20090126

Edificação da Semana para as células

Mandamentos da mutualidade. 25/01/2009
Disc. Vinicius Cano

A comunhão e a unidade se expressão através da mutualidade. A mutualidade é o mesmo que reciprocidade e se refere a aqueles textos do Novo Testamento onde aparecem as palavras “uns aos outros”. No Novo Testamento, há 43 mandamentos sobre a mutualidade, sendo que pelo menos 30 são distintos um do outro. Esses mandamentos recíprocos indicam as nossas obrigações mútuas e as nossas oportunidades de expressar a nossa vida em comum.
Separei 10 Mandamentos que acho ser fundamental para expressar a unidade e comunhão na nossa igreja.

1. Sede membros uns dos outros

“Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram” (Romanos 12:15).
· Sabendo que sozinhos quase nada pode ser feito.
· Envolvimento na vida pessoal dos demais irmãos

2. Amai-vos uns aos outros ...

“O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (João 15:12)
“E o Senhor vos faça crescer e aumentar no amor uns para com os outros e para com todos, como também nós para convosco” (1 Tessalônicenses 3:12).
“Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente” (1 Pedro 1:22).
· O amor deve ser o princípio básico da vida do cristão.
· Você só esta aqui porque alguém amou voe primeiro.
· Amar como Cristo amou a igreja.

3. Dai honra uns aos outros...
· Valorizai seu irmão.
· Elogiando e incentivando o seu irmão.
“Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Romanos 12:10)

4. Tende sentimentos uns para com os outros...
· Não sejais indiferentes.
· Desemprego do irmão. (Passando dificuldades com crianças)
· Não se conforme de seu irmão vivendo escravizado pelo pecado.
“Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos” (Romanos 12: 16)

5. Não julgueis uns aos outros...
· Não sejais precipitados em fazer julgamentos, colocando-se no lugar de Deus, pois todos somos pecadores.
· Não se preocupe como seu irmão caiu, mas como ele pode se levantar.
“Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão” (Romanos 14:13).

6. Saudai-vos com ósculo santo...
· Beijar, abraçar, demonstrar carinho.
· Muitas pessoas precisam de um abraço ou um beijo.
“Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo. Todas as igrejas de Cristo vos saúdam” (Romanos. 16:16).
“Saudai-vos uns aos outros com ósculo de amor. Paz a todos vós que vos achais em Cristo” (1 Pedro 5:14)

7. Sede servos uns dos outros...
· Colocai-vos à disposição de vossos irmãos.
· Sirvam ao irmão como se fossem ao Senhor Jesus. (Que na verdade é.)
· Procure sempre uma maneira de estar servindo alguém.
“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor” (Gálatas 5:13).
“Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (1 Pedro 4:10).

8. Tende comunhão uns com os outros...
· Não fiqueis isolados.
· Faça parte de uma célula, de um grupo, da igreja.
· Seja alguém presente.
“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (I João 1:7).

9. Perdoai-vos mutuamente...
· Exercitai o perdão diariamente.
· Perdoe as falhas daquele irmão que sempre te aborrece.
· Seja benigno, tenha pensamentos bons sobre os irmãos.
“Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou” (Efésios 4:32).

10. Suportai-vos uns aos outros...
· Exercitai a paciência.
· A paciência já esta em você.
· Se você diz que não tem paciência também não tem o Espírito Santo.
“Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor” (Efésios 4:2).

11. Confessai os pecados uns dos outros...
· Você precisa ter um confessor, alguém pra compartilhar seus problemas.
· Orar pela cura do seu irmão.
“Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo” (Tiago 5:16).


12. Orai uns pelos outros...
· Prática da oração individual.
· E oração em grupo...
“Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo” (Tiago 5:16).


13. Considerai-vos uns aos outros...
· Não desprezeis ninguém.
· Tenha em mente que todos ao seu redor são superiores à você.
“Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Filipenses 2:3).


14. Não faleis mal uns dos outros...
· Cuidado com os boatos que viram calúnias.
· Não fale de alguém que não esteja presente e nem.
· Só tem fofoca se tiver ouvidos abertos pra ouvir.
“Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão ou julga a seu irmão fala mal da lei e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz” (Tiago 4:11).


15. Levai as cargas uns dos outros...
· Se envolva nas lutas dos seus irmãos.
“Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6:2).

Mandamentos servem pra ser seguidos nós como filhos obedientes que somos devemos mostrar as pessoas la fora que somos um em Cristo Jesus.
“Eu não rogo somente por estes mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim. Para que todos sejam um, como tu, ó Pai o és em mim, e eu em Ti. Que eles também sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.” (João 17:20-21)

20090112

21 Dias de Jejum pela Unidade e Multiplicação da Igreja

Capítulo 8

Não deixe de congregar

Uma atitude comum em nossos dias é considerar a participação no culto como sendo algo secundário e até desnecessário para a vida cristã. Mas esse não era o entendimento e a prática dos primeiros cristãos, conforme relata o livro de Atos: “E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo” At 5:42
Eles se reuniam diariamente e sabiam que o reunir-se liberava um grande poder espiritual, por isso “diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração”. At 2:46Em nossos dias, pessoas ficam semanas sem participar do culto e parecem não sentir falta alguma. Outras ficam meses sem participar da ceia e acham isso normal. Mas, definitivamente, não é normal, não é o padrão de um crente vencedor.

Uma é a graça individual, outra a graça coletiva

No decorrer dos anos, temos aprendido que existe uma graça que é liberada sobre nós individualmente, mas há outro nível de graça e desfrute que somente podemos receber quando estamos reunidos com os irmãos: é a graça coletiva. Jesus nos ensinou que podemos orar em secreto em nosso quartos, mas existe uma oração que, para ser feita, devemos estar reunidos no nome dEle e em concordância. Quando isso acontece, o Pai libera do céu a Sua bênção. Mas, se deixarmos de nos reunir, é certo que muitas orações ficarão sem resposta porque não foram feitas segundo o padrão de Deus.
Aquele irmão que deixa seguidamente de congregar e de participar dos cultos da igreja está perdendo algo em sua vida espiritual. Deixar de reunir-se é uma atitude arrogante. Fazendo isso, a pessoa está declarando que não necessita de ninguém, que é auto-suficiente e que pode viver a vida cristã sem qualquer ajuda do Corpo. Nós sabemos que Deus resiste ao soberbo. Essa pessoa começará a se sentir seca e insensível, pois o Senhor a resistirá e, com o tempo, ela pode vir até mesmo a se afastar completamente da fé. As reuniões da igreja são uma grande proteção.
Esse princípio também é verdadeiro com respeito à Palavra de Deus. Podemos ter revelação em certa medida buscando a Deus sozinhos em nossas casas, mas as revelações mais profundas e o entendimento de muitas partes da Palavra de Deus só nos serão liberados na reunião da congregação.
Você já observou que, mesmo ouvindo em casa a pregação do último final de semana, o impacto em nossas vidas não é o mesmo? Isso acontece porque não basta receber a palavra certa, é preciso que essa palavra seja ministrada em um ambiente correto. Uma palavra ouvida em um ambiente impróprio não produz resultados espirituais duradouros. Muitos acham que não precisam ir ao culto e que basta comprar o CD com a pregação e ouvi-la em casa. Mas, agindo assim, estão perdendo a unção liberada na reunião e a própria palavra não vai penetrar na vida deles como aconteceria em um culto.
É algo sobrenatural o que acontece quando um grupo de irmãos se reúne para adorar a Deus e receber a Palavra. Aquela atitude unânime, o coração focado nas coisas do céu, a fé liberada, o estímulo mútuo, tudo isso tem um poder impressionante. Uma reunião assim sempre nos marca e nunca somos os mesmos depois que saímos dali.
Você consegue perceber o quanto perdemos quando deixamos de ir ao culto ou quando vamos muito raramente? Participar do culto dos santos deveria ser uma prática diária, mas em função do tempo em que vivemos deveria ser algo que fazemos pelo menos duas vezes por semana: na célula e na celebração.

Não há igreja sem comunhão

No Velho Testamento, o povo se reunia para adorar na tenda da congregação, ou da comunhão. Quando o povo estava ali, eles eram a “congregação” de Israel. No Novo Testamento, a Palavra de Deus nos exorta a que não deixemos de nos congregar. O apóstolo diz: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.” Hb 10:25

Por que uma pessoa deixaria de ir ao culto da igreja? Naturalmente, algumas estão impedidas de se locomoverem, outras estão incapacitadas ou estão enfermas fisicamente; outras, porém, preferem ficar em casa assistindo sermões pelo rádio, pela TV ou até pela internet. Nós sabemos que o próprio Senhor Jesus ia à sinagoga todos os sábados para congregar (Lc 4:16). Se somos Seus discípulos, precisamos fazer como Ele fez. Nem faço menção àqueles que não vão ao culto porque estão seduzidos pelas coisas do mundo e pela embriaguez do presente século. Certamente, o diabo oferece um verdadeiro cardápio de coisas sedutoras para impedi-los de ir cultuar a Deus.

Você sabia que os discípulos perseveraram reunindo-se juntos no cenáculo até serem revestidos do poder do Espírito Santo? Fico pensando se um daqueles cento e vinte tivesse faltado justamente no dia que o Espírito veio. Que perda não teria sido!
O cristianismo é singular por não ser de natureza individual, mas coletiva. A própria palavra “igreja”, eklesia no grego, significa assembléia, ajuntamento, reunião, “os chamados para fora”. Deus não apenas chamou para fora um povo, mas quer também que eles se congreguem. Se cada um que fosse chamado mantivesse sua independência, não haveria igreja. Querer estar na igreja sem se reunir é uma contradição de termos. Todos os crentes devem se reunir para que possam receber da graça de Deus.

O Corpo se expressa na reunião

Algumas pessoas dizem que não precisam ir ao culto porque hoje Deus não habita em prédios feitos por mãos humanas e que, portanto, elas podem adorar e invocar ao Senhor em qualquer lugar. Isso é verdade, de fato, Deus não habita em prédios, mas nós não vamos adorar com os irmãos por causa do lugar, mas por causa da comunhão do Corpo. Se a congregação quiser, pode se reunir em qualquer lugar, mas, segundo a palavra de Deus, os santos devem se reunir.
Não usamos mais o Salmo 122 como motivo de nos reunirmos. Já não dizemos: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor.” A Casa de Deus, hoje, somos nós. De fato, a mulher samaritana disse a Jesus: “Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar. Mas Jesus lhe respondeu: ‘Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai (...). Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” Jo 4:20-24

Entretanto, nada disso nega o fato de que devemos nos reunir. Apenas mostra que podemos nos reunir em qualquer lugar. Precisamos nos reunir. Quando nos reunimos há uma sinergia espiritual, o poder de Deus é multiplicado: “Como poderia um só perseguir mil, e dois fazerem fugir dez mil, se a sua Rocha lhos não vendera, e o Senhor lhos não entregara?” Dt 32:30. Um persegue mil, mas dois juntos perseguem dez mil. Não é maravilhoso?

A Presença do Senhor está no Reunir

Todos nós sabemos que o Senhor é fiel e Ele, por duas vezes, nos prometeu Sua presença. Em Mateus 28:20, Ele disse que estaria conosco de forma individual todos os dias de nossa vida ou até a consumação dos séculos. Já em Mateus 18:20, Ele prometeu Sua presença à Igreja de maneira coletiva. Ele disse: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”. Uma coisa é ter a presença do Senhor em nosso espírito, outra coisa é desfrutar de Sua presença quando estamos juntos como Igreja.
Como um crente pode rejeitar estar onde a presença de Deus está? Semana após semana, muitos crentes têm uma desculpa para não irem ao culto. Alguns se desculpam, dizendo que é legalismo exigir ir ao culto toda semana. Mas a verdade é que a sua freqüência ao culto fala do lugar das coisas de Deus na sua vida. Conheço donas de casa que acham mais difícil ir à igreja no domingo de manhã, do que fazer qualquer outra coisa. Mas durante a semana, elas têm tempo sobrando para ficar andando por aí! Elas estão sempre correndo, fazendo algo de especial para os seus filhos. Elas arranjam tempo para aulas de dança, de música, para compras, festas, esportes, academia. E a lista vai crescendo. Mas, para as coisas do Senhor, elas acham o tempo curto. A mensagem que passam é essa: “Deus não é minha prioridade”.

