem rumo e sem destino. 
“coabitou Caim com sua mulher...”.
Caim edificou uma cidade...”. É assim com muitos peregrinos... Fundam suas próprias igrejas...
e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho...”.

Caim no controle

Qual foi o nome da cidade? Enoque, o nome de seu filho! Chamar a cidade de Enoque era dizer: Essa cidade é minha! A glória é minha! Assim, Caim se coloca no controle de tudo, vivendo a vida do seu jeito, conforme sua vontade, auto-suficiente, determinado em fazer as coisas a seu modo, baseado em sua pró­pria força.

Caim age à sua maneira e, como um orgulhoso convicto, faz uso de suas armas: a justificação, a racionalização e a comparação. Ele se justifica: já que Deus não me aceitou, vou fazer do meu jeito. Ele racionaliza: não tem mais jeito. Minha maldade é grande demais para ser perdoada. Vou viver conforme o que eu penso ser correto. Ele compa­ra: nunca vou ser aceito como Abel foi.

Nada de clamar pela bondade de Deus. Nenhum apelo à mise­ricórdia. Caim não percebe que sua maldade não consegue dimi­nuir o amor de Deus por ele. Em seu entender, Caim achava que o amor divino dependia de seu desempenho. Mas não há nada que possamos fazer para que o amor de Deus por nós diminua ou au­mente. A nossa fé não consegue conquistá-lo. Os nossos desacertos não conseguem prejudicá-lo. Deus não nos ama menos quando falhamos. Também é verdade que ele não nos ama mais quando somos bem-sucedidos. Deus ama-nos incondicionalmente, qual­quer que seja nosso desempenho. Caim é soberbo demais para perceber isso, e seu orgulho traz consequências terríveis. Esse sentimento nos coloca na contramão do caminho que conduz ao céu. Você já ouviu a expressão nadar contra a maré? É o que faz alguém que cultiva o orgulho como prática de vida. A ação de Deus passa a ser contrária, pois o orgulhoso escolhe transitar na contramão da vida. Deus passa a repre­sentar-lhe oposição, por sua escolha de pecador. E, por fim, a so­berba o priva da graça de Deus. “Deus se opõe e resiste aos orgulhosos, mas concede graça aos simples e humildes”. Se nos colocarmos na direção opos­ta a Deus, perderemos os efeitos de sua bondade.

Caim escolhe viver fora da medida da graça e da fé

A medida da graça e da fé consiste em termos uma imagem adequada de nós mesmos. Nem abaixo do que somos, pois isso nos tornaria pessoas ingratas a Deus, nem acima do que somos, pois isso seria orgulho. Nem acima, nem abaixo! “Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um.” Rm 12:3

A visão exacerbada de Caim sobre si mesmo, seu jeito “nariz-empinado” de ser o impede de humilhar-se, de procurar ajuda, de clamar por misericórdia, de reconhecer sua fraqueza. Caim não com­preende que o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza humana. Este é um dos grandes malefícios da síndrome de Caim: valorizar demasiadamente a si mesmo.

Caim não compreende que “auto-estima significa ver a si mes­mo como Deus o vê e reconhecer-se como uma pessoa especial em quem ele depositou dons, talentos e propósitos específicos, dife­rentes dos de qualquer outra pessoa”.

2.       Espírito crítico. Gn 4:9

“Disse o SENHOR a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei; acaso, sou eu tutor de meu irmão?” Gn 4:9

A visão exacerbada sobre si mesmo, que Caim nutriu no cora­ção, transformou-o em um crítico frio e maligno. Geralmente os críticos de plantão, são na verdade intolerantes e querem impor o seu jeito de ser. Caim permite firmar em seu coração a mentira diabólica de que ele era melhor que Abel. Caim, porém, sabia a verdade e temia o fato de Abel ser melhor que ele. O problema não era a certeza de ser o melhor, e sim a convicção de ser o pior. Isso o transformou em um murmurador, um queixoso, homem cínico, alguém incapaz de desfrutar da alegria na vida. Ele tornou-se, como escreveu Stormie Omartian, "um tipo de pessoa que geralmente os outros gostam de evitar".

