20190930

Como reagir em períodos de depressão? Mt 26:36-41. Pr. Edenir Araújo - Culto de Celebração - 29/09/19


Como reagir em períodos de depressão?

“36 Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar; 37 e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. 38 Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo. 39 Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres. 40 E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? 41 Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.” Mt 26:36-41

Alguns homens da Bíblia, como Jó, Davi, Moisés, Elias e Jeremias, sofreram de “patologias psicossomáticas”. Doenças psicossomáticas são aquelas relacionadas a emoções, sentimentos e pensamentos. Uma doença psicossomática, tem origem na alma, no psicológico, na mente, podendo posteriormente causar sintomas e doenças físicas.
Devido a momentos difíceis em suas vidas, muitos personagens bíblicos sentiram medo e desespero, tristeza e profunda angústia. Eu não quero e nem posso afirmar que esses os homens sofreram de depressão. Afirmar que um personagem bíblico experimentou depressão seria anacronismo, um grave erro cronológico, pois o conceito contemporâneo de depressão não pertencia à época das Escrituras. É seguro afirmar que a Bíblia não fala sobre esse assunto. Todavia, as Escrituras descrevem com clareza e objetividade, a tristeza e angústia de alma humana por meio de vários outros termos, ou seja: abatimento (Sl 42:5, 6 e 11, 44:25 e 57:6), aflição (Sl 38:8 e 88:15), angústia (Is 61:3 e Jo 12:27), tristeza profunda (Mt 26:38) e muitas outras.

Depressão

A depressão tem sido considerada o mal do século para muitas pessoas. E realmente os números são alarmantes. Estudos dizem que 25% da população do planeta sofre de depressão, 1 em cada 4 pessoas, e muitas outras ainda nem foram diagnosticadas, estão sofrendo com depressão. Transtornos de ansiedade, depressão e estresse, atingem 80% das pessoas, em todos os níveis sociais e formação acadêmica.

Pessoas que manifestam constantemente os seguintes sintomas podem esta com depressão.

- Tristeza;
- Humor deprimido, que se caracteriza por desânimo persistente, baixa autoestima, sentimentos de inutilidade;
- Perda de interesse em atividades que antes a pessoa apreciava;
- Mudança de apetite;
- Ganho ou perda de peso;
- Insônia;
- Dormir em excesso;
- Perda de energia ou fadiga acentuada;
- Movimentos físicos sem sentido, como apertar as mãos de forma constante e nervosa;
- Sentir-se sem esperança;
- Sentir-se culpado;
- Dificuldades para raciocinar, se concentrar ou tomar decisões;
- Pensamentos de morte ou suicídio;
- Irritabilidade, ansiedade e angústia;
- Necessidade de um grande esforço para fazer coisas que antes eram fáceis;
- Diminuição ou incapacidade de sentir alegria;
- Sentimentos de medo, insegurança, desespero, desamparo e vazio;
- Interpretação distorcida e negativa da realidade;
- Diminuição do desejo e do desempenho sexual;
- Dores e outros sintomas físicos sem uma causa aparente, como dores de barriga, azia, má digestão, diarréia, prisão de ventre, gases, tensão na nuca e nos ombros, dor de cabeça ou no corpo, sensação de corpo pesado ou de pressão no peito.

Jesus no Getsêmani

A boa nova é que você pode extrair lições das Escrituras para a luta contra a depressão a partir da observação de como os personagens bíblicos lidaram com suas persistentes sensações de tristeza e perda de interesse pela vida, principalmente para os pastores que lutam contra esse mal.
Para um pastor, o combate à depressão pode ser uma das experiências mais duras da vida. Em certo sentido, o ministro foi chamado para ser um “colaborador da alegria” dos membros da igreja de Cristo (2Co 1:24 e Fp 1:25). Como ele pode fazer isso se sua tristeza é persistente? A situação fica mais séria ainda quando se observa que somente quando feito com alegria é que o trabalho dos líderes é proveitoso ao rebanho (Hb 13:17). Todavia, o episódio de Jesus no Getsêmani é extremamente benéfico a esse respeito, pois descreve Jesus sofrendo angústia e abatimento de alma. O pastor que luta contra depressão pode extrair dali princípios seguros para sustentá-lo e ajudá-lo a dar o próximo passo, seguindo o exemplo do Redentor. Dessa forma, qualquer líder aflito pela dor da alma angustiada poderá confessar que, ainda que abatido, nunca será derrotado.