A maior indignidade que qualquer cristão pode cometer contra o Senhor é deixá-lO em uma posição secundária. Isso é um tapa na face de Deus. Como você prioriza o seu tempo? Por exemplo, quantas vezes você faltou aos cultos da igreja por causa de seus negócios? Nestas ocasiões, não foram os seus clientes que ficaram aguardando, foi Deus. Eles foram postos em primeiro lugar, acima dos interesses dEle!
Compreendo que você não possa evitar faltar ao culto se você e seu trabalho lhe impede de freqüentar. É o caso, por exemplo, de enfermeiras, médicos ou guardas-noturnos. Mas e aquelas pessoas que podem escolher? Aquelas que dirigem o seu próprio negócio e que optam por trabalhar em vez de adorar a Deus com a igreja. Qual é a prioridade na sua vida? Quem fica esperando: seus negócios ou o Senhor?
Nos últimos dias, disse Jesus, muitos estarão tão ocupados, tão envolvidos com os seus próprios interesses, que deixarão de lado todos os interesses do céu! Deixar de ir ao culto da igreja é negligenciar a Deus. Não ter tempo para buscar o Senhor, não ter tempo para se assentar aos Seus pés e aprender.
Essas pessoas podem estar fazendo coisas boas e legítimas, porém o Senhor não é o primeiro para elas! Ele não é o centro de suas vidas. Se Ele fosse, não O colocariam de lado. Elas achariam tempo para ficar com Ele!
Muitos estão convencidos que estão destinados para o céu. Porém, semana após semana, negligenciam a obra de Deus, a palavra de Deus, a oração e a adoração. Se forem salvos, certamente não são vencedores.

Como Devemos nos Reunir

O Senhor nos ensinou que devemos nos reunir em Seu nome. Reunir em nome do Senhor significa que nós nos reunimos para exaltá-lO e nos colocar debaixo de Sua autoridade. Quando nos reunimos no nome do Senhor, Ele se faz presente entre nós. Reunir-se no nome do Senhor significa que todas as outras razões para estarmos ali são secundárias. Ele é o centro.
Mas a Palavra de Deus também nos ensina que devemos nos reunir para a edificação do Corpo. Paulo diz: “Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro, doutrina, este traz revelação, aquele, outra língua, e ainda outro, interpretação. Seja tudo feito para edificação” 1Co 14:26

O culto não é para entretenimento, mas tudo deve ser feito com o propósito de edificar.
O princípio básico de uma reunião é a edificação do Corpo de Cristo. Todavia, em uma igreja em células, como a nossa, nós temos duas reuniões semanais: a reunião menor na célula e a reunião maior, de celebração, com toda a igreja. Em ambas, o alvo é a edificação, mas de formas diferentes.
Na igreja em células, há um equilíbrio entre as reuniões da célula e de celebração. Uma igreja em células é como uma igreja de duas asas: uma asa é a célula, e a outra, a celebração de domingo. Se as duas asas estão equilibradas, a igreja poderá voar para posições mais altas. Não podemos admitir que os irmãos participem apenas de uma das reuniões, precisamos das duas.

As reuniões de celebração são reuniões semanais nas quais todas as células se reúnem para adoração e edificação. Essas reuniões acontecem a cada domingo, no prédio da igreja. Elas são muito importantes e nenhum membro pode faltar a elas porque elas equilibram a sua dieta espiritual.

· Enquanto na reunião de celebração, ouvimos para gerar fé; na célula, falamos para crescer em fé.
· Na reunião de celebração, fazemos oração de guerra em nível estratégico. Na célula, fazemos oração de guerra em nível pessoal.
· Na celebração, buscamos libertação; na célula, mantemos a libertação.
· Na celebração, o alvo é ensino; na célula, o alvo é discipulado.
· Na reunião de celebração, o alvo é ministrar a Palavra; na célula, o alvo é praticar e compartilhar a Palavra que temos vivido.
· Na celebração, aprende-se com o pregador; na célula, aprendem uns com os outros.
· Na celebração, temos testemunho e evangelismo de massa; na célula, temos testemunho e evangelismo pessoal.
· Nas reuniões de celebração temos doutrina; nas células temos revelação, línguas e interpretação.

Seja humilde e não pense muito alto de si mesmo, como se você fosse a maravilha do século 21. Aprenda a ser humilde e venha para a reunião da igreja para que possamos ser fortes. Sempre que as pessoas estiverem em nosso meio, elas devem sentir instantaneamente a presença de Deus. É por isso que oramos e é isso que temos experimentado. O Espírito Santo tem movido entre nós. Espero que você possa testemunhar, como muitos já têm feito, que verdadeiramente Deus está entre nós.

21 Dias de Jejum pela Unidade e Multiplicação da Igreja

Capítulo 7

A oposição maligna na unidade da Igreja Ne 1:1-9

Todos nós estamos envolvidos em uma batalha espiritual. Quer você queira, quer não; quer você saiba disso ou não, você está inserido nesta guerra, cuja principal estratégia do maligno consiste em destruir nossa unidade. Saiba que não há neutralidade no reino espiritual. Essa é umas das razões porque a Palavra de Deus diz que também somos um exército.
Se existe um lugar onde a unidade é fundamental, esse lugar é o exército. Se o batalhão já não segue as ordens do capitão, se o pelotão ignora o sargento, então a guerra está perdida. Por incrível que pareça, essa tem sido a realidade de muitas igrejas locais.

Não há neutralidade na guerra. Jesus disse: “Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha. Mt 12:30
Não há neutralidade no mundo espiritual. Estando inserido nessa guerra, você precisa aprender a discernir as ações de nosso inimigo, como ele age e quais são suas estratégias para impedir a edificação.

O livro de Neemias ilustra essa guerra

Neemias tipifica a edificação e a restauração dos muros de Jerusalém. Antes dele, Esdras foi levantado para restaurar o templo. O templo sempre vem primeiro. Uma vez que o Senhor restaura o templo então os muros ao derredor devem ser edificados. Vamos olhar hoje para a restauração dos muros de Jerusalém como tipificação dos nossos relacionamentos. Como Neemias, hoje, todos nós estamos envolvidos nessa obra de edificação da Igreja.
Em Neemias, aprendemos sobre as estratégias do diabo para nos fazer parar. Basicamente, foram seis espíritos que procuraram resistir à obra de Deus naqueles dias e que ainda hoje resistem à edificação da Igreja.

Havia um homem em Samaria, cujo nome era Sambalate, que tudo fez para resistir a Neemias e todo o povo no propósito da reconstrução. Sambalate simboliza resistência e oposição espiritual.
Sambalate é um símbolo de satanás. O nome “satanás” significa adversário. Ele é responsável por toda oposição a Deus e Seus servos, mas devemos saber que ele é um inimigo derrotado:

“Maior é aquele que está em nós, do que aquele que está no mundo” 1Jo 4:4

Tão logo Sambalate toma conhecimento da chegada de Neemias, começa a reação:

“Disto ficaram sabendo Sambalate, o horonita, e Tobias, o servo amonita; e muito lhes desagradou que alguém viesse a procurar o bem dos filhos de Israel.” Ne 2:10

Ele sabe que, com os muros restaurados e as portas em seu devido lugar, ele já não terá condições de conservar as vidas em suas prisões. Envolver-se na edificação da igreja é entrar em um confronto aberto contra as forças invisíveis das trevas. Haverá pressões para nos cansar, nos desgastar, esmorecer e desistir, com o objetivo de que as almas continuem sob controle inimigo. A luta terá vários estágios. Deus usará esses conflitos para gerar em nós uma identidade de guerreiros que não depõem as armas até a vitória completa.
Isso fará que o inimigo nos respeite e recue, sabendo que estamos determinados a forçá-lo a sair do caminho. E o faremos, pois sabemos o que queremos e para onde vamos e não haverá nada que nos fará parar no meio da luta. A qualquer preço a obra de Deus será feita.

6 Espíritos que resistem à edificação da igreja

1º Espírito de zombaria

“Tendo Sambalate ouvido que edificávamos o muro, ardeu em ira, e se indignou muito, e escarneceu dos judeus. Então, falou na presença de seus irmãos e do exército de Samaria e disse: Que fazem estes fracos judeus? Permitir-se-lhes-á isso? Sacrificarão? Darão cabo da obra num só dia? Renascerão, acaso, dos montões de pó as pedras que foram queimadas?” Ne 4:1-2

Observe a indignação do inimigo, uma vez que a sua obra produzirá indignação no mundo espiritual. Aqueles que ficam indignados com o que Deus tem feito entre nós trazem o mesmo espírito. A primeira investida de satanás e seus demônios será a zombaria. Eles disseram:

“Ainda que edifiquem, vindo uma raposa derrubará o seu muro de pedra.” Ne 4:3

A voz de escárnio nos vem daqueles que nos cercam ou através de pensamentos, mas sua origem é sempre o adversário. Outro dia, ouvi de um pregador famoso uma crítica irônica contra as células. Ele dizia que os líderes eram como soldadinhos de chumbo. Precisamos discernir quando vem a zombaria, pois é sinal de que estamos realmente edificando e o inimigo está indignado.
Quando você começa a investir na obra de Deus, logo virão as vozes de pessoas bem próximas para dizerem: “O quê? Você está brincando! Você vai liderar uma célula? Não acredito!”. Essa é a voz do diabo. Talvez ainda digam: “Quem vai querer participar da sua célula?”. Entenda que é a voz do inimigo tentando atingir sua mente para produzir desânimo. Não dê ouvidos àqueles que dizem que você não está apto a participar dessa grande obra, desse projeto extraordinário. Querem até convencê-lo de que é muita pretensão desejar ser um líder.

Alguns enxergam o homem nessas situações. Não percebem o espírito que está por detrás. Nossa guerra não é contra carne e sangue. Nossos inimigos são espirituais. Sabemos que espíritos malignos podem influenciar pessoas para que nos falem coisas que são verdadeiras setas inflamadas. Tenha uma resposta espiritual a essas situações. O modo de enfrentar esse primeiro estágio de luta está na oração e em ter ânimo para o trabalho.

“Ouve, ó nosso Deus, pois estamos sendo desprezados; caia o seu opróbrio sobre a cabeça deles, e faze que sejam despojo numa terra de cativeiro. Não lhes encubras a iniqüidade, e não se risque de diante de ti o seu pecado, pois te provocaram à ira, na presença dos que edificavam. Assim, edificamos o muro, e todo o muro se fechou até a metade de sua altura; porque o povo tinha ânimo para trabalhar.” Ne 4:4-6

Aqueles que diminuem você estão, na verdade, diminuindo ao Senhor. Uma vez que o Senhor lhe mandou fazer algo, eles estão diminuindo e zombando aquele que o enviou. Simplesmente tape os ouvidos ao inimigo e concentre suas energias físicas, mentais e emocionais na edificação da obra. Se quisermos vencer, temos de tapar os ouvidos a todo comentário que instile desânimo, incredulidade e fracasso. Ouça apenas a voz do Espírito de Deus e permaneça com a mão na obra e ela prosperará.
Um dos grandes segredos da unção é o ânimo. A unção de Deus não vem sobre pessoas passivas. Não servimos a Deus apenas quando vem o calafrio e a empolgação. Nós somos daqueles que tiram água da pedra, que tiram ânimo do meio do cansaço, que se levantam no meio da prostração.
Alguns chegam e dizem “Não quero mais liderar, pois fulano disse que eu não tenho condições”. Mas quem é o fulano? Às vezes, fico pensando que não existe falta de fé, o que existe é fé na coisa errada. Esse irmão prefere crer no que o fulano diz em vez de crer no que o Senhor lhe diz.

O diabo disse para Moisés no deserto de Sim: É o fim! Deus disse: Moisés isso é apenas o começo, vou transforma-lo, fazer de você libertador do meu povo!O diabo disse para José do Egito no fundo daquela cisterna: É o fim! Deus disse: Creia José pois te farei a segunda maior autoridade do Egito!O diabo disse para Davi, quando estava frente ao gigante Golias: É o fim! Deus disse: Davi não temas isso é apenas o começo, farei de você o primeiro de muitos matadores de gigantes! O diabo disse Sadraque, Mesaque e Abedenego na fornalha de fogo ardente: É o fim! Deus disse: Meus servos isso é apenas o começo, farei de vocês príncipes neste lugar!O diabo disse a Daniel na cova dos leões: É o fim! Deus disse: É apenas o começo Daniel, levantarei você como uma voz profética em meu nome, para libertar meu povo de toda idolatria! O diabo disse para os discípulos em meio a tempestade: É o fim! Deus disse: Isso é apenas o começo, vou transformar vocês em embaixadores do meu evangelho! O diabo disse a Jesus na Cruz: É o fim! Deus disse: É só o começo assentar-te-ei no mais alto trono e farei de ti O Todo Poderoso!Se você ouviu do diabo que é o seu fim, eu quero dizer que o Deus da ressurreição está dizendo: É apenas o começo, pois o que para o homem é o fim, para Deus é a chance de um recomeço!
Se você ouviu do diabo que é o seu fim, eu quero dizer o Deus da ressurreição está dizendo:

Tenha bom ânimo. Tenha ânimo para o trabalho. Não se feche na melancolia e na prostração porque a luta veio. Não se lambuze na autopiedade, não espere a compaixão dos outros por causa de sua luta. Levante a cabeça, olhe para o céu e tenha ânimo.