Caim desenvolveu uma atitude crítica no coração. Tanto que, em vez de responder adequadamente a Deus, ele questiona: "Então o Senhor perguntou a Caim: 'Onde está seu irmão Abel?' Res­pondeu ele: 'Não sei; sou eu o responsável por meu irmão?' ". O sarcasmo de Caim revela seu espírito crítico: sou eu o responsável por meu irmão?

Suas atitudes de:

·         não assumir responsabilidades;
·         de fa­zer da vida uma competição;
·         e sua valorização exacerbada de si mes­mo;

fizeram nascer o cinismo de um espírito crítico. Eu, Senhor? Meu irmão, Senhor? Não é ele o seu “queridinho”? Sou eu que sei dele? Desde quando sou eu o seu guardador?! Caim questiona com sarcasmo!

Os reis das questões...

Analisando friamente, vemos como a síndrome de Caim nos atinge até hoje. Somos os reis das questões. Temos tantas perguntas para Deus e nenhuma resposta sobre nós mesmos ou sobre a ma­neira pela qual agimos em relação aos que vivem a nosso lado.

Questionamos o plano de Deus

Passamos a agir com desconfiança dos estatutos de Deus, duvi­damos de sua boa intenção para com nossa vida e nos rebelamos contra o fato de que seu modo de viver é o único que funciona. Deus é visto por nós como um desmancha prazeres. E, por isso, em vez de procurarmos conhecer seu plano bom, concluímos er­roneamente que devemos fazer o que manda o nosso coração en­ganoso. É exatamente aí que estragamos tudo. Acabamos por correr à frente de Deus, tomando nossas providências e complicando nossa vida, criando dentro de nós um estado de descontentamento in­terior! Com que facilidade deixamos os planos de Deus e passamos a questioná-lo. Duvidamos de que Deus seja confiável, de que seu plano seja bom o suficiente para nós e saímos em desabalada carrei­ra. No final, o que conseguimos é um coração cansado e crítico.

A verdade é que, quando desconfiamos do plano de Deus, nosso modo de vida passa a acontecer em oposição a Deus! E aí que o espírito crítico nos leva a ser pessoas frustradas, amargas, sem sen­tido na vida. Fora da vontade de Deus, acabamos por nos colocar numa posição que desagrada ao Criador. Dessa forma, somos do­minados por sentimentos de irrealização, pois nossa vida não al­cança seu verdadeiro intento. Nunca questione a Deus! A única maneira de viver a vida com alegria e realização é confiar no plano de Deus e submeter-se a ele. “Confia ao SENHOR as tuas obras, e os teus desígnios serão estabelecidos.” Pv 16:3

O espírito crítico de Caim cegou seus olhos e endureceu seu coração, a ponto de ele se rebelar contra os desígnios de Deus.

Questionamos os métodos de Deus

Caso sejamos convencidos do plano bom de Deus, então a síndrome de Caim manifesta-se de outra forma: nosso espírito crí­tico passa a questionar os métodos que Deus utiliza para executar seus planos! Somos invadidos pelo sentimento de que, embora o plano do Criador seja bom, os métodos que usa para torná-lo reali­dade são muito complicados.

A síndrome de Caim leva-nos a querer explicações e compreen­são de tudo. Não há espaço para a mente infinita de Deus agir. Permitimos que a síndrome coloque um ponto final no mistério e tudo se torna lógico e racional. O resultado é o descontentamento contra Deus e contra a vida!

Um Deus infinito espera que seres finitos como nós confiem em seus métodos. E a razão principal está no fato de que nenhum dos métodos que ele utiliza em nossa vida deixa de passar pelo crivo de sua misericórdia. E a limitação humana que nos impede de enten­der a forma de agir do seu amor. “Assim como os céus são mais altos do que a terra, também os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os seus pensamentos.” Is 55:9

Quando não confiamos nos métodos divinos, instala-se a síndrome de Caim, tornamo-nos pessoas críticas e a vida perde o sentido. Esquecemo-nos de que Deus opera segundo a sua vontade e não segundo a nossa!