Como a Jesus tratou com as fortes emoções negativas?

Mateus 26:37-38 afirma que, quando no Getsêmani, o Senhor foi “tomado de tristeza e angústia” e disse aos seus discípulos: “a minha alma está profundamente triste até a morte” (Mt 26:37-38). As atitudes de Jesus naqueles momentos de aflição apontam passos importantes na luta que qualquer cristão contemporâneo trava contra a depressão. Em um artigo devocional sobre esse texto, John Piper esboça, mas não desenvolve, alguns pontos dignos de serem observados na ação do Senhor Jesus. Tomando as sugestões de Piper, procurei desenvolver melhor o assunto e passo a ressaltar cinco princípios encontrados diretamente no texto de Mateus e um sexto retirado de Hebreus.

Com relação ao texto de Mateus, devemos observar alguns detalhes importantes. Cada um desse pode ser reafirmado pelos outros evangelistas.

1. Em sua angústia, Jesus escolheu alguns amigos próximos para estarem com ele.

O texto bíblico afirma que Jesus, “levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a sentir-se tomado de tristeza e de angústia” (Mt 26:37). A iniciativa de Jesus em buscar a companhia dos seus amigos íntimos no momento em que enfrentaria sua tristeza de alma é claramente declarada por essas palavras. Ademais, é importante ressaltar que os amigos de Jesus eram crentes, seus discípulos, pois somente o cristão consegue interpretar o sofrimento humano à luz da cruz.

A dor e a enfermidade geralmente isolam o aflito de outras pessoas.

Quando estamos enfermos não queremos estar perto de ninguém e muitos também não querem 
estar próximos a nós. Talvez por essa razão, em sua aflição, o profeta Elias tenha reclamado: “só eu fiquei” (1Re 19:10 e 14). No caso de Jó, a grande maioria dos seus parentes e amigos o desamparou em meio ao seu sofrimento (Jó 19:14). O salmista, em sua aflição, também se queixa: “Olha à minha direita e vê, pois não há quem me reconheça, nenhum lugar de refúgio, ninguém que por mim se interesse” (Sl 142:4). Em certo sentido, o leito do sofrimento se transforma em leito da solidão.

Em se tratando de sofrimento tão complexo como a depressão da alma, porém, a comunhão fraternal é instrumento divino para o coração ferido. Quando nossa perspectiva está turva e obscura, necessitamos ser guiados pelos olhos de quem nos ama e está enxergando melhor. Quando a única coisa que nosso coração nos diz é negativo e desesperador, carecemos daqueles que nos falam palavras de esperança. Amizades não são apenas preciosas (Pv 17:17), mas necessárias nesses instantes. Jesus, mesmo sendo o Filho de Deus, não abriu mão desse benefício em seu momento de angústia.

2. Em sua dor, Jesus abriu o coração para os amigos.

Segundo o texto bíblico, logo após se sentir entristecido e angustiado, Jesus se voltou aos discípulos e disse: “A minha alma está profundamente triste até a morte” (Mt 26:38). Em outras palavras, ele não cultivou sua dor em segredo, mas abriu o seu coração acerca do seu estado de alma naquele exato momento.

Uma das dificuldades em ajudar aqueles que lutam contra a depressão ou abatimento é o fato de que eles dificilmente compartilham sua dor com outras pessoas ao redor. Em muitas ocasiões, é comum encontrar familiares de indivíduos angustiados que atestam ter percebido algo errado, mas que, ao perguntar o que estava acontecendo, o silêncio era a resposta mais comum. Por outro lado, algumas pessoas aflitas explicam que nunca compartilharam por não saber se poderiam confiar plenamente nas pessoas ao redor. Outros ainda afirmam que ninguém expressou verdadeiro interesse a ponto de justificar o difícil exercício de abrir o coração com outros.

Todavia, se considerarmos com quem Jesus se abriu, nenhum desses argumentos prevalece. Ele compartilhou sua angústia com discípulos que não demonstraram qualquer interesse pelo que estava acontecendo. Ao final, eles até dormiriam nos momentos de oração. Além do mais, um deles até iria negá-lo publicamente. Nada disso, porém, foi razão suficiente para impedir que o Redentor expressasse sua dor e angústia de alma com eles naquele momento.