Antes de começarmos com as nossa primeira célula em agosto de 2005, muitas vezes eu pensava: “Quem vai querer participar disso? Mas, na mesma hora, a voz suave do Espírito Santo falava ao meu coração dizendo: “eu vou participar disso, não ouça vozes estranhas, pois eu sou contigo ”.
O inimigo quer produzir desânimo, mas nós podemos escolher que voz ouviremos. Hoje, depois de ouvir a voz do Espírito, já multiplicamos dezenas de células. Quando você ouve a Deus, o Golias fica pequeno; mas, quando ouve a voz do diabo, você se vê como gafanhoto.

2º Espírito de confusão

“Mas, ouvindo Sambalate e Tobias, os arábios, os amonitas e os asdoditas que a reparação dos muros de Jerusalém ia avante e que já se começavam a fechar-lhe as brechas, ficaram sobremodo irados. Ajuntaram-se todos de comum acordo para virem atacar Jerusalém e suscitar confusão ali.” Ne 4:7-8

Quando a obra começar a tornar-se visível, Satanás envolverá seus príncipes e demônios para virem contra nós. Haverá uma grande conspiração. A sua estratégia agora será a confusão. Repentinamente, parece que você não sabe mais qual direção tomar. Pessoas começam a questionar e duvidar das motivações dos líderes. O espírito de confusão se estabelece quando a unidade é atingida. Quando a unidade se vai, a confusão reina. O inimigo levanta vozes no meio dor irmãos para que a edificação cesse. São vozes com ares de piedade, mas com veneno da serpente. São críticas aparentemente construtivas, mas que tem cheiro de enxofre.
O inimigo começa a dizer: “A igreja cresceu demais!”. Percebe a confusão aqui? Quem sabe qual é o tamanho certo da igreja? Outra hora ele diz: “A obra está destruindo os obreiros!”. Todo o povo se assusta com medo de fazer a obra de Deus. Mas quem destrói as pessoas é o diabo e não o Filho de Deus. Fazer a obra alimenta em vez de desgastar. Pensamentos assim são lançados para produzir confusão.
Outras vezes o inimigo diz: “Você está trabalhando demais na obra de Deus”. Mas quem somos nós para dizer que temos trabalhando além da conta? Paulo diz: “Meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1Co 15.58).
Para impedir que os muros sejam levantados, o inimigo convence e fala na boca de alguns: “a igreja cobra demais, pede demais”, dizem.
Todas essas são setas enviadas para produzir confusão no meio da obra. Quando a confusão se estabelece, podemos ver alguns sintomas:

· Apatia e indiferença ao Reino e ao propósito da edificação.
· Distanciamento dos discípulos, que se tornam arredios. Entregam relatórios, mas o coração não está mais com a liderança; tornam-se independentes e insubmissos.
· Os irmãos tornam-se descomprometidos com os alvos, ficam cheios de autopreservação e justificativas.
· Quebra da unidade envolvendo partidarismo dentro da igreja, influenciando outros para que pensem como eles.

Estes são dias difíceis e precisamos estar bem alertas para resistirmos contra todo espírito de confusão. Lembre-se que o alvo do inimigo é parar a obra de edificação. Observe se, do seu lado, não há ninguém sendo usado para trazer esse espírito de confusão para o nosso meio. Coisas grandes de Deus certamente estão diante de nós. O que está acontecendo é a manifestação da fúria dos demônios que tentam usar todo tipo de mentira com o propósito de nos fazer parar.
Como podemos vencer esse ataque? Faça como Neemias: levante a cabeça em oração e vigilância. Neemias colocou guardas contra o espírito de confusão. Oração e vigilância são o segredo: “Porém nós oramos ao nosso Deus e, como proteção, pusemos guarda contra eles, de dia e de noite” Ne 4:9

Esses ataques, quase sempre, vêm através das pessoas que nos cercam, mas podem vir como uma doença, um embaraço aqui, uma dificuldade ali, uma pressão de um lado ou de outro.
Deus está levantando um exército para o tempo do fim e guerreiros só são forjados no furor das batalhas. É no meio de muito fogo cruzado e confrontos violentos que os comandantes de batalhão são formados. Não tema a luta. Cada luta será usada por Deus para enrijecer o seu caráter. “Como pão devoraremos os nossos inimigos”.

A Bíblia diz que Jesus foi para a Galiléia no poder do Espírito, desbaratando as forças do inferno, sendo temido pelos demônios. Mas isso somente aconteceu depois que ele enfrentou satanás cara a cara no deserto e o venceu.

3º Espírito de intimidação e medo

Disseram, porém, os nossos inimigos: “Nada saberão disto, nem verão, até que entremos no meio deles e os matemos; assim, faremos cessar a obra.” Ne 4:11

Quando o inimigo percebe que não consegue impedir a realização da obra, ele projeta nos tirar do caminho. É preciso, porém, não esquecer que ele jamais conseguirá nos destruir. 1Jo 3:8.
Certa vez, uma irmã me disse que iria parar de liderar, pois estava grávida e ela temia a retaliação espiritual. Até parece que o diabo tem alguma ética de guerra: “Agora ela está grávida, então não vou atacá-la”.
Como já disse, estamos na guerra de qualquer forma, mas o que aquela irmã não percebeu foi o espírito de intimidação e medo vindo contra ela.
Em outra ocasião, um de nossos anfitriões de célula quis entregar a célula porque alguém havia ficado possesso em sua casa e ele agora temia retaliações do maligno. Ele queria fazer a obra, mas não queria estar na guerra. Infelizmente não temos opção, estamos na guerra de qualquer forma. Ele também não percebia o espírito de medo e intimidação atacando-o.
Alguns mais místicos chegam a atribuir a desistência à suposta direção de Deus: “Esta obra está resistida demais. Deve ser um sinal de que Deus não quer que a façamos”. Tem cabimento isso? A verdadeira obra de Deus é a mais resistida, pode ter certeza. Mas, em todas as coisas, somos mais do que vencedores (Rm 8:37).

A resposta a esse nível de ataque é um encorajamento e fortalecimento em Deus.

“Então, pus o povo, por famílias, nos lugares baixos e abertos, por detrás do muro, com as suas espadas, e as suas lanças, e os seus arcos; inspecionei, dispus-me e disse aos nobres, aos magistrados e ao resto do povo: não os temais; lembrai-vos do Senhor, grande e temível, e pelejai pelos vossos irmãos, vossos filhos, vossas filhas, vossa mulher e vossa casa.” Ne 4:13-14

Pelo discernimento de espírito, o Senhor nos revela os planos do adversário (v. 15). Somos avisados dos planos inimigos e, por essa razão, conseguimos frustrá-los. Quem é o nosso informante? O Espírito Santo de Deus. As ameaças virão por certo, mas todo o projeto satânico cairá por terra e nós sairemos vitoriosos e fortalecidos enquanto nos firmarmos na direção que o Espírito nos dará. Nós vivemos tempos de guerra e existe um modo de trabalhar em tempo de guerra:

“Daquele dia em diante, metade dos meus moços trabalhava na obra, e a outra metade empunhava lanças, escudos, arcos e couraças; e os chefes estavam por detrás de toda a casa de Judá; os carregadores, que por si mesmos tomavam as cargas, cada um com uma das mãos fazia a obra e com a outra segurava a arma.” Ne 4:16-17

Guerreamos e edificamos ao mesmo tempo. É um paradoxo, mas, na obra de Deus, apenas guerreiros edificam. Estavam prontos para o ataque e para a defesa, mas não paravam de trabalhar na edificação. Assim também não devemos parar o que estamos fazendo, mas sim vivermos em estado de alerta constante, com nossas armas afiadas e prontas para o combate. Devemos estar revestidos de toda a armadura de Deus para podermos resistir no dia da batalha e permanecer inabaláveis. A Carta aos Efésios retrata esta atitude (Ef 6:10-20).
Além disso, precisamos nos lembrar que ninguém vai à guerra sozinho. Nós lutamos juntos, em equipe, como um pelotão. Nunca esteja sozinho (Ec 4:9-12). Neemias disse ao povo: “Disse eu aos nobres, aos magistrados e ao resto do povo: Grande e extensa é a obra, e nós estamos no muro mui separados, longe uns dos outros” Ne 4:19

O povo estava disperso, cada um no seu trabalho. É preciso batalhar juntos, pois é nosso irmão quem guarda nossa retaguarda. Estamos juntos quando estamos em uma célula e quando participamos de um grupo de discipulado. Este é justamente o alvo deste jejum: fazer guerra juntos na comunhão e a na unanimidade.
Por fim, precisamos ter certeza de que o nosso Deus pelejará por nós (Ne 4:20b). A batalha é do Senhor: “Do Senhor é a guerra e Ele está conosco como um poderoso Guerreiro” (Jr 20:11). Estamos destinados à vitória, porque Ele está conosco, em nós e é por nós (Rm 8.31).

4º Espírito de engano

“Tendo ouvido Sambalate, Tobias, Gesém, o arábio, e o resto dos nossos inimigos que eu tinha edificado o muro e que nele já não havia brecha nenhuma, ainda que até este tempo não tinha posto as portas nos portais, Sambalate e Gesém mandaram dizer-me: Vem, encontremo-nos, nas aldeias, no vale de Ono. Porém intentavam fazer-me mal.” Ne 6:1-2

Esse é um plano maligno. Parece uma tentativa de aproximação, de aliança, de amizade, de dar uma trégua, mas cujo fim é parar a obra. Não existe trégua nesta guerra. Demônio sempre será demônio, não se iluda!
O espírito de engano é a atitude de levar ao extremo uma verdade com o intuito de trazer a rebeldia e paralisia à obra. Veja um exemplo de engano: “Cada crente é um ministro, somos todos iguais; logo, não temos de nos submeter a ninguém”. Isso é um engano do inferno. O fato de cada crente ser um ministro não anula a verdade de que existe uma ordenação de autoridade dentro da igreja. Fuja de quem usa a Bíblia para embasar sua rebeldia, de quem acusa a igreja de estar se tornando clerical porque está enfatizando a autoridade. Mentira maligna. Não há mover de Deus onde não há ordem e autoridade.
Outro engano comum é a idéia de que devemos primeiro ser maduros para depois evangelizarmos. Como sempre achamos que precisamos crescer mais um pouco, nunca nos dispomos a fazer a obra. O alvo do espírito de engano é nos paralisar.
Nossos pastores são acusados de colocar pressão sobre o povo, as pessoas reclamam que estão sobrecarregadas e a obra pára por causa do engano de alguns que pensam que ser cristão é ficar ouvindo música suave debaixo de uma árvore à beira de um rio tranqüilo.

Quando é necessário guerrear, os que estão debaixo da influência desse espírito se escandalizam. O espírito de engano quer nos distrair com falsos conceitos espirituais. Para alguns, a vida cristã é um eterno piquenique.
O modo de enfrentar essa nova forma de ataque é não se permitir ficar distraído da obra. Neemias respondeu dizendo: “Enviei-lhes mensageiros a dizer: Estou fazendo grande obra, de modo que não poderei descer; por que cessaria a obra, enquanto eu a deixasse e fosse ter convosco? Quatro vezes me enviaram o mesmo pedido; eu, porém, lhes dei sempre a mesma resposta”. Ne 6:3-4

Quando vierem discutir pontos de vista teológicos, para nos distrair com seus argumentos, não podemos permitir. Não paremos para discussões, para defesas e tudo o que nos afasta da obra. Temos um alvo: a edificação da igreja e a conquista da nossa geração.

5º Espírito de acusação e calúnia

“Então, Sambalate me enviou pela quinta vez o seu moço, o qual trazia na mão uma carta aberta, do teor seguinte: Entre as gentes se ouviu, e Gesém diz que tu e os judeus intentais revoltar-vos; por isso, reedificas o muro, e, segundo se diz, queres ser o rei deles, e puseste profetas para falarem a teu respeito em Jerusalém, dizendo: Este é rei em Judá. Ora, o rei ouvirá isso, segundo essas palavras. Vem, pois, agora, e consultemos juntamente.” Ne 6:5-7

Já que você não aceitou compromisso com o inimigo e ele não consegue impedir a obra de Deus, ele vai procurar caluniá-lo, ferir sua reputação, denegrir sua imagem. Todo santo do Altíssimo, que anda segundo a Palavra, será vítima dessas coisas. Paulo diz que “todos quantos quiserem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” 2Tm 3:12
Jesus disse: “Bem aventurados soi vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Regozijai-vos e alegrai-vos, porque grande é o voso galardão no céus, pois assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.” Mt 5:11-12

Portanto, não espere ser uma exceção!

Como vencer este ataque? Para o inimigo, temos apenas uma resposta seca e direta. Neemias apenas disse: “Agora, pois, ó Deus, fortalece as minhas mãos.” Ne 6:9

Não devemos dar ouvidos a pessoas que só fazem críticas e acusações. Ignore pessoas negativas e pessimistas. Não ouça quem o julga pela aparência e ainda possui ares de piedade. Tais pessoas só vêem o lado escuro das coisas e sempre o colocam para baixo. Afaste-se delas, pois não falam da parte do Espírito de Deus.