Questionamos o tempo de Deus

A síndrome leva-nos a avaliar o período que Deus usa para exe­cutar seu plano. Novamente nosso coração crítico e questionador diverge do plano divino, que parece demorar demais! Onde está Deus? Esta passa a ser pergunta freqüente em nosso coração! Somos invadidos pela falsa sensação de que Deus desapareceu e não tra­rá a salvação de que precisamos. Entramos numa crise profunda de questionamentos, lágrimas e depressão. Até nossos inimigos se juntam a esse coração crítico e questionador com zombarias. O muito que conseguimos, nesses questionamentos, é cansar o Pai.

1 Até quando, SENHOR? Esquecer-te-ás de mim para sempre? Até quando ocultarás de mim o rosto? 2   Até quando estarei eu relutando dentro de minha alma, com tristeza no coração cada dia? Até quando se erguerá contra mim o meu inimigo?” Sl 13:1-2

“Bom é aguardar a salvação do SENHOR, e isso, em silêncio.” Lm 3:26

3.       Rejeição. Gn 4:7

Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo.” Gn 4:7

O Senhor disse a Caim: “Se você fizer o bem, não será acei­to?”. Deus não estava rejeitando a pessoa de Caim, e sim os seus atos. Mas Caim não soube separar a rejeição dos seus atos da rejei­ção de sua pessoa. E não percebeu que o que Deus procurava não era o sacrifício apenas, mas seu coração. Não era o sacrifício de Caim que faria Deus se deleitar. Não são sacrifícios ou holocaustos que agradam a Deus. O que lhe causa alegria e prazer é o coração quebrantado e contrito de pessoas que se rendem a sua vontade. A estes, o Senhor não despreza. Não há nada que leve o coração de Deus a me rejeitar como pessoa. Isto não é tremendo?

Aceitar-nos como pessoa não significa concordar com nossas ações erradas. Deus ama o pecador, mas odeia o pecado. “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cris­to morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores.” Rm 5:8

Ape­sar de morrer por nós na condição de pecador, ele não aceita o pecado. Por isso morreu, para que pudéssemos ficar livres do peca­do, para podermos gozar plenamente da sua comunhão.

Não misture a rejeição de seus atos com a reeleição de sua pessoa

É nesse ponto que Caim se perde, pois ele mistura a rejeição de seus atos com a rejeição de sua pessoa. Ele se deixa enganar pelo Diabo. Sua mente fundamenta-se na seguinte mentira: "Não te­nho valor; então, é perfeitamente compreensível que as pessoas me rejeitem". E uma vez que adotemos essa mentira como crença, passamos a interpretar tudo a partir da nossa rejeição. Nossa mente é dominada por toda espécie de pensamentos negativos, impedindo-nos de nutrir uma atitude positiva em relação ao amor divino e à nossa aceitação por Deus.

Leite fica azedo se for conservado no refrigerador. Atitudes tornam-se amargas pela mesma razão. Um coração reto, uma atitude correta nos conserva e protege. Todavia, uma atitude ruim, amarga e azeda nos faz estragar. Este foi o problema de Caim: ele desconsiderou a aceitação de Deus, só a rejeição passou a ter lugar em sua mente e em seu cora­ção. Então, passou a reagir em conformidade com uma vida sem Deus. Seguiu adiante com a coerência de alguém que foi rejeitado. Dá para imaginar que tipo de vida Caim passou a ter? Relaciona­mentos rotos, amargura, ódio, mentira, revolta, desobediência, re­belião e distanciamento de Deus.

4.       Não encarar a culpa e entra pelo caminho do vitimismo. Gn 4:13-14

“13 Então, disse Caim ao SENHOR: É tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo. 14 Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua presença hei de esconder-me; serei fugitivo e errante pela terra; quem comigo se encontrar me matará.” Gn 4:13-14

Caim não enfrentou sua culpa, e este foi um dos fatores que o levaram a se afastar de Deus. Ele saiu da presença do Senhor para não ter de enfrentar o fracasso. Seu pecado aprisionou-o e trancou-o atrás das garras da vergonha, da decepção, do medo e da culpa.

É isso que vemos em Caim. A atitude de não tratar a culpa está estampada em suas palavras:
Então, disse Caim ao SENHOR: É tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo.  Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua presença hei de esconder-me; serei fugitivo e errante pela terra; quem comigo se encontrar me matará.” Gn 4:13-14

Esconder-se e fugir tornaram-se as opções possíveis na mente culpada de Caim, e também é o caminho que muitos estão trilhando.