Outro fator importante a ser notado é que Jesus não parece ter tido qualquer receio do que os discípulos pensariam a respeito dele. Sendo ele o Mestre e Senhor, poderia ter se preocupado com sua reputação. Ao invés disso, porém, apenas revelou sua dor aos seus discípulos. Há muitas pessoas sofrendo a dor do abatimento e que nada compartilham porque desejam “preservar sua imagem”. No caso do pastor, é comum que ele tente proteger sua imagem “pelo bem da igreja”. No entanto, se o Senhor da igreja não hesitou em compartilhar sua dor, tampouco seus “pastores designados” deveriam se preocupar com isso. Quando isso ocorre, além de se privarem de algo benéfico, esses irmãos acabam cultivando o elemento maléfico do orgulho. Ainda assim, é preciso notar que Jesus se abriu com amigos e não com qualquer um.

3. Em seu abatimento, Jesus pediu a intercessão e participação dos amigos em sua luta.

Diferente do que algumas pessoas costumam fazer em momentos de tristeza, Jesus não quis apenas “falar sobre os seus problemas”. Ele também não quis apenas “colocar para fora o que sentia no peito”, nem “desabafar”. Jesus compartilhou sua dor e pediu aos discípulos que participassem com ele na luta em oração por causa de sua tristeza até à morte. Ele disse: “ficai aqui e vigiai comigo” (Mt 26:38).

A lição a ser aprendida a partir desse verso é que o compartilhamento da dor do aflito deve ser proposital. Dessa forma, ele tanto permite que outras pessoas ajudem, como também direciona quanto à natureza mais importante da ajuda a ser recebida nessas ocasiões. Os discípulos de Cristo foram convidados por ele a se aliarem a uma luta em prol de sua alma. Ao pedir por tal intercessão, a pessoa sofredora convida seus irmãos a participarem de um aspecto importantíssimo da vida cristã: a união do Corpo de Cristo em meio às tribulações da vida (Rm 12:15 e 1Co 12:26).

Segundo Jesus, a forma correta de se travar a luta pela alegria da alma seria pela oração. Mais uma vez o leitor bíblico é lembrado da importância do cuidado e zelo espiritual por alguém que está sofrendo. Enquanto no geral raciocinamos em termos e categorias físicas e materiais, Jesus nos ensina a importância da luta pelo restabelecimento da alegria da alma através da intercessão.

4. Em sua aflição, Jesus derramou o coração diante do Pai em oração.

Jesus não apenas pediu oração por si mesmo, mas ele mesmo derramou o seu coração diante do Pai dizendo: “Meu Pai, se possível, passa de mim este cálice!” (Mt 26:39). O clamor de Jesus, além de real, foi também pedagógico. Nele, o Senhor indica que, em última instância, nosso socorro vem somente do Senhor e, por isso, nossas petições devem ser direcionadas a ele. Deus possui a última palavra para todas as nossas dores e aflições. Como afirma o salmista:

“Ele é quem perdoa todas as tuas iniquidades; quem sara todas as tuas enfermidades; quem da cova redime a tua vida e te coroa de graça e misericórdia” (Sl 103:3-4).

Também em sua oração, Jesus, como filho, se dirige a Deus chamando-o de “Pai” (o texto de Marcos usa o aramaico Aba, papaizinho, expressão de intimidade, Mc 14:36). Isso ensina que, a despeito da angústia e dor que ele sentia, ainda mantinha a clara perspectiva da bondade paternal de Deus em perspectiva. A importância de se atentar para esse princípio é que, como indica outro salmista, nossa aflição muda nossa perspectiva sobre Deus (Sl 77:10). Comumente, nos momentos de dor, confiamos mais em nossos sentidos e emoções do que nos fatos e afirmações da Palavra. Mas o exemplo de Jesus em oração deixa claro que Deus é bom e que, como filhos amados, podemos derramar o coração diante dele.