Cuidado com aqueles que sempre começam dizendo: “Estão falando...” ou “estão dizendo...”. Nunca dizem quem, mas sempre afirmam que é “todo mundo”. Quem começa com essas palavras é instrumento do diabo. Repreenda-o. Foi Sambalate quem disse: “Entre as gentes se ouve...” Ne 6:6. Observe que homens de Deus quando falam algo nunca dizem: “Estão dizendo...”. Eles antes falam o que vêm na autoridade da Palavra e assumem a responsabilidade pelo que dizem. Essa é uma boa forma de você reconhecer os que são usados pelo maligno dentro da igreja.
Quando o inimigo se levantar para denegrir sua imagem, torcer suas palavras ou lhe trazer falsas acusações, não será o fim. Deus não se afasta do trono e Seu braço está estendido a seu favor. Deus é justo e, por fim, se levantará para vindicar todo aquele que foi caluniado.
Há triunfo para você no meio de todas as lutas. Fortaleça-se nEle e na Sua Palavra. Deus conhece as intenções de seu coração e as acusações projetadas por Satanás contra você não terão poder de esmagá-lo, porque você está em Cristo.

6º Espírito de falsa Palavra de Deus

O inimigo é um demente e ele entrará no seu ambiente, no seu mundo, no meio dos seus, daqueles que parecem ser porta-vozes da Palavra de Deus, a fim de lhe trazer uma palavra aparentemente espiritual. Só que a fonte dessa profecia não é o Espírito de Deus.
Vencidas todas as táticas contra a edificação do muro, vem a tentativa de levar Neemias a pecar contra a Palavra do Senhor. O templo possuía o lugar santíssimo, onde só o Sumo Sacerdote poderia entrar e, ainda assim, uma vez por ano. Mas eis que vem a Neemias uma palavra:

“Tendo eu ido à casa de Semaías, filho de Delaías, filho de Meetabel (que estava encerrado), disse ele: Vamos juntamente à Casa de Deus, ao meio do templo, e fechemos as portas do templo; porque virão matar-te; aliás, de noite virão matar-te. Porém eu disse: homem como eu fugiria? E quem há, como eu, que entre no templo para que viva? De maneira nenhuma entrarei. Então, percebi que não era Deus quem o enviara; tal profecia falou ele contra mim, porque Tobias e Sambalate o subornaram. Lembra-te, meu Deus, de Tobias e de Sambalate, no tocante a estas suas obras, e também da profetisa Noadia e dos mais profetas que procuraram atemorizar-me.” Ne 6:10-14

Parece uma revelação divina e, portanto, uma direção de Deus para o caminho de escape. Só que essa palavra está em oposição à própria Palavra de Deus quanto ao templo. Neemias tem logo o discernimento e a rejeita.
Você pode perceber a sutileza do ataque? Foge, mas foge para o templo, onde está a presença de Deus. Se Neemias entrasse no lugar santo ele seria morto. Aquele que tem o coração cheio do temor de Deus nunca se deixará enganar.

Um tempo atrás, alguém veio a mim com uma palavra supostamente de Deus. Ele me disse:
“O Senhor diz para você deixar de ser orgulhoso e parar de ambicionar projetos grandiosos demais e mega-igrejas. Ele disse para você e a igreja se humilharem diante dEle”.

O que fazer diante de algo assim? Tudo parece espiritual e correto. Mas estava fora do coração de Deus. Eu não quero ganhar almas para mim mesmo e nem o faço para receber glória dos homens. Precisamos de discernimento para perceber o que vem de Deus e o que é uma falsa Palavra do Senhor.

Se for orgulho crer que Deus fala comigo, o que eu posso fazer? Se for orgulho crer que Deus realizar grandes coisas através de seus servos, o que eu posso fazer? Se alguns acreditam ser orgulho crer em um Deus de milagres, o que posso fazer? Se for orgulho crer e trabalhar para treinar um exército de líderes para tocar esta geração, então se prepare porque, nesse caso, não me importo de ser chamado de orgulhoso. Nossos sonhos só são grandes para as mentes pequenas e incrédulas. Nossos alvos só são grandes para quem nunca percebeu a grandeza do nosso Deus. Só nos consideram orgulhosos os tímidos, os covardes e os incrédulos. A verdade, porém, é que eles não entrarão no reino. Não participarão da congregação dos vencedores nem andarão ao lado do Senhor.

O segredo é não ouvir os homens e peneirar pela Palavra de Deus escrita tudo quanto nos vem em forma de profecia. Se nos apegarmos a Deus e à Sua Palavra, na dependência constante de Seu Espírito, receberemos em nosso homem interior todas as diretrizes para a nossa vida e saberemos qual o caminho a seguir. Em todo o livro de Neemias, a importância da oração e da Palavra de Deus é ressaltada. Se seguirmos os princípios que Neemias seguiu, teremos os resultados que ele teve.

Hoje é tempo de guerra e o Senhor nos tem incitado para a batalha. O espírito de ousadia celestial tem estado sobre nós e todos esses espíritos estão debaixo dos nossos pés. É tempo de trabalho, de frutificação e de conquista. Há em seu coração esse fogo e essa inquietação? Então você é parte desse exército. Não deixe que as mentiras malignas segurem você.

“Acabou-se, pois, o muro aos vinte e cinco dias do mês de elul, em cinqüenta e dois dias. Sucedeu que, ouvindo-o todos os nossos inimigos, temeram todos os gentios nossos circunvizinhos e decaíram muito no seu próprio conceito; porque reconheceram que por intervenção de nosso Deus é que fizemos esta obra.” Ne 6:15,16

20090109

21 Dias de Jejum para a Unidade e Multiplicação

Capítulo 6

A unidade no exército

Pois também se a trombeta der som incerto, quem se preparará para a batalha? 1Co 14:8

Ninguém considera uma batalha como algo sem importância, insignificante. Ao travar uma batalha, um exército precisa de moral, de união para a luta. A fim de manter esse moral, é preciso eliminar até mesmo a pequena dissensão sobre o menor assunto. Se aquela pequena conversa não for eliminada, o moral será anulado e conseqüentemente a unanimidade será destruída. O resultado é que, por falta do moral, o exército pode perder a batalha.
Tudo isso nos mostra a seriedade do ministério na casa de Deus. É ele quem faz soar a trombeta para o exército sair para a guerra (Nm 10:9; Jz 7:18). O trombetear para a guerra é um símbolo do liberar da Palavra hoje no meio da Igreja. Ignorar a palavra ministrada é o mesmo que ignorar a trombeta soada para a batalha. Se os soldados começassem a discutir sobre a trombeta em vez de obedecerem ao comando, o inimigo certamente os derrotaria.
Temos de perceber que a igreja do Senhor é um exército combatente. Estamos fazendo algo mais sério do que qualquer batalha na terra. Estamos lutando contra satanás, o inimigo de Deus.

A igreja é o exército de Deus e isso está muito claro no livro de Efésios, que mostra muitas ilustrações da Igreja como: o corpo de Cristo, a família de Deus, o edifício de Deus e o novo homem. Mas, ao final do livro, Paulo diz que a Igreja é também um exército para combater o inimigo. Ele nos mostra claramente como deve ser a armadura desse exército. A Igreja não é um mero grupo de pessoas reunidas para um culto, mas sim o exército de Deus posicionado em um tempo de guerra para trazer o reino de Deus à Terra.

A Igreja certamente é o exército do Senhor e a característica mais marcante de um exército é o respeito à autoridade. Sem autoridade e submissão, não há como um exército seguir para a batalha. O mesmo princípio se aplica à Igreja. Quando não há uma ordenação clara de autoridade, não podemos prevalecer contra o inimigo. Onde há rebeldia e insubmissão, na verdade, o inimigo já tem levado vantagem. Um cidadão pode dizer muitas coisas e criticar o governo ou as forças armadas, mas quando ele entra no exército e se torna um soldado, ele perde o direito de dizer qualquer coisa. É possível debater e até brigar no senado, mas até um senador, ao se tornar um soldado, precisa ficar quieto. Não há som incerto no exército. A igreja e o ministério não são como o senado, onde qualquer um chega e expressa sua opinião. No ministério, nós somos completamente preenchidos com um espírito de luta, de batalha espiritual. Isso evidentemente não significa que os pastores controlam as pessoas, mas significa que os membros entendem esse princípio e espontaneamente se submetem à liderança na Casa de Deus. Entender o espírito de guerra espiritual em que vivemos implica também em reconhecer que o ponto central do exército é a submissão. Se já temos o espírito de guerra, precisamos agora receber o espírito de submissão. Somente pela submissão podemos ser um exército unido na batalha, com um moral elevado pela unanimidade. Muitos não têm percebido como o inimigo sorrateiramente tem infectado a igreja com o espírito de rebeldia disfarçado em críticas e opiniões aparentemente inofensivas e até bem intencionadas. É tempo de nos unirmos para a peleja e eliminarmos toda dissensão entre nós.
Você se considera uma pessoa submissa? Gostaria de expor alguns pontos que mostram as características de uma pessoa realmente submissa. Lembre-se que somente irmãos submissos à autoridade podem ser úteis na obra de Deus e que a insubmissão destrói a unanimidade, impedindo-nos de avançar no mover do Espírito.

Sinais da pessoa submissa

A maioria das pessoas na igreja se considera submissa, mas qual é o nível dessa submissão? Se um pastor exorta uma irmã por causa de seu namoro com um incrédulo e ela simplesmente rejeita a exortação, ela está sendo rebelde. Se um líder recebe a orientação para ministrar em sua célula o esboço da edificação e, de forma independente, ele resolve seguir outra direção, está sendo rebelde. Mas quantos admitem serem rebeldes nessas situações? Eles imaginam que podem simplesmente ignorar a direção do pastor e agir com independência, mas o que não percebem é que aquela rebeldia está minando a unidade da igreja como exército. Ignorar orientações, não executar as direções dadas, rejeitar convocações espirituais, falar mal dos pastores ou permitir que outros o façam, essas são expressões comuns de rebeldia entre nós, mas quantos possuem sensibilidade espiritual para perceber isso? Qual soldado ignora as ordens de seu comandante? Isso não acontece porque eles entendem o que é submissão. Todavia, no exército da Igreja, às vezes temos de implorar para alguns obedecerem a uma ordem. Precisamos mostrar a eles todas as vantagens e tudo o que eles podem ter se obedecerem à direção dada.
Imagine se um capitão tivesse de parar para persuadir um soldado cada vez que tivesse de lhe dar uma ordem? Todavia, hoje, na igreja, as pessoas somente se submetem se concordarem com a direção, ou visão, da liderança. Ora, se apenas nos submetemos quando concordamos é porque não nos submetemos, apenas fazemos o que achamos melhor. Que o Senhor nos abra os olhos nestes dias para termos revelação da autoridade no Exército de Deus.

1. Ele reconhece facilmente a autoridade

Quem tem revelação da importância da autoridade não vive solto e sem restrição. Ele busca se submeter de coração e não apenas por obrigação. Há muitas autoridades na Igreja. Elas estão acima de você e você tem de aprender a submeter-se a elas. Uma pessoa submissa reconhece a autoridade quando a encontra. Ao encontrar a autoridade em outra pessoa, ela procura se submeter imediatamente; não fica analisando com cuidado, antes de se submeter a ela, para depois decidir se tal pessoa é digna de submissão. Se você pára para pensar se uma pessoa é digna de submissão, então você está lidando com pessoas e não com o princípio da autoridade espiritual que procede de Deus. Se você nunca encontrou alguém suficientemente bom e capaz para ser autoridade sobre você, essa é a prova de que você é rebelde e arrogante. Aquele que é submisso sabe que a sua submissão não depende da perfeição do líder, mas da autoridade que lhe foi delegada. Ele sabe também que aquele que se rebela contra um líder se levanta contra toda a autoridade da igreja local e, no final, se levanta contra o próprio Deus, pois as escrituras afirmam que toda autoridade procede de Deus. Paulo diz:

“Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação.” Rm 13:1,2

2. Uma pessoa submissa não é independente

Ser independente é achar que ninguém é autoridade sobre si e que se é auto-suficiente e se pode fazer qualquer coisa na igreja sem o conselho e a orientação de ninguém. Você consegue perceber a arrogância dessa atitude? Todo rebelde é também muito arrogante. Infelizmente, temos até mesmo líderes de célula independentes. Fazem o que bem entendem como se não tivessem de prestar contas a ninguém, rejeitando a instrução e a exortação. Não estou sugerindo que você seja dependente de pessoas ou de líderes. O que quero dizer é que você precisa prestar contas dentro da igreja. Não somos independentes, somos ligados uns aos outros como os membros do corpo. Aprecio o seu desejo de liderar uma célula, mas é triste quando o vemos abrir uma célula de forma independente e desconcatenada do corpo. Independência é um grande sinal de rebeldia.
Deus não aceita fogo estranho. Lembra-se de Nadabe e Abiú? (Lv 10:1,2) Eles ofereceram fogo estranho diante de Deus e foram consumidos. Fogo estranho é aquele que tem origem em nossa presunção e independência.
Com relação à submissão, o pecado pode ser de dois tipos; presunção e desobediência. Desobediência quando Deus nos manda fazer algo e não fazemos; presunção quando Deus não mandou e fazemos assim mesmo.
O trabalho deve ser uma coordenação de autoridade. Deus havia estabelecido Arão como sumo sacerdote e seus filhos sob a sua liderança. Observe que Levítico fala de Arão e seus filhos (Lv 8 e 9). Quando os filhos resolveram oferecer sacrifícios fora da coordenação de seu pai, aquilo se tornou fogo estranho e o resultado foi morte.
A conseqüência imediata da rebeldia é a morte. Qualquer pessoa que sirva a Deus sem discernir a autoridade oferece fogo estranho. Quando você age de forma independente, fora da coordenação da autoridade na igreja, você está oferecendo fogo estranho, mesmo que esteja fazendo algo como liderar uma célula.