Caim entra pelo caminho do vitimismo.

A pessoa que vive se fazendo de vítima diante de seus fracassos, está na verdade promovendo a própria mediocridade. Em vez de assumir a responsabilidade pelo acontece em sua própria vida prefere colocar a culpa em outros. Aquele que não reconhece seus erros, inviabiliza a sua recuperação.

Eu tenho visto que na maioria dos casos as pessoas não são vítimas, e sim, se fazem de vítimas. Existe uma distância muito grande entre ser vítima e se fazer de vítima. Se fazer de vítima, é sempre mais cômodo do que assumir responsabilidades e suas consequências.

Acredite, é fácil descobrir se alguém está se fazendo de vítima, observe se essa mesma pessoa...

1. Frequentemente coloca a culpa dos seus fracassos em terceiros
2. Frequentemente vive se queixando de tudo e de todos.
3. Frequentemente está se justificando.

“Antes de procurarmos um culpado, devemos pensar numa solução.” Henry Ford

Não encarar a culpa sempre nos afasta de Deus e das pessoas, porque Sata­nás vem e semeia a vergonha.

Se ele não pode nos seduzir com o nosso pecado, ele nos fará pensar em nossa culpa. Nada o faz exultar mais do que nos ver nos escondendo em um canto, embaraçado por estarmos de volta com um velho hábito. "Deus já está cheio de meus confli­tos", cochicha ele. "Meu pai está cansado dos seus pedidos de perdão", é  isso o que ele nos diz.

A culpa cria um ambiente desesperador. Ela é um algoz que nos tortura incansavelmente. Ela nos priva da felicidade e arruína nossa confiança. Quando não a tratamos de modo adequado, ela instala em nós um constante temor de sermos descobertos em nosso pecado. E isso causa uma grande tensão, que nos leva a um negligente abandono, num esforço frenético por escapar do dedo condenador que insiste em perturbar nossa consciência. Essa tensão se manifesta em todas as áreas da vida. Mas sobretu­do na vida espiritual, impedindo nossa comunhão com Deus. Ao invés de nos achegarmos, distanciamo-nos dele.

A Culpa nunca confirma nada, ela agride. A Culpa nunca restaura nada, ela fere. A Culpa nunca resolve nada, ela complica. A Culpa nunca serve para unir, ela separa. A Culpa nunca sorri, ela franze a testa. A Culpa nunca perdoa, ela rejeita. A Culpa nunca se esquece, mas sempre se lembra. A Culpa nunca edifica, ela destrói.

Como Caim poderia ter tratado sua culpa?

·         Confessando e encarando o pecado em vez de escondê-lo.

Onde está seu irmão Abel?”. Você acha que Deus perguntou isso porque desconhecia o paradeiro de Abel ou ignorava o que havia acontecido? Não! Deus estava dando uma oportunidade para que Caim assumisse seu pecado. Mas ele simplesmente desconversa: “Não sei; sou eu o responsável por meu irmão?”. E inacreditável! O que Deus esperava de Caim é que ele abrisse seu coração e admi­tisse o pecado. Mas não, ele opta por escondê-lo.

Quase posso ouvir o lamento do coração de Deus: Ah! Caim. Será que você não sabe que aquele que tem suas transgressões perdoadas e seus pecados apagados é a pessoa mais feliz desta terra? Será que não percebe como é feliz aquele a quem eu não atribuo culpa? Abra os olhos! Esconder sua transgressão vai fazer você definhar de tanto so­frer. Reconheça diante de mim o seu pecado e não encubra de mim as suas culpas.

·         Aceitar o perdão de Deus

Veja o que Deus sugere quando questiona Caim: “Por que você está furioso? Por que se transtornou o seu rosto? Se você fizer o bem, não será aceito?”. Três perguntas que revelam o profundo interesse de Deus em perdoar o pecado de Caim. Deus diz:

·         O que é isso Caim?
·         Por que seu rosto se desfigurou?
·         Deixe essa raiva de lado. Enfrente sua culpa! Se você fizer o que é certo, será aceito?.