Por último, a atitude de Jesus deixa claro que não há qualquer assunto que não possamos trazer à presença do gracioso Pai que se interessa pela dor do nosso coração. Se observado cuidadosamente, o leitor notará que Jesus apresentou seu desejo ao Pai de que outra solução fosse encontrada para aquele momento que não o cálice da dor. Ainda assim, ele o fez em submissão, pois apenas disse “se possível”. Esse fato contrasta com o que geralmente ocorre quando lutamos contra a depressão, já que nossos sentimentos parecem “pregar para nós” que nossos problemas não são importantes para Deus ou que ele se faz indiferente para com nossa dor. Mas o exemplo de Cristo confirma a verdade de que podemos nos aproximar “com sincero coração, em plena certeza de fé,” do Pai celestial (Hb 10:22).

5. Em seu sofrimento, Jesus descansou a alma na soberania e sabedoria de Deus.

Após apresentar ao Pai o seu desejo, o Senhor conclui sua oração: “Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres” (Mt 26:39). O que o leitor bíblico testemunha nas páginas seguintes é que Jesus continua obediente “até a morte e morte de cruz” (Fp 2:8). Com exceção de um texto em Lucas que não aparece nos melhores e mais antigos manuscritos gregos existentes (Lc 22:42-43), não há nenhuma outra indicação de que ele tenha sido miraculosamente confortado. Para piorar, por duas vezes Jesus se virou para os discípulos e os encontrou dormindo. No entanto, suas palavras ao Pai indicam que sua alma foi descansada na soberania e sabedoria do Altíssimo.
Certa vez li (embora nem me lembre mais onde) uma ilustração interessante sobre Charles H. Spurgeon, que lutou por anos contra sentimentos depressivos. Quando um membro da igreja, querendo consolá-lo, o encontrou e disse: “Pastor Spurgeon, que lamentável que Satanás o tenha afligido com tantas dores e aflições!”. Ao que Spurgeon respondeu: “Caro irmão, seria um tormento, uma verdadeira angústia insuportável, se eu acreditasse que qualquer um dos meus males viesse de Satanás sem a permissão do Soberano Deus!”. Naquele momento, o príncipe dos pregadores deixou claro que ele pregava para si mesmo a mensagem confortadora da soberania e sabedoria do Deus que por nós tudo executa!

Mas Deus não é apenas Soberano, ele também é Sábio! Isso significa que tudo o que ele realiza possui um propósito, sendo que o objetivo maior de Deus é conformar seus filhos à imagem de Cristo Jesus (Rm 8:29). Essa conformação não ocorre somente nos privilégios das bênçãos, mas também nas bênçãos do sofrimento. O que é importante lembrar é que assim como o Filho não foi desamparado, nenhum dos filhinhos será. Essas verdades deveriam nos ajudar a descansar em Deus.

6. Em sua perplexidade, Jesus fixou os olhos no futuro glorioso reservado pelo Pai.

Finalmente, outro verso das Escrituras que ensina como Jesus lidou com sua aflição e angústia de alma é o de Hebreus 12:2, que diz que: “Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus”. Isso mesmo, Jesus utilizou sua expectativa da glória que lhe seria revelada para suportar os sofrimentos da cruz.

Dessa maneira, o Senhor Jesus não focalizou apenas nas circunstâncias imediatas que o cercavam, sua mente não se ocupou em pensar apenas nos sofrimentos que experimentava. Ele ocupou sua meditação com as glórias que lhe seriam concedidas pela graça de Deus ao se assentar à destra do Pai. Certamente por essa razão, o escritor de Hebreus exorta a cada um dos seus leitores a “olhar firmemente” para Jesus, pois, pelo seu exemplo, também se pode aprender a lidar com os sofrimentos terrenos. Aqueles irmãos do passado certamente enfrentavam lutas desconhecidas a muitos de nós hoje, mas, somente considerando atentamente o modelo de Jesus, não desmaiaremos em nossas almas (Hb 12:3).

De fato, a depressão é uma dor tão complexa que não se encontra tratamento ou medicina fácil para ela. Muitas pessoas, talvez por não compreenderem ou por desejarem uma “cura rápida”, acabam apresentando inúmeras “receitas” ou “lista do que deve ser feito ou evitado”. No entanto, nada melhor do que o modelo de como Jesus lutou contra o abatimento de sua alma para ajudar seus discípulos que no presente lutam contra a depressão. Até nessa esfera ele nos deixou exemplo para seguirmos os seus passos (1Pe 2:21). Todavia, devemos lembrar que Cristo não é apenas nosso modelo, mas nosso Redentor, aquele que sofreu e triunfou para que pudéssemos ter livre acesso ao Pai por meio dele. Em nossa angústia, podemos recorrer a ele, pois, naquilo que ele mesmo sofreu, é poderoso para socorrer os que são tentados (Hb 2:18). Que o Senhor nos ajude na caminhada com Jesus em um mundo caído, mas aguardando o retorno do Supremo Pastor.