3. Aquele que conhece autoridade não procura ser autoridade

Na igreja, sempre existem aqueles que procuram posição, mas fogem da responsabilidade. Há aqueles que procuram status e títulos e presumem que a autoridade seja algo para se desfrutar. Aquele que conhece autoridade não busca ser autoridade porque entende que, junto a ela, vem a responsabilidade diante de Deus.
Aquele que é submisso procura cuidar do seu líder porque entende o peso espiritual da função que o líder exerce. Ele procura ser alívio e não um peso a mais, procura ser parte das soluções e nunca dos problemas. Os rebeldes procuram dificultar a vida do líder porque querem que ele pague algum preço pelo status que possui. Isso mostra que a rebeldia sempre vem acompanhada da inveja. Todo rebelde inveja a posição do líder, por isso tenta minar a sua autoridade. Ele supõe que, se provar a incapacidade do líder, todos vão perceber que ele é que deveria estar em uma posição elevada. São pessoas naturais e egocêntricas, sem encargo algum pelo coração de Deus.
Tenha muito cuidado. Todo esse processo começa quando começam a perceber muitos erros cometidos pelo líder e começam a falar como as coisas estão ruins e poderiam ser melhores. No momento seguinte, começam a pensar que seriam capazes de fazer melhor do que o líder. Enchem-se de opiniões e críticas, supondo serem capazes de fazer melhor do que ele.
Depois, vem a indagação: “Se eu vejo os erros e posso fazer melhor, porque ele ainda é o líder? Se não posso tomar o lugar dele, também não preciso me submeter a ele”. Esses são os estágios normais do pensamento rebelde. Lembre-se que todo rebelde é também invejoso, como foi lúcifer, que quis subir acima das mais altas nuvens porque teve inveja do Altíssimo.

4. Aqueles que são submissos são tardios para opinar

Aqueles que rapidamente emitem a sua opinião mostram um coração independente e uma vaidade de expor constantemente suas considerações. Tal vaidade e independência mostram um coração que tem dificuldade de se submeter. Aquele que é submisso deseja ouvir a opinião da autoridade antes de expor a sua própria e só o fará se realmente for contribuir para ajudar a resolver problemas.
Pessoas cheias de opiniões na verdade querem ter autoridade, mas nem entendem como a autoridade é estabelecida. Uma pessoa torna-se autoridade na obra do Senhor por conhecer a vontade, a mente e os pensamentos de Deus. Não nos tornamos autoridade baseados em nossas próprias opiniões e idéias, mas sim compreendendo a vontade de Deus. Nunca devemos esperar que as pessoas se submetam à nossa própria opinião, elas nos seguem porque percebem que falamos aquilo que é a mente e a vontade de Deus.
A extensão de nossa autoridade é a exata medida do nosso conhecimento da vontade de Deus. Ninguém é reconhecido como autoridade na igreja porque tem muitas opiniões ou idéias inteligentes. Na verdade, o que mais tememos na igreja são aquelas pessoas que se julgam inteligentes e presumem ter idéias e opiniões superiores. Quando for dar uma opinião, fale da parte de Deus o que está na mente dEle. Ninguém quer saber a sua opinião. Na verdade, nem Deus quer saber a sua opinião, mas todos desejam saber o que vai no coração do Pai. É triste dizer, mas, no mundo todo, o único que aprecia a sua opinião é você mesmo. A Casa de Deus é edificada quando alguém fala da parte de Deus.

5. A pessoa submissa é muito sensível a rebeliões e iniqüidades

A pessoa que conhece a autoridade sabe o quanto a rebelião contamina. Na verdade, o homem submisso é aquele que foi tratado por Deus em sua rebeldia. Por isso, ele sente temor quando percebe outros agindo dessa forma, pois sabe o custo do tratamento.
Mas o que você sente quando alguém age com rebeldia? Fica do lado dela? Concorda com suas idéias? Fica calado? Infelizmente, é um fato da vida que Jacó sempre vai procurar Labão e Maria sempre vai procurar Isabel. Os semelhantes se atraem no mundo espiritual, o profundo atrai o profundo, mas o raso atrai o superficial.
Certa vez, um de nossos obreiros recebeu uma cantada maliciosa de uma mulher. Ele ficou indignado e veio me contar o ocorrido. Eu o elogiei pela sua indignação, mas lhe fiz a seguinte pergunta: “Por que a mulher se sentiu à vontade para falar com você essas coisas?”. É a mesma pergunta que faço àqueles irmãos que constantemente estão envolvidos com pessoas rebeldes. Se pessoas rebeldes sentem liberdade para falarem mal da autoridade perto de você vezes seguidas, deve ser porque você concorda com as idéias delas. Mesmo o seu silêncio é uma concordância.
Se você não é sensível para perceber quando alguém está sendo rebelde, isso significa que a rebeldia ainda não foi tratada por Deus em sua vida.

6. Aquele que é submisso consegue levar os outros à submissão

A primeira lição de um servo de Deus é submeter-se à autoridade. Precisamos ver que há autoridade em todo lugar: em casa, na escola, no trabalho, na sociedade etc. O problema é que muitos vêem a submissão como um castigo ou punição, uma vez que Deus disse à Eva, em Gênesis, que ela deveria se submeter a Adão depois da queda. Precisamos, porém, reconhecer que a autoridade já existia antes da queda e, portanto, a submissão também.
Nesse processo de crescimento, precisamos adquirir um espírito de submissão e também precisamos ser treinados na submissão. Somos treinados andando com pessoas submissas. Pessoas submissas passam o espírito de submissão, assim como pessoas rebeldes infectam a igreja com o espírito de rebeldia.
Tome hoje uma nova posição em sua vida. Rejeite todo espírito sutil de rebeldia. Além disso, posicione-se para guardar a igreja. Cabe a cada soldado zelar pela unidade do exército. Não admita que ninguém aja com rebeldia dentro de sua célula. O Espírito Santo está trabalhando para produzir em nosso meio uma santa unanimidade. Como exército, o que se espera de nós é um moral forte e elevado e que caminhemos juntos em submissão à autoridade.

“Ajunta-os um ao outro, faze deles um só pedaço, para que se tornem apenas um na tua mão.” Ez 37:10

“Correm como valentes; como homens de guerra, sobem muros; e cada um vai no seu caminho e não se desvia da sua fileira. Não empurram uns aos outros; cada um segue o seu rumo; arremetem contra lanças e não se detêm no seu caminho.” Jl 2:7-8

21 Dias de Jejum para a Unidade e Miultiplicação

Capítulo 5

O Povo é um

A palavra de Deus diz que não há limites para uma unidade consagrada e um propósito apaixonado. “E o SENHOR disse: Eis que o povo é um, e todos têm a mesma linguagem. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer” Gn 11:6

Quando temos a mesma linguagem e somos um em propósito, Deus mesmo diz que não haverá restrição para tudo que intentarmos fazer. Caminhamos em unidade de língua, propósito e obra. A unidade é um valor inegociável para nós. Sabemos que visão mais visão sempre é igual a divisão. Esta é a equação da morte. Em Gênesis, a conclusão do Senhor foi clara: “se o povo é um, e se todos têm a mesma linguagem, então não haverá restrição para tudo que intentarem fazer” Gn 11:6

É uma grande ironia que encontramos uma das maiores lições de unidade justamente no projeto da torre de Babel. Certamente a construção da torre era algo que ia contra a vontade de Deus, mas apesar dos erros, é em Babel que Deus se pronuncia revelando um dos maiores segredos do sucesso de qualquer empreendimento coletivo: “Essa gente é um povo só, e todos falam uma só língua. Isso que eles estão fazendo é só o começo. Logo serão capazes de fazer o que quiserem”. Unidade. Esse é o segredo. Unidade no entendimento, no projeto, no processo, nos esforços.

Todos nós já ouvimos algum dia numa passeata um chavão que é repetido exaustivamente pelos militantes: “o povo unido jamais será vencido”. Semelhante ao que disse Jesus: “uma casa dividida contra si mesma não prospera”.
A fragilidade de qualquer igreja local está justamente nesse ponto. Igrejas fortes são igrejas completamente unidas. Mas o que vemos muitas vezes é dispersão no lugar de unidade; competição em vez de cooperação, subtração e divisão no lugar de soma e multiplicação, difamação em vez de sujeição e submissão. No lugar de uma só língua ouvimos muito barulho; e em vez de termos um só coração e mente, vemos muitas caras amarradas cheias de opiniões e reclamações. Evidentemente estamos construindo uma igreja e não uma torre. Não queremos erguer algo para chegar ao céu, mas queremos chegar até os confins da terra para declarar ali que “o reino de Deus chegou”. Queremos ser um povo só, falando uma só língua. E até agora tudo o que temos feito é apenas o começo, mas aguardamos o veredicto de Deus de que agora não haverá limites para aquilo que intentarmos fazer.
Neste trecho, podemos ver os três níveis de unidade: a unidade de linguagem, a unidade de propósito, pois o povo era um e, por fim, a unidade de obra, pois não haveria limites para o que intentassem fazer. Essa é a unidade que abalará os fundamentos do inferno.

Os três níveis de unidade

1. O povo é um

Ser um povo unido num só propósito não é algo simples de ser alcançado. Paulo mostra que tal unidade é fruto de um processo: “Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias, completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento” Fp 2:1,2

Há uma diferença entre união e unidade. União é ter muitas batatas no mesmo saco, enquanto unidade é ter as batatas cozidas e amassadas na forma de um purê dentro do prato. A união não é difícil, basta colocar as batatas juntas, mas, para termos unidade, as batatas precisam passar pelo fogo, ser descascadas e, por fim, amassadas juntas. O fogo aponta para o Espírito, o descascar é abrir mão do orgulho e o amassar é o quebrantamento. A unidade, portanto, tem um preço de fogo e quebrantamento. Só assim podemos falar a mesma coisa e termos a mesma disposição mental. O próprio Senhor Jesus disse que um reino dividido não pode subsistir. “Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá” Mt 12:25

Nós somos uma igreja e participamos de um único objetivo. Nenhum de nós pode estar aqui para servir os seus próprios interesses. Nosso propósito é sermos uma expressão do Senhor em nossa cidade tocarmos a nossa geração através de células que se multiplicam. Precisamos ser profundamente marcados por isso. Embora tenhamos um único Deus podemos ter objetivos diferentes. Se tivermos objetivos diferentes seremos divididos. Qual é o seu objetivo? É fazer um nome para si mesmo? É ser famoso? É edificar alguma outra coisa entre nós? Estamos nessa cidade para representar o Senhor em autoridade espiritual e expressá-lo como uma igreja de vencedores. Se houver entre nós unidade teremos uma forte base para declarar diante do mundo espiritual, de satanás e seus demônios, que permanecemos unidos num propósito prevalecente e que não haverá restrição para nós.

Depois da confusão de Babel lemos que a humanidade se dividiu. Gênesis 10:31 que diz que os homens se dividiram “segundo as suas famílias, segundo as suas línguas, em suas terras, em suas nações.” Observe os quatro estágios de uma divisão. Isso é muito ilustrativo pois essa mesma forma de divisão procura nos atacar como igreja. Primeiro vem a divisão por família, depois por causa de línguas, o resultado é a formação de territórios e nações.
O que são famílias? Literalmente significa um relacionamento na carne. Muitas pessoas não se importam com Deus e com o seu propósito. Eles se importam unicamente com sua família. Porque eles são um com sua família? Porque a sua família são os seus parentes, são aqueles que lhe são mais próximos. A mesma coisa pode acontecer na igreja. Muitas divisões são causadas por relacionamentos carnais. Todo relacionamento carnal é o germe de uma divisão. Mesmo não fazendo parte de uma mesma família podemos ter um relacionamento carnal com alguns. Quando você diz que ama certo irmão porque ele é o tipo de pessoa que você gosta, você está criando um relacionamento de acordo com o seu gosto carnal.