Em outras palavras: Você ainda tem chance. Nem tudo está perdido. Ânimo, rapaz! Eu o perdôo. Faça as coisas de maneira certa e pronto. Existe possibilidade de se refazer, existe perdão!Não imporat quantas vezes você caiu, importante é se você quer levantar!!!

Deus oferecia perdão a Caim, mas Caim não podia se perdoar. Sua resposta foi: A minha maldade é grande demais para que possa ser perdoada. Da tua face me esconderei. Serei fugitivo e vagabundo na terra.” Ele dá as costas ao perdão de Deus.

Caim não assume as dificuldades que ele mesmo criou. E, por não assumir seus erros, inviabiliza sua recuperação.

·         Optar por Deus

Deus jamais abandonaria Caim. Ele se compadece de nós como o pai se compadece de seus filhos. Não é Deus quem se separa de Caim, mas a maldade do coração de Caim o distancia do Criador, seu pecado encobre o rosto de Deus.

“Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.” Is 59:2

Pode até ser que uma mãe se esqueça de seu bebê que ainda mama. E possível que uma mãe não tenha compaixão do filho que gerou. Todavia, Deus não esquece e jamais abandona seus filhos! Caim permitiu que o pecado o cegasse a tal ponto que o desejo dominou seu coração de forma irresistível. Em vez de fugir do pecado, Caim se entrega aos braços do pecado. Portanto, a Bíblia ensina que, em tempos de tentação da carne, há um só mandamento: fuja da fornicação, fuja da idola­tria, fuja das paixões da juventude, fuja da sensualidade do mundo. Não é possível resistir a Satanás nessas ocasiões, senão fugindo. Todo esforço contra a cobiça em nossas próprias for­ças está condenado ao fracasso.

Sim! Caim poderia ter optado por ficar com Deus e fugido do pecado, mas não foi essa a sua decisão. Desgraçadamente, ele optou por se afastar da presença do Senhor e viver do seu jeito.

5.       Fundamentar a vida na mentira. Gn 4:9

“Disse o SENHOR a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei; acaso, sou eu tutor de meu irmão?” Gn 4:9

Deus oferece a oportunidade de Caim tratar o assunto, resolver o problema, mas ele prefere esconder a verdade e entregar-se a uma vida de mentiras. Caim deve ter pensado que a mentira poderia facilitar-lhe as coisas, e assim cai no engano da mentira. Não perce­be como ela é prejudicial. Não vê, ou se nega a ver, que a mentira atinge, com poder destrutível, o mais profundo do nosso ser. Todo homem que se aventura a mergulhar num lamaçal de men­tiras fica tão amortecido pela sujeira que se aloja em seu coração, que acaba, ele mesmo, acreditando nas próprias invenções. Quanto mais apregoa mentiras, mais se torna insensível e covarde em ouvir, aceitar e proferir verdades. Mais distante de Deus permanece. A mentira corrompe nossa comunhão com Deus e, por fim, nos distancia dele. Ela é contra a natureza de Deus, pois o Senhor é Deus da verdade. O apóstolo Pedro declara: "... nenhum engano foi encontrado em sua boca".1 Pe 2:22

A mentira leva-nos a romper com Deus e a estabelecer laços estreitos com Satanás

Quando você mente, significa que você aliou-se a um espírito de mentira, que é Satanás. Contar uma mentira significa que você deu uma porção do seu coração ao Diabo. Permitir que o Diabo domine qualquer parte do seu coração o torna vulnerável ao seu reino. Quanto mais você mente, mais poder ele tem sobre você e, uma vez que esteja atado por um espírito de mentira, não será mais capaz de parar de mentir.

O texto de João 8:44 aborda essa parte da vida de Caim. Foi ele quem cometeu o primeiro homicídio da história da humanidade. Leiamos João e deixemos que o texto penetre em nosso coração: "Vocês pertencem ao pai de vocês, o Diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua pró­pria língua, pois é mentiroso e pai da mentira".

A mentira separa-nos de Deus. Ela atrai a ira de Deus. Ela nos impede de viver relacionamentos saudáveis e causa ruína.

Deixe-me sinalizar quatro características de alguém que funda­mentou sua existência na mentira.