Amor e serviço, as evidências de um cristão verdadeiro. João 13:4. Pr. Edenir Araújo - Culto de Celebração - 22/09/19



“1 Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. 2 Durante a ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que traísse a Jesus, 3 sabendo este que o Pai tudo confiara às suas mãos, e que ele viera de Deus, e voltava para Deus, 4 levantou-se da ceia, tirou a vestimenta de cima e, tomando uma toalha, cingiu-se com ela. 5 Depois, deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido.” Jo 13:1-4

Uma coisa é certa em nossa existência: Existimos para um fim específico, viveremos e daremos a nossa vida por algo. O que estamos fazendo com as nossas vidas? Onde estamos investindo o nosso tão precioso tempo? Uma carreira, um esporte, um passatempo, fama, dinheiro? A verdade é que nenhuma dessas coisas tem valor eterno.

Outro dia ouvi alguém dizer: “Viva feliz fazendo o que você gosta” ou “O importante é você fazer o que gosta”. Isso parece atraente, mas é falso.

A princípio não fomos criados para fazer o que gostamos, pois se agirmos assim, estaremos arrumando um grande e sério problema. Veja que se formos viver fazendo o que gostamos de fazer, vamos começar dormindo mais do que o necessário, trabalharemos menos ou nada, comeremos fora de hora, nos alimentaremos com alimentos de baixo valor nutritivo. Gastaremos muito tempo com entretenimento, filmes, prática de esporte, viagens etc. Veja que tudo isso é bom para o nosso desfrute, mas ninguém pode ser realmente feliz vivendo assim, fazendo somente o que se gosta, porque esse estilo de vida desregrado não produzirá bons resultados a longo prazo. 

Se você dorme muito certamente vai trabalhar menos e tornar-se preguiçoso e improdutivo, se comer só o que gosta, vai se encher de lanche, doces e outras guloseimas de baixo valor nutritivo. Isso certamente vai redundar em uma anemia ou outra doença decorrente de uma má alimentação.  

Então podemos concluir que: Não fomos criados para fazer somente o que gostamos, mas para aprender a gostar do que fazemos, ou pelo menos do que fomos chamados a fazer.

E o que nós fomos chamados a fazer como cristãos? Imitar Jesus!

Se nós queremos ser relevantes e valorizar as nossas vidas, até porque temos muito pouco tempo para cumprirmos o propósito de Deus para nós, precisamos seguir o exemplo de Jesus, pois o Senhor realmente viveu a vida de uma maneira intensa, vibrante e sadia.

Veja que Jesus nos deixou o exemplo de como viver a vida de maneira relevante.

“Aquele que quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo tome a sua cruz e siga-me.” Mt 24:16

O princípio aqui é o inverso do que queremos fazer. O desejo do homem natural está em fazer somente o que quer e dá prazer à carne. Agora o cristão verdadeiro, consciente do porque da sua existência, vive a sua vida em constante renúncia, agradando a Deus como um bom cristão.

Resumindo a mensagem: RENUNCIE-SE A SÍ MESMO!

Esse tipo de mensagem não agrada muito, mas o princípio é esse: Não devemos fazer só o que gostamos de fazer, e também não devemos ouvir só o que queremos ouvir!

“Pois vai chegar o tempo em que as pessoas não vão dar atenção ao verdadeiro ensinamento, mas seguirão os seus próprios desejos. E arranjarão para si mesmas uma porção de mestres, que vão dizer a elas o que elas querem ouvir. Essas pessoas deixarão de ouvir a verdade para dar atenção às lendas.” 2Tm 4:3

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” Jr 17:9

Cuidado com os seus desejos, eles podem te levar por um caminho de derrota e pecado.