Outra causa de divisão são as línguas. Língua não é somente idioma, é também expressão de conceitos. Línguas surgem dentro da igreja por causa de conceitos e opiniões. Isso nos leva a falar línguas diferentes. Precisamos atentar para que ninguém comece a falar diferentemente entre nós. A exortação de Paulo é para que falemos todos a mesma coisa, ou seja , tenhamos uma só linguagem. 1Co 1:10
E as terras, o que simbolizam? Terras são territórios. É terrível quando certos irmãos presumem que certos espaços dentro da igreja são exclusivamente deles. Eles julgam ter um território. Não há espaços cativos entre nós, pois sempre que alguém se levanta para defender uma posição ou território ali nos dividimos. Lembro-me no passado de ver um departamento brigando com outros porque estavam pegando os seus membros. Não éramos uma igreja, mas um território loteado. Até mesmo uma divisão de departamentos pode resultar em divisão, por isso todos nós fazemos a mesma coisa na igreja: cuidamos dos irmãos nas células.
As nações são a consumação de uma divisão. Uma nação é o lugar onde havia um rei. Depois que territórios são separados e já possuem sua própria linguagem então surgirá alguém para reinvindicar autoridade. Veja que tudo isso é um processo: primeiro nos separamos por preferências entre irmãos, depois começamos a falar de forma diferente. Se isso não for corrigido começamos a nos dividir em territórios e no final alguém irá se levantar postulando uma posição de liderança e vai arrebanhar a muitos criando uma divisão. Não permitimos que esse processo maligno se desenvolva entre nós. Somos determinados em manter a unidade a qualquer preço. A unidade é o segredo do poder da igreja. Somente quando há completa unidade é que as portas do inferno não podem nos resistir.
Não há limites ou restrições para um grupo que tem unanimidade de propósito. Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio. Os porcos-espinho perceberam a situação e resolveram juntar-se em grupo. Assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente.
Mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que forneciam mais calor. Por isso, tornaram a se afastar um dos outros. O resultado foi que voltaram a morrer congelados. Eles precisaram fazer uma escolha: ou desapareciam da Terra ou aceitavam os espinhos dos semelhantes. Sabiamente, decidiram voltar a ficar juntos. Aprenderam a conviver com as pequenas feridas que uma relação muito próxima podia causar, já que o importante era o calor um do outro. E, dessa forma, puderam sobreviver.
A frieza e a friagem nos assolam, precisamos nos manter aquecidos e até incendiados, mas isso só será possível se nos mantivermos juntos. É como uma brasa: se ela fica sozinha, se apaga. A proximidade e a comunhão, porém, têm um preço: pequenas feridas sempre surgem quando nos aproximamos e nos relacionamos.

2. Todos têm a mesma linguagem

Você sabe por que as aves voam em bandos? Porque, à medida que cada ave bate suas asas, ela cria uma sustentação para a ave seguinte. Voando em grupo elas conseguem voar uma distância pelo menos 70% maior do que se cada ave voasse isoladamente.
Da mesma forma, quando pessoas que compartilham de um mesmo sonho e uma mesma direção andam juntas, elas chegam mais rápido porque juntas elas produzem um ambiente positivo de fé. Sabemos que há segurança no grupo, na comunhão, e poderemos viver a vida cristã mais facilmente se o fizermos na formação do grupo.
O Livro de Gênesis nos diz que o povo que construía a torre era um e tinha o mesmo falar, por isso não haveria restrição para tudo o que intentassem fazer (Gn 11:6). Paulo orienta os coríntios dentro do mesmo princípio: que falassem a mesma coisa; que tivessem uma mesma disposição mental e um mesmo parecer. “Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer” (1Co 1.10).

Não basta termos unidade de propósito, precisamos também ter unidade de linguagem. É preciso falar a mesma coisa. Falar a mesma coisa significa ter o mesmo coração.
É uma maldição ser faccioso e falar diferentemente. Se você for faccioso será o primeiro a sofrer a maldição. Se você falar diferentemente primeiramente sentirá seu espírito embotado por causa da morte e depois sentirá o peso da maldição de tocar no corpo de Cristo. Ninguém pode tocar no corpo de Cristo impunemente. Paulo diz que aquele que destrói o corpo também será destruido. “Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado” 1 Co 3:1

Jamais vi um só faccioso que não tivesse sofrido perdas. Tenha cuidado com o pensamento faccioso. Na igreja devemos ter uma única maneira de falar porque temos uma única mente. Os homens de mente facciosa e mundana nos criticam porque falamos a mesma coisa e temos os mesmos conceitos. Embora digam que isso é terrível, nós sabemos que isso é maravilhoso, pois é o sinal da unanimidade no espírito entre nós.

A maldição sempre resulta em confusão. Se em nossa igreja há diferentes idéias e opiniões sobre a obra de Deus isso é um sinal de que a maldição está vindo sobre nós. A bênção de vida ordenada por Deus para sempre está sobre a unidade. “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!(...) Ali, ordena o SENHOR a sua bênção e a vida para sempre” (Sl 133:1 e 3b). Eu ouço o barulho do chocalho da calda da serpente quando ouço: “não concordo com isso”, ou “não penso assim”, ou “não gosto daquilo”. Essa é a lamentável condição da maioria das igrejas, mas se queremos ser uma expressão do reino devemos caminhar num único pensar. Ninguém deseja saber a sua opinião. Nem mesmo Deus deseja saber a sua opinião. A única pessoa no universo inteiro que se importa com a sua opinião é você mesmo. Se você soubesse como ser opinativo destrói a unidade do corpo você certamente seria mudado. Mas alguém pode se levantar e dizer: “mas, isso é um absurdo! Vou ter de concordar com tudo calado? Isso já é manipulação!”
Mas não é nada disso. Também não quero que a minha opinião prevaleça, pois ela também não interessa a ninguém e não serve para nada na edificação da Igreja. A Igreja não é edificada com a minha opinião ou com a sua, mas a igreja é edificada quando sabemos a vontade de Deus. Não emita opinião, fale qual é a vontade de Deus. Se você desconhece a vontade de Deus numa dada questão, então cale-se.

Certa vez um casal chegou a mim para aconselhamento. Eles estavam num grande conflito. O marido havia recebido uma proposta para trabalhar no norte do país para ganhar bem mais e ainda ter casa e carro. Ele via aquilo como uma grande oportunidade para dar uma vida melhor para sua família. Ao ouvi-lo achei que ele tinha razão. Depois, sua esposa se levantou e mostrou que eram novos na fé, iriam ficar longe da igreja e da família e que ela estava para dar a luz e ainda ficaria sozinha para cuidar do filho recém nascido. Ela disse que preferia ganhar menos, mas ficar na cidade. Ela também me pareceu certa. Como decidir? Casais carnais sempre se posicionam para descobrir quem tem razão, a quem pertence a melhor opinião e eles ainda queriam me colocar nessa sinuca. Mas então eu lhes disse: “que importa a opinião de cada um? Mesmo que a opinião de ambos pareça boa a nós deve interessar somente a vontade de Deus e, pode ser que a vontade de Deus não seja nem aqui e nem lá. Eu disse a eles: “se vocês se ajoelharem e orarem se submetendo à vontade de Deus ele certamente vai revelá-la a vocês. Depois disso a divisão entre eles acabou, pois ambos tinham um coração para buscar a vontade de Deus.

Você percebe que essa mesma situação acontece na igreja? A maneira como lidamos com as centenas de opiniões, todas aparentemente corretas, é rejeitando-as e nos curvando diante de Deus em unidade para saber a sua vontade. Quando alguém falar da parte de Deus os demais certamente sentirão no espírito o testificar de que aquela é a palavra de Deus. Opiniões produzem morte e divisão, mas a busca humilde da vontade de Deus traz vida e unidade. Seja pela vida.

3. Não haverá restrição para tudo que intentam fazer

O inimigo não pode resistir à unidade consagrada. As portas do inferno não nos resistirão se formos um purê de batatas e não um monte de batatas reunidas aos domingos num mesmo saco.
Conta-se que em uma marcenaria houve uma estranha assembléia. Foi uma reunião de ferramentas para acertarem suas diferenças. O martelo exerceu a presidência, mas os participantes o notificaram que teria de renunciar. A causa? Fazia demasiado barulho, além do mais, passava o tempo todo golpeando. O martelo reconheceu sua culpa, mas pediu que também fosse expulso o parafuso, dizendo que este dava muitas voltas para conseguir falar algo.
Diante do ataque, o parafuso concordou, mas, por sua vez, pediu a expulsão da lixa. Dizia que ela era muito áspera no tratamento com os demais, entrando sempre em atrito. A lixa acatou, com a condição de que expulsassem o metro, que sempre media os outros segundo a sua medida, como se fosse o único perfeito.
Nesse momento entrou o marceneiro, juntou o material e iniciou o seu trabalho. Utilizou o martelo, a lixa, o metro e o parafuso. Finalmente a rústica madeira se converteu num fino móvel. Quando ele terminou e a marcenaria ficou só novamente, a assembléia reativou a discussão. Foi então que o serrote tomou a palavra e disse: “Senhores, ficou demonstrado que todos temos defeitos, mas o marceneiro trabalha com nossas dificuldades e com os nossos pontos valiosos. Assim, não pensemos nos nossos pontos fracos, mas concentremo-nos em nossos pontos fortes”.
A assembléia entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia e dava força, a lixa era especial para limar e afinar as asperezas, o metro era preciso e exato e cada ferramenta tinha sua utilidade. Sentiram-se então como uma equipe capaz de produzir móveis de qualidade. Agora não haveria restrição para tudo o que intentassem fazer. Gn 11:6

20090107

21 Dias de Jejum pela Unidade e Multiplicação

capítulo 4

Unidade e unanimidade

Algum tempo atrás foi veiculada uma propaganda muito interessante. Ela dizia: “Sonho que se sonha só é só um sonho; mas sonho que se sonha junto já começou a se tornar realidade”. Isso é verdade porque, ao compartilhar com você o meu sonho e começarmos a sonhar juntos, ele vira um projeto, um empreendimento, uma realidade.
Eu sonho com a Igreja, com um empreendimento celestial, no qual o próprio Deus se une a gente como nós para sermos um testemunho de graça na terra. Se muitos sonharmos juntos, a realidade vem. Na verdade, é por isso que nossas células estão se multiplicando a cada dia, pois é um sonho sonhado com muitos irmãos.
Quando sonhamos com uma igreja em células, nós não sonhamos apenas com cultos nas casas. Os cultos são importantes, mas as células são um projeto para ser vivido em comunidade no dia-a-dia. A igreja acontece onde nós estivermos. A igreja acontece na caminhada ao final da tarde, no trabalho árduo, no passeio no shopping ou comprando no supermercado. Estar em uma célula é participar de uma família, é se reunir com aqueles que possuem uma mesma natureza de vida, que compartilham e ministram uma vida em comum.

É cortante a dor solitária, mas a lágrima solidária já é um anestésico. Nada é mais triste que chorar sozinho; mas, se alguém chora conosco, já nos sentimos confortados. Nada pior que uma vitória sem companheiros para celebrá-la. Quero desafiá-lo a experimentar a glória de viver a vida da igreja cheia da comunhão e da unidade divina. Todos sabem que desejamos nos multiplicar. Mas que adianta simplesmente multiplicarmos cultos nas casas? Queremos multiplicar células. Sonhamos com uma igreja forte e a força da igreja está nas juntas, nos vínculos. Quando essas juntas operam em harmonia, entendemos o poder que há na unidade. Podemos ser muitos, mas, quando somos um, é que verdadeiramente o Céu desce à Terra.