Isolamento

Uma pessoa que se fundamenta na mentira precisa viver isolada. Geralmente as pessoas que mentem vivem a crise de serem descobertas e esse medo as afasta dos relacionamentos. Agora o pior do que o isolamento físico, é o interior. Cercada por colegas, conhecidos, parentes, porém solitária por dentro; sozinha e possuidora de uma mente que passa o tempo todo arquitetando mil maneiras de impedir que o que há em seu coração torne-se visível aos olhos dos outros; atormentada por um medo terrível de que sua máscara caia e sua verdadeira pessoa seja revelada ao públi­co que a assiste. Sim, porque ela se comporta como uma personagem em cima do palco, representando um papel de mentiras. Por trás dos sor­risos e da aparente vida festeira, essa pessoa vive uma solidão mortal que ninguém pode imaginar.

Vida sem valor

A pessoa que vive fundamentada na mentira sabe que suas con­quistas são imerecidas. Sabe que é uma farsa. Tem convicção de que não tem nada a ver com elas. Quando vêm os elogios, as coroas de glória, uma voz interior denuncia que até a celebração é uma men­tira. Celebrar o quê? Festejar qual conquista? Dentro de nós, somos dominados por pensamentos: se soubes­sem quem eu sou, eles saberiam a verdade sobre tudo. Isso mata a alegria verdadeira e o sentimento de realização, de conquista.

Vida sem paz

A mentira nos rouba uma vida de paz, uma vez que a paz é a principal evidência de que nossa vida está fundamenta na verdade de Deus. "Tu, Senhor, guardarás em perfeita paz aquele cujo pro­pósito está firme, porque em ti confia." Is 26:3

Uma pessoa que constrói a vida na mentira perde a paz que excede todo o entendimento. Seu coração fica desprotegido e a sua mente, à mercê da tragédia. A mentira não só rouba a nossa paz, como nos tira o Deus da paz.

Vida irreal

A mentira exige a criação de um mundo próprio, cujas compa­nhias são: eu, a consciência, o Diabo e Deus. O eu, com suas justificativas e racionalizações para permanecer­mos na mentira. A consciência, se ainda boa, pode nos alertar. Mas, se corrompi­da, afunda-nos ainda mais na mentira e tortura-nos com a culpa. O Diabo, aquele que nos ajudou, nos incentivou a preparar tudo, agora faz pesar sobre nós o que sabe fazer perfeitamente bem: acu­sar-nos dia e noite. E Deus, ele também está nesse nosso mundo. Nada pode nos afastar de sua presença. Mesmo nesse mundo, o braço dele conti­nua competente; seu ouvido sempre pronto para ouvir. O proble­ma está na decisão maldosa do nosso coração de continuar vivendo na mentira. Essa decisão nos separa dele. O fato de optarmos por não romper com nossos pecados acaba por esconder o rosto de Deus de tal forma que ele não nos ouve.

Dá para imaginar que tipo de vida vive uma pessoa que alicerça sua existência na mentira? Deixar a mentira precisa ser a nossa es­colha. Precisamos clamar a Deus para que ele nos livre dessa arma­dilha. Os salmos 120:2 e 141:3 precisam ser o conteúdo de nossas orações: "Senhor, livra-me dos lábios mentirosos e da língua trai­çoeira!"; Coloca, Senhor, uma guarda à minha boca; vigia a porta de meus lábios". Amigo leitor, Deus planejou que vivêssemos uma vida cada vez mais abundante. Em seu plano, nossa vereda, nosso caminhar, seria "como a luz da alvorada, que brilha cada vez mais até a plena claridade do dia".

Como vimos na história, Caim não optou pelo plano de Deus. Ele escolheu, por livre vontade, as atitudes que produziram o efeito contrário em sua existência. Por isso, passou a viver uma vida que sutilmente, preste atenção neste detalhe, estragou o seu hoje e comprometeu negativamente o seu amanhã.

Ao finalizar este compartilhamento, convido você a meditar cuidadosa­mente sobre os motivos ou atitudes do seu coração. Tire um tempo para verifi­car em qual direção seu coração se inclina. Peça a Deus para que coloque seu coração à prova. Deixe-o examiná-lo. Certifique-se de que seu coração se alegra em fazer a vontade de Deus, de que a integridade se encontra em seu coração.

Faça da oração do salmista a sua: Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos...” Sl 139:23

“Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.” Mt 5:8