“Há um caminho que ao homem parece direito (ser bom), mas o fim dele são os caminhos da morte.” Pv 14:12

Jesus não viveu para a satisfação da sua carne, viveu para alimentar seu espírito pela palavra de Deus (Mt 4:4) e por isso sua vida foi relevante. A história da humanidade foi dividida em duas partes, uma antes e outra depois d’Ele. Queremos marcar o nosso tempo e geração fazendo algo realmente significativo; mas como? Fazendo o que gostamos apenas? Vivendo para o nosso deleite? Certamente esse não é a razão da nossa existência. Portanto se queremos deixar um legado (aquilo que alguém transmite ou deixa a outro) devemos seguir os passos de Jesus.

Segundo o exemplo que Jesus deixou, a primeira atitude que devemos tomar é:

Amar

“Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim.” Jo 13:1

Jesus amou os seus até o fim, inclusive Judas. Que amor é esse, que o mais cruel inimigo é amado e visto como amigo?

“Jesus, porém, lhe disse: Amigo, a que vieste? Então, aproximando-se eles, lançaram mão de Jesus, e o prenderam.” Mt 26:50

Amigo? Só se for amigo da onça! Como Jesus pode chamar Judas de Amigo?

Realmente após lermos esse texto, fica evidente que não devemos somente amar, mas esse amor deve ser incondicional. Poderíamos dizer nesse caso de Judas como alguém disse:

“Aqueles que menos merecem o amor são os que mais necessitam dele”.

Simplesmente decida amar! Amar a Bíblia, a oração, a casa de Deus, Jesus, sua família, sua célula, seus líderes, seus inimigos...
Simplesmente ame!!!

A orientação da Bíblia para aqueles que querem ser como Jesus está em amar a todos os homens. Segundo a Palavra de Deus precisamos estar em débito de amor com o nosso próximo.

“A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei.” Rm 13:8

Não fique esperando o sentimento aflorar, mas decida amar e o sentimento o acompanhará. Lembre-se que nós vivemos pela fé. “Mas o justo viverá da Fé...” Hb 10:38
Acredite no que diz a Palavra de Deus em Gl 5:22, “Mas o fruto do Espírito é amor...”. Se você crê no que diz a Bíblia, o amor de Deus já está em nós pelo Espírito Santo, e o que precisamos fazer é aprender a colocar esse amor na prática. Aprenda a amar. Veja o depoimento de uma jovem de uma época, onde os casamentos eram arranjados pelos pais:

“Quando nascemos, não podemos escolher pai, mãe, irmãos e, então, aprendemos a amá-los profundamente. Assim será em relação àquele que será o meu marido. Aprenderei a amá-lo”.

Passou a época, mas ficou a lição: podemos aprender a amar. Podemos decidir e aprender amar, pois o amor é o único tesouro que se multiplica por divisão. É a única dádiva que aumenta quanto mais você a reparte. Doe amor; jogue-o fora; esparrame-o; esvazie seus bolsos; sacuda o cesto, vire o copo para baixo, e amanhã você terá mais amor do que nunca.

Toda escritura se resume no amor. Mt 22:34:40

Acho que todos os cristãos deveriam ler a obra de Gary Chapman “As cinco linguagens do amor”. Nesse livro Gary nos leva a descobrir a nossa linguagem própria de amor. Como é bom descobrir a nossa linguagem pessoal de amor, e o mais importante; amar sem limites. Por fim amar é uma evidência do novo nascimento e conhecimento de Deus.

“Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.” 1Jo 4:7-8

A segunda atitude que precisamos ter para seguir o exemplo de Jesus é:

Servir

Servir é o caminho para a verdadeira importância e relevância. Nós encontramos sentido e significado quando entendemos que somos parte do corpo e precisamos servir de alguma forma.

“Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”. Ef 2:10

“Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações”. Jr 1:5

Não fomos salvos pelo serviço, mas para o serviço. Nos tornamos cristãos porque alguém serviu a Jesus dispondo sua vida a serviço do reino.

Se não temos nenhum amor pelos outros, nenhum desejo de ajudar as pessoas servindo-as dificilmente conseguiremos imitar Jesus!

Se nos esquivamos de amar e servir, deveriamos questionar se Cristo está mesmo em nossa vida. Estamos edificando uma igreja onde todos devem ser ministros, e ministros são servos! Ministro é para servir. Jesus veio para servir e para dar.

“Tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”. Mt 20:28

Servir é doar-se, e doar-se é ter vida. Veja exemplo do mar da Galiléia e do mar morto. O mar da Galiléia é vivo porque libera água para o rio Jordão, mas o mar morto, como o próprio nome diz está morto porque só recebe a água do Jordão e não libera água. O Mar Morto tem esse nome devido a grande quantidade de sal por ele apresentada, dez vezes superior à dos demais oceanos, o que torna impossível qualquer forma de vida - flora ou fauna - em suas águas. Qualquer peixe que seja transportado pelo rio Jordão ao mar morto, morre imediatamente assim que deságua neste lago de água salgada. Não há processo de escoamento no mar morto a não ser por evaporação.

Servir é algo contrário à nossa inclinação natural, porque geralmente nós sempre estamos buscando alguém para nos servir.  

É comum ouvirmos: “estou procurando uma igreja que sirva às minhas necessidades e me abençoe”, mas é raro ouvir: “estou procurando um lugar onde eu possa servir e ser abençoado”.

Em João capítulo 13:1-5 aprendemos uma lição de Jesus a respeito de serviço e amor. Esse texto diz que Jesus lavou os pés dos discípulos. Você pode imaginar o que é isso. Deixe-me explicar. Na época de Jesus, as duas coisas mais importantes que um anfitrião podia oferecer para o visitante era, um servo para lavar seus pés, e logo após convidá-lo para sentar à mesa para comer um bom pedaço de pão.
Os pés dos judeus da época de Jesus, não estavam sujos somente por causa da poeira devido ao clima seco e ruas de terra, mas também estavam sujos de fezes de animais como cavalos e vacas, pois todos, homens e animais transitavam no mesmo caminho. Lavar os pés de alguém era uma tarefa humilhante, geralmente era necessário contratar servos para essa tarefa. Só quem está disposto a descer e se humilhar pode lavar os pés de alguém, pois lavar pés é uma questão de renuncia de si mesmo; é servir ao próximo.

Qual a sua desculpa para não servir a Cristo na sua família, trabalho, célula, igreja etc?

1º Sou demasiado pecador – Cristo veio salvar o pecador  1Tm 1:15; Cristo morreu pelos pecados Rm 5:6-8; Tornará pecado como a neve Is 1:18; Ele não nos lançará fora Jo 6:37.
 
2º Não tenho tempo – Como pode ser isso? Deus nos deu todo o tempo que temos, precisamos apenas valorizá-lo, fazendo bom uso deste tempo. Veja essa história sobre João Wesley, o fundador do Metodismo, movimento que abalou a Inglaterra no Século XVIII, escreveu 371 obras. Viajava, a cavalo, 8.000 quilômetros por ano. Pregava anualmente 750 sermões, uma média de dois por dia. Além disso mantinha, fielmente, correspondência com muita gente. Como foi possível fazer tudo isso? Em instruções a seus auxiliares, ele escreveu: "Sede diligentes. Nunca vos ocupeis em coisas triviais. Não percais tempo. Não gasteis em nenhum lugar mais tempo do que o absolutamente necessário. Sede pontuais. Fazei tudo exatamente no seu tempo próprio".

É uma loucura dizer "amanhã" quando Deus diz "hoje".

Quantas vezes já ouvimos a expressão: “Estou matando tempo”. Que crueldade fazer isso a algo tão valioso como é o tempo! Matá-lo, porquê? O tempo é-nos dado para ser cultivado, não assassinado. O tempo não espera por ninguém. Ontem é história, o amanhã é um mistério, hoje é uma dádiva, é um presente. 

3º Não sei qual Será a minha recompensa – O que importa a esse respeito é sabermos que a nossa recompensa vem do Senhor. Aos Hebreus o escritor disse:

“Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.” Hb 11:6

4º Ainda é cedo; sou muito jovem! - Na mocidade é o melhor tempo para servir o Senhor. Ec 12:1

O Senhor da glória mostrou-se o maior de todos os servos!

“E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.” Fl 2:8

Algumas observações a respeito de um verdadeiro servo. Jo 13:1-5

1. Somente aqueles que amam realmente servem - 13:1

No verso primeiro lemos que o Senhor amou os seus discípulos até o fim. O lavar os pés ou servir os irmãos é uma questão de amor. Servir uns aos outros deve ser uma expressão de amor. No verso 1, no original, se diz que Jesus os amou ao máximo. E como ele expressou esse amor final e máximo?
Servindo os discípulos.
  