Queremos ser uma igreja que expresse amor e ande no caminho da paciência e da tolerância mútua. Um povo alegre que seja festeiro e festeje a vida abundante que tem recebido. Um povo livre que ande na serenidade dos desafios de Deus. Um povo abençoador que tem sido muito abençoado. Sonhamos com um lugar onde seja gostoso estar por haver ali um ambiente de amor e aceitação, porque todos entenderam a graça e, por isso, graciosamente se aceitam. Mas ansiamos também por um lugar cheio de unção e poder Deus para que os milagres pipoquem entre nós, assim como o milho explode na panela quente. Afinal sonhamos com uma comunidade onde flua o sobrenatural. Mas, para que tudo isso se torne realidade, precisamos estar juntos em um mesmo propósito. Sem unidade, nada disso pode acontecer. É por isso que estou desafiando você a sonharmos juntos. Cada um pode ter seu próprio sonho. Mas, se deseja edificar conosco, você precisa ter o mesmo coração e o mesmo sonho que temos. Nossa unidade se expressa na unanimidade. Nelson Rodrigues disse uma das frases mais conhecidas em nosso país: “Toda unanimidade é burra”. A frase nega a si mesma, uma vez que, se concordarem com ela, todos serão burros, ou seja, se a frase se tornar uma unanimidade ela será burra. Nem preciso dizer que é uma tolice.
Hoje em dia as pessoas pensam que, para serem inteligentes, precisam ser “do contra”. Imaginam que, se forem discordantes, serão pensadores livres e originais. O problema é que essa atitude destrói a unidade. Não existe unidade sem unanimidade. A Palavra de Deus ensina que as coisas de Deus são alcançadas na unidade de propósito, ou seja, na unanimidade:

“Todos estes perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele.” At 1:14
“Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração.” At 2:46
“Ouvindo isto, unânimes, levantaram a voz a Deus e disseram: Tu, Soberano Senhor, que fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há.” At 4:24
“Para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.” Rm 15:6

Todo o mover de Deus no livro de Atos foi resultado de uma única atitude: unanimidade. Por que todos eram unânimes num só propósito, Deus pôde agir no meio deles. O mesmo princípio se aplica hoje. Só haverá mover entre nós se formos unânimes como igreja local. Não pode haver voz discordante entre nós. Não pode haver outros sonhos estranhos que transformem nossa obra num pesadelo. Você precisa zelar pela unidade entre nós. Não permita que pessoas se levantem em sua célula para questionar a visão ou a liderança. Precisamos todos tocar a mesma canção em um mesmo tom. A palavra “unânime” vem do latim e significa uma mesma alma. A palavra usada em Atos é homothymadón, no grego, que literalmente significa “uma só mente, propósito e vontade”.
No exército você já deve ter ouvido a respeito do moral da tropa. O moral é a unanimidade. Um comandante jamais permitirá que um soldado introduza alguma maneira diferente de pensar no pelotão. Os soldados todos pensam a mesma coisa, falam a mesma coisa e vivem pela mesma causa. Se alguém pensar algo diferente ou for discordante, será cortado para o bem do moral da tropa. Esse moral não pode ser visto na maioria das igrejas hoje, mas precisa ser visto entre nós. Existem quatro áreas nas quais precisamos ter uma unidade prática. Essas áreas são também níveis que avançamos na unidade.

Ensino

O que podemos ver no livro de Atos é que a obra prevaleceu por causa da unanimidade em três áreas: a oração, a Palavra e o Espírito. Tudo o que precisamos é oração, Palavra e Espírito para conquistarmos a nossa geração, mas isso deve acontecer com unanimidade.
Atos diz que a igreja perseverava unânime na doutrina e na comunhão (At 2:42). É preciso que haja uma única doutrina em nosso meio. O que é ensinado entre nós precisa ter o amém de cada um. Se não houver essa unanimidade, a palavra não prevalecerá. Sei que muitos vieram de outros grupos com diferentes ensinos, mas, se crê que foi Deus quem o trouxe para cá, você precisa ser um conosco em tudo o que for ensinado aqui. Se há algo que você discorda, mas ainda assim deseja estar conosco, então você precisa guardar essa discordância só para você. Se você ensinar algo diferente, estará quebrando a unidade da igreja e bloqueando o mover de Deus entre nós. Podemos ter diferentes opiniões e pareceres a respeito das coisas naturais dessa vida, mas quando se trata das coisas da igreja precisamos ter um único parecer.

“Quanto ao mais, irmãos, adeus! Aperfeiçoai-vos, consolai-vos, sede do mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz estará convosco.” 2Co 13:11

Precisamos ter o mesmo ensino, no mesmo espírito e tudo isso regado com oração. Mas, se não houver a chave da unanimidade, nada acontecerá. Alguns anos atrás, batizamos mais de mil e cem pessoas em um único dia. Dois anos depois batizamos quase três mil depois de quarenta dias de jejum e quarenta dias de evangelismo. Tudo foi feito sem nenhum artifício, somente com Palavra, Espírito e oração. O segredo é que naqueles dias havia uma tremenda unidade entre nós. Nós éramos uma única voz, por isso alcançamos tudo isso. O milagre está na unanimidade.

Prática

“Contudo, se alguém quer ser contencioso, saiba que nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus.” 1Co 11:16
“Porque Deus não é de confusão, e sim de paz. Como em todas as igrejas dos santos.” 1Co 14:33

Todos nós sabemos que o ensino produz uma prática. A nossa pratica na igreja é resultado da revelação que temos tido do Senhor no decorrer dos anos. Nossa prática deriva do ensino. Não somos uma igreja em célula por mero modismo, mas por uma profunda convicção espiritual.
Mas até mesmo nessa questão prática é preciso haver unanimidade. Muitos pensam que podem praticar as células da maneira como bem entendem. Isso traz confusão e nos impede de atingir o propósito. Se, em um carro com cinco ocupantes, todos fossem motoristas, como o carro poderia andar? Muitas vezes os que não estão no volante são cheios de opiniões, são os motoristas do banco de trás. Quando você está em um carro e não é o motorista, é melhor não emitir opinião. Deixe o motorista livre para dirigir. Se há algo que precisamos restaurar urgentemente é a unanimidade. Na verdade, o objetivo deste jejum é restaurar a unanimidade para avançarmos no atual mover de Deus. Sem unanimidade, nós absolutamente não estaremos qualificados para fazer coisa alguma para o Senhor. Sem unanimidade, estamos acabados e definharemos. Precisamos avançar na prática da visão de células. Todas as nossas células precisam ter a mesma prática, de acordo com o ensino bíblico e com a cobertura pastoral.
Precisamos ter a mesma mente e a mesma vontade para o mesmo objetivo, com a mesma alma e o mesmo coração. Mas quantos motoristas do banco de trás têm se levantado para dizer que não devemos buscar tanto assim a multiplicação das células. Não têm o mesmo coração, por isso desprezam nosso encargo. Quantos têm acintosamente desrespeitado autoridades e outros que nada dizem e toleram deslealdades contra a igreja.

Sem unanimidade, que diferença fará possuirmos células? Se não vão todas numa mesma direção, o que sobra é só uma estrutura natural. O que traz o impacto é todas as células caminharem em uma mesma visão, como um feixe de luz que se concentra e se torna um laser. São os raios de sol que, direcionados pela lente a um só ponto, produzem fogo. A força concentrada em uma mesma direção é poder.

Pensamento e Palavras
Se tivermos diferentes maneiras de fazer as coisas, será difícil preservar a unanimidade. Para manter a unanimidade, todos temos de aprender a fazer a mesma coisa da mesma maneira. Os ingredientes que constituem a única maneira do mover do Senhor são oração e o Espírito que resultam na Palavra. Todavia a prática está associada ao nosso falar e pensar. Em sua Primeira Carta aos Coríntios, Paulo exorta os irmãos para que falem a mesma coisa: “Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer” 1Co 1:10

Somos claramente exortados a falar a mesma coisa. Dentro da igreja local não pode haver mais de um falar. Não estou dizendo que devemos ter o mesmo gosto e opinião sobre as coisas naturais, de fora da igreja, mas sim que, quando se trata das coisas da igreja, o nosso falar deve ser o mesmo. Quando um irmão resolve falar algo diferente, a unanimidade é quebrada e já não conseguimos seguir o mover.
Para que possamos ter uma mesma palavra, precisamos antes ter um mesmo pensar. É o que Paulo exorta aos filipenses: “Completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento” Fp 2:2

Não podemos e nem queremos pensar a mesma coisa com respeito a uma infinidade de coisas naturais, mas, quando se trata das coisas do Espírito, precisamos todos pensar a mesma coisa a ponto de sermos unidos de alma.

Que significa dizer que temos todos uma só mente? Isso quer dizer que “logo já não sou eu (...) mas Cristo [que] vive em mim Gl 2:20.

É Cristo, o Cabeça, vivendo em mim. É interessante observar que tanto o falar quanto o pensar são funções da cabeça e não do corpo. Como corpo, temos de seguir um único pensar e um único falar da cabeça que é Cristo.

Essência e Expressão

“Dizendo: O que vês escreve em livro e manda às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro.” Ap 1:11-12

“Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas.” Ap 1:20

Apocalipse diz que Deus é a luz e o Cordeiro é a lâmpada (Ap 21:23), mas agora sabemos que a igreja é o candelabro que sustenta esta lâmpada. A função da igreja é sustentar o testemunho. Esse é o propósito. Aqui vemos Cristo andando no meio dos candelabros de ouro. Esses candelabros possuíam algumas características. Em primeiro lugar, os candelabros eram de ouro. Em tipologia, o ouro simboliza a natureza divina, a unção e a glória de Deus. Isso significa que eles tinham a mesma essência. A essência de tudo o que fazemos em nossa igreja é ouro. Para nós, a presença e a unção do Espírito são vitais em nossas reuniões, aulas, aconselhamentos e tudo o mais. Qualquer líder ou irmão que não valorize essa essência não entendeu que ela é fundamental para sermos um único candelabro. A unanimidade depende de todos fluírem na mesma unção.
Em segundo lugar vemos que estes candelabros estão resplandecendo no meio das trevas desse mundo. Há uma expressão de glória visível a todos. A expressão deles é a mesma. Isso significa que, apesar de sermos milhares de células na cidade, ainda assim precisamos ser uma única expressão. Muitos líderes ainda são independentes e vaidosos e procuram fazer com que a sua célula seja diferente. Às vezes, não seguem o ensino proposto, outras vezes se abrem para práticas estranhas a nós, o que produz mais uma vez a quebra da unanimidade. Poucas pessoas têm o discernimento da importância de termos uma voz unânime para seguirmos o mover de Deus, mas isso é absolutamente fundamental. Se quisermos colher frutos em uma medida como ainda não vimos, precisamos trabalhar em todos esses pontos: um só ensino, uma só prática, um só pensar e falar, bem como uma só essência e expressão.

“Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias, completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento.” Fp 2:1-2

“Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum.” At 4:32

21 Dias de Jejum pela Unidade e Multiplicação

Capítulo 3

A unidade no corpo

“Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer. Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloe, de que há contendas entre vós. Refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo. Acaso, Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em favor de vós ou fostes, porventura, batizados em nome de Paulo?” 1Co 1.10-13

De tudo o que devemos guardar na vida da Igreja, certamente o mais importante é a unidade na comunhão no corpo. Tudo o que o diabo faz visa destruir a unidade entre nós. Se perdermos a unidade, a expressão da igreja estará arruinada e não teremos impacto algum no mundo espiritual.

Na igreja de Corinto havia muitos tipos de problemas: havia problema de carnalidade, problemas de entendimento doutrinário, questões sobre casamento, questões sobre os dons, comida consagrada a ídolos e muito mais. Mas, de todos, o que Paulo tratou em primeiro lugar foi o problema da divisão.

Ao tratar dessa questão, ele coloca três princípios que precisamos guardar na vida de nossa igreja.

 Devemos falar a mesma coisa (v. 10)
 Devemos ter uma mesma disposição mental (v. 10)
 Devemos ter um mesmo parecer (v. 10)

Devemos falar a mesma coisa

Muitas igrejas estão definhando simplesmente porque estão divididas. Algumas pessoas pensam que divisão é somente quando um grupo resolve sair e passa a se reunir num outro lugar. Mas divisão vai além disso e pode ser algo muito sutil. Algumas vezes é melhor haver separação para não haver divisão. Paulo e Barnabé resolveram se separar em certo momento do ministério deles. Aquela separação não foi uma divisão, eles simplesmente não poderiam caminhar juntos se não concordassem a respeito de como a obra deveria ser feita. Eles se separaram para não se dividirem.
Algumas vezes é melhor a honestidade de sair e procurar outro lugar do que o espírito errado de ficar e alimentar uma divisão naquela igreja local. Apenas reunir juntos não é suficiente, é preciso haver unidade de coração. Amós 3.3 diz: “Andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo?”. Para caminharmos juntos, precisamos ter concordância. Sem concordância, não há unidade e, se não concordarmos uns com os outros, não caminharemos, não avançaremos.
Nenhum de nós aprecia o fato de haver tantas igrejas e denominações. Eu gostaria que estivéssemos todos juntos, que tivéssemos um mesmo tipo de culto, mas isso não é prático. Sei que parece estranho o que vou dizer, mas é até bom que haja essas separações. Se no coração não há divisão, então a separação torna-se até positiva. Uma igreja sozinha não alcança todo tipo de gente. É importante que haja uma igreja que tenha um culto de determinada maneira porque ela atrairá pessoas que se sentem mais confortáveis cultuando daquela forma. Não é ruim que Pedro alcance os judeus e Paulo vá para os gentios. Não é errado que algumas igrejas alcancem as classes baixas e outras as classes mais abastadas. Não conseguimos falar a linguagem de todos, por isso uma igreja local não atinge a todos. É nessa diversidade que o reino vai prevalecendo.Por isso, não pense que diferenças e divergências sejam negativas. Diferenças e divergências são coisas normais. O problema ocorre quando, em um mesmo grupo, as diferenças se tornam divisões. O problema é quando caminhamos juntos, mas não pensamos a mesma coisa.

Existem muitas coisas que explicam o sucesso e o crescimento de uma igreja, mas certamente o fator principal é a unidade. Nós temos crescido porque resolvemos, de comum acordo e em um só propósito, que iremos crescer. Quando um grupo realmente concorda a respeito de algo e não há voz discordante entre eles, então não haverá restrição para tudo aquilo que intentam fazer.

No livro de Gênesis, vemos um exemplo disso. O povo, ímpio e rebelde a Deus, resolveu construir a torre de Babel. Eles eram malignos e estavam construindo algo para afrontar a Deus, mas ainda assim o Senhor disse que havia algo poderoso entre eles: “... e o SENHOR disse: Eis que o povo é um, e todos têm a mesma linguagem. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer” Gn 11:6.
A unidade funcionou mesmo para aqueles que queriam fazer algo contra Deus, imagine o que a unidade não fará quando fizermos algo em concordância com a vontade de Deus. É por isso que podemos dizer que não haverá restrição para aquilo que queremos fazer aqui.
É por tudo isso que Paulo diz aos coríntios: “Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa” 1Co 1:10. É como aconteceu lá em Gênesis, o povo era um e tinha a mesma linguagem.
Se quisermos avançar, precisamos falar a mesma coisa. Não pode haver entre nós irmãos que se levantem para falar algo diferente. Desejar ser diferente é do ego e procede do desejo de aparecer e se destacar entre os demais. Há pessoas cheias de vaidade intelectual. Elas discordam simplesmente para mostrar que não seguem a ninguém e são originais. Esse espírito tem destruído muitas igrejas. Se você deseja ver o mover de Deus entre nós, precisa rejeitar esse espírito.

Todos já vimos pastores que falam na televisão e que parecem ter decorado a mesma fala e usam até o mesmo tom de voz. Certa vez, perguntaram a um desses pastores porque eles falavam todos do mesmo jeito. A resposta dele foi emblemática: “Nós falamos do mesmo jeito porque temos o mesmo coração”. Esse é o segredo da unidade: ter o mesmo coração.
Nós mesmos não percebemos, mas certamente existe um jeito de falar peculiar em nossa igreja. As pessoas de fora percebem isso em você? Se você ainda não fala como nós é porque ainda não tem o nosso coração.
Já observou que marido e mulher acabam ficando parecidos até fisicamente no decorrer dos anos? Isso não é resultado simplesmente da convivência, é resultado de uma unidade tal que os corações se tornaram unidos.

Devemos ter uma mesma disposição mental

Além de falar a mesma coisa, Paulo diz que devemos ter a mesma disposição mental. Isso significa que todos devemos possuir uma mesma forma de ver as coisas. O ângulo pelo qual olhamos deve ser o mesmo. Nesse ponto, precisamos perceber a diferença entre duas palavras: união e unidade. Paulo exorta para que haja unidade e não simplesmente união.
Uma coisa é termos unidade, outra coisa é uma mera união de crentes. União é ter muitas batatas no mesmo saco. Muitas igrejas são apenas sacos de batatas, os membros estão todos juntos, mas não são unidos. A união das batatas se transforma em unidade quando elas são cozidas e amassadas tornando-se um purê dentro do prato. Batatas cruas não podem ser unidas. É necessário que elas tenham sido amaciadas pelo fogo do Espírito. A unidade tem um preço de fogo e quebrantamento, ou seja, não há unidade sem o fogo do Espírito.
Além disso, é preciso tirar a casca das batatas. Na Palavra de Deus, a casca simboliza a aparência e o orgulho. Tirar a casca nos fala da renúncia do ego. Aqueles que desejam manter a sua diferença estão lutando contra a unidade. O individualismo tem sido um grande impedimento ao avanço da obra de Deus justamente porque quebra a unidade e impede que o purê seja feito. Só assim podemos falar a mesma coisa e termos a mesma disposição mental.
Por que alguns desejam ser batatas sozinhas? Porque são orgulhosos. Eles dizem: “Eu tenho minha opinião própria!”. Mas isso é orgulho. Quando nosso ego é crucificado, não temos opiniões próprias, temos apenas a vontade de Deus. O Senhor não quer um monte de batatas, ele deseja um purê.
Mas não basta o fogo e o retirar a casca. Para termos o purê, as batatas precisam ser amassadas. Isso aponta para o quebrantamento. Corações contritos podem ser unidos. Só há unidade no meio de gente quebrantada, mas como ter unidade se as pessoas são intratáveis? Alguém pode tentar moer as batatas cruas tentando produzir purê, mas isso é tolice. Somente pela ação do Espírito Santo a unidade pode ser produzida.
A união somente não nos leva a realizar coisas grandes para o reino de Deus. Apenas a unidade move o braço de Deus. Apenas a unidade produz edificação.

É a mesma diferença que há entre um depósito de materiais de construção e um edifício. No depósito, os materiais estão em união. Os tijolos estão juntos com outros tijolos, a areia no monte de areia e as ferragens estão colocadas juntas. Isso é união. Unidade só acontece quando todos esses materiais são unidos num projeto de edificação. Somente quando eles são unidos pela argamassa do Espírito é que temos edificação no reino de Deus.
Todas as igrejas possuem crentes reunidos, mas nem todas possuem unidade, por isso não realizam muita coisa. Os crentes estão reunidos, mas são como fermento levedando tudo. Estão ali sentados não para receber a Palavra, mas para criticar o pregador. Em vez de servirem, estão puxando o tapete dos líderes que não agem como eles gostariam. Igrejas cheias de pessoas polidas e políticas que se tratam educadamente por diplomacia, mas que desejam a queda um do outro. Tais igrejas não participam do mover de Deus porque os membros não estão dispostos a se tornarem um purê. O padrão de Deus é unidade e não união.

Deus abomina aqueles que possuem um sorriso diplomático, mas que, por detrás, minam a visão, criticam os líderes e levedam a massa com as suas atitudes rebeldes. Na equação da multiplicação também existe subtração. Todo relacionamento de unidade é destruído por uma terceira voz: a voz da serpente no jardim. Subtração é tão importante quanto a multiplicação. O banheiro é tão necessário quanto a cozinha em uma casa. Remover pessoas erradas é tão importante quanto estabelecer as pessoas certas. Salomão disse: “Lança fora o escarnecedor, e com ele se irá a contenda; cessarão as demandas e a ignomínia” Pv 22:10.

Existem pessoas com problemas, mas há pessoas que são um problema. Nunca mandamos embora pessoas com problemas, mas tiramos aquelas que são um problema. As batatas que se recusam ser cozidas e amassadas precisam ser removidas.

Devemos ter um mesmo parecer

Além de ter o mesmo falar e a mesma disposição mental, Paulo diz que devemos todos ter o mesmo parecer, ou seja, a mesma opinião. Alguns supõem que isso seja uma impossibilidade. Eles dizem que não conseguem ter a mesma opinião nem como marido e esposa, como terão a mesma opinião na igreja?
Não precisamos ter a mesma opinião sobre política, times de futebol ou qualquer outra coisa natural. O que Paulo diz é que devemos ter a mesma opinião nas questões espirituais. Se o assunto é salvação, enchimento do Espírito, vida eterna ou novo nascimento todos nós devemos falar a mesma coisa. A respeito de questões de fé temos de falar o mesmo. Numa igreja local não pode haver dois pensamentos ou dois pareceres, todos nós temos a mesma opinião.

Naturalmente, Paulo tinha em mente a Palavra de Jesus de que um reino dividido não pode subsistir. Se a igreja vai prevalecer, ela precisa caminhar em unidade. O inimigo sabe que a única forma dele prevalecer contra a igreja é produzindo divisão no meio do corpo.

“Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá.” Mt 12:25

A pergunta de Jesus foi muito clara: “Se satanás está dividido, como subsistirá o seu reino?”. O mesmo princípio se aplica a nós. Se formos divididos, não podemos prevalecer contra o diabo. Como prevalecerá a nossa obra? Antes de avançarmos como igreja local, precisamos ter unidade.
Gosto daquele cântico do Asaph Borba que diz: “Na força do Espírito Santo, nós proclamamos que pagaremos o preço de sermos um só coração no Senhor”. Certamente existe um preço a ser pago para termos unidade em nossa localidade.

O primeiro preço a ser pago é rejeitar as preferências pessoais. Um grande fator de separação e divisão são as preferências pessoais. Se nós queremos servir a Deus, temos de servi-Lo de acordo com Suas escolhas e preferências para nós. Naturalmente, ter preferências é normal e até inevitável, mas o problema surge quando somente aceitamos ser edificados ou exortados por determinado líder ou pastor e rejeitamos os demais. Se as preferências são alimentadas, em dado momento elas se tornarão rejeição aos demais líderes da igreja.

O segundo preço a ser pago é reconhecer as diferenças e a diversidade na igreja. Sei que, quando falamos de unidade, as pessoas tendem a entender como uniformidade. Mas isso é um engano. Deus ama as diferenças e Ele nos fez diferentes para que continuemos diferentes. Algumas igrejas têm tentado produzir unidades gerando clones. A vontade de Deus é que geremos filhos. Filhos se parecem conosco, mas não são exatamente iguais a nós. O clone por outro lado é uma cópia. Filhos são frutos de amor, mas clones são frutos da arrogância e da vaidade. Eu me acho tão maravilhoso que concluo que o mundo deveria ter pelo menos meia dúzia de mim. O clone é um monumento à vaidade e à soberba do homem.
Se todos fôssemos clones, certamente haveria unidade, mas não haveria diferença e diversidade. Como somos todos filhos, então temos a diferenças e agora precisamos pagar o preço para termos unidade.

Finalmente, gostaria de falar sobre algo bem sensível. Estar em unidade é viver um tipo de aliança com os líderes e com os irmãos. Ouço em alguns lugares líderes dizendo serem discípulos de pastores de outras igrejas. Ora, se você está aqui, o seu líder, ou discipulador, também precisa estar aqui. Não posso admitir que um de meus pastores pastoreie aqui, mas seja discípulo de outro pastor de outro lugar. Isso é confusão. É como a mulher casada que recebe dinheiro de outro homem. É plantar duas sementes diferentes em um mesmo campo. Confusão é Babel, o resultado da separação e da perda da unidade. Confusão na Palavra de Deus é caos. Deus não pode agir no meio da confusão.
Evidentemente não estou dizendo que você não possa aprender com outros. Você pode e deve aprender com muitos, mas só pode ser discípulo de apenas um pastor. Só há unidade onde as ovelhas são discípulas do pastor. Não adianta ter pessoas conosco que são discípulas de outrem. Não pode haver entre nós pessoas seguidoras de outras visões. Se o seu discipulador não está aqui, então vá aonde ele está.
Se você tem vindo à nossa igreja para aprender e até se diz meu discípulo, mas está ligado a outro pastor e outra localidade, eu quero dizer que você está fazendo algo muito sério. Você é uma batata fora da panela, você não faz parte do purê aqui. Você está tentando edificar uma obra dentro de outra obra, uma igreja dentro de outra igreja. Tudo isso é confusão, a qual resultará em divisão. Tudo isso é prostituição espiritual.
Por fim, o último preço a ser pago pela unidade é entender que você não determina a visão de sua igreja local. Por isso, não tente mudar a visão de seus líderes. Se a sua visão é diferente, você precisa ir a um lugar que pratique a visão que você acredita. Essa separação não é divisão, antes é honestidade. A equação da morte é esta: visão + visão = divisão.

Infelizmente, muitos crentes bem intencionados estão sendo usados pelo inimigo para destruir a unidade resistindo a ser discípulos de seus pastores. Receba a visão de seu pastor. Seja um com a sua igreja local. Ame seus irmãos mesmo no em que são diferentes de você. Ame seu pastor mesmo que a visão dele não seja tão grande quanto a sua. Pague o preço de ser um só coração com os irmãos que Deus tem colocado junto a você.
Um homem visitava um hospício. O enfermeiro mostrava-lhe pacientemente os vários setores daquela casa. Intrigado com a desproporção entre o número de funcionários e o de enfermos ali internados, o visitante perguntou:
– Vocês não têm medo de que os internos se amotinem e agridam vocês? Afinal, eles são em número muito maior!
O enfermeiro respondeu:
– Oh! Não. Ninguém precisa ficar com medo. Os loucos nunca se unem.

Sei que é difícil falar a mesma coisa, ter a mesma disposição mental e o mesmo parecer. Mas não é impossível. Se assim fosse, o Senhor não nos daria esse mandamento. Na força do Espírito Santo, podemos ser um e, então, as portas do inferno não nos resistirão e não haverá limites para tudo o que intentarmos fazer como igreja local. Eu creio nisso. Você está unido nesse propósito?