É por isso que nos versos 34 e 35 deste mesmocapítulo ele orientou os seus discípulos sobre o novo mandamento do amor. Sem amor não podemos servir.

“Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros”. Jo 13:35-35

2. Só quem tem segurança sobre si mesmo é um verdadeiro servo - v. 3

O verso 3 diz que o Senhor sabia que o Pai tudo lhe confiara nas mãos. Ele, portanto era absolutamente claro de quem era e do que deveria fazer. Algumas pessoas não querem servir ao próximo porque não tem clareza de quem são. Apenas aqueles que possuem essa clareza podem servir verdadeiramente. Eu sei o meu valor, sei quem sou, mas ainda assim estou aqui para lhe servir.
O fato de Jesus saber quem ele (Deus) era não produziu arrogância nele. Se soubéssemos que o Pai nos confiara todas as coisas talvez em nossa natureza pecaminosa nos recusríamos a lavar os pés sujos de uns galileus iletrados.

3. Para servirmos precisamos nos fazer menores que os irmãos - v. 4

Para podermos lavar os pés uns dos outros devemos colocar de lado a nossa glória pessoal. Diminuir diante de nosso próximo, seja ele irmão ou não. O texto diz que Jesus se despiu de sua vestimenta e se vestiu com uma toalha. O sentido básico de despir-se das roupas é despojar-se e se colocar como menor entre os irmãos. Não dá para servir numa atitude de superioridade. Precisamos nos despir em humildade diante de nossos irmãos, e nos fazer iguais a eles.

4. O verdadeiro servo abre mão de sua liberdade para servir. V. 4

Somente os escravos se vestiam com toalhas, pois estavam sempre prontos a lavar os pés de alguém. Quando Jesus se vestiu com uma toalha aquilo deve ter chocado os discípulos. Vestir-se de uma toalha significa que abrimos mão de nossa liberdade para servir os irmãos; como um escravo que voluntariamente se dispõe a servir o seu senhor. Este é o paradoxo da liberdade do crente: por um lado foi liberto do pecado, do diabo, da lei e do mundo, mas voluntariamente se coloca como servo dos irmãos em amor. O verdadeiro servo tem uma atitude de servir sem esperar nada em troca.

5. O verdadeiro servo toma a iniciativa e serve a qualquer um que deva ser servido. V. 4

O Senhor não esperou que alguém sugerisse que ele servisse. Ele percebeu a necessidade e a supriu imediatamente, tomou a iniciativa. O verdadeiro servo não serve porque possui uma baixa auto-estima e nem serve apenas aqueles que são maiores que ele. Muitos foram ensinados desde pequenos a agirem servindo, mas por educação. Eles são apenas educados, não são servos.
O verdadeiro servo serve aqueles que não são gratos e nem reconhecidos de sua humildade. Na verdade não queremos servir aquele que diz: “lave melhor entre os dedos, por favor”.
Mas gostamos daquele que diz: “por favor, não quero constrangê-lo me servindo”. Lembre-se que os pés dos discípulos eram um espetáculo de causar repulsa em qualquer um. Lavar os pés limpinhos qualquer um lava, mas lavar os pés sujos assim só um verdadeiro servo de Jesus.

6. O verdadeiro servo expõe o orgulho de outros - v. 6-10

Todos nós achamos que Pedro teve a melhor atitude rejeitando ser servido, mas Jesus disse que ele foi infeliz na colocação que fez. Pedro se recusou a ser servido por Jesus. Aquelas pessoas que não admitem ser servida comumente ocultam problemas no seu coração. Um teste tão grande quanto servir é aprender a ser servido e ainda assim manter um coração correto.

Porque nos recusamos a ser servido?

a) Porque não queremos ter de retribuir servindo.
b) Porque ser servido faz aflorar nosso orgulho.
c) Porque temos uma auto-estima problemática.
d) Porque tememos a opinião de outros e vir a ser tido como arrogantes.
e) Qualquer que seja a razão ela denuncia um problema no coração.
Jesus não apenas lavou os pés, mas permitiu que seus pés também fossem lavados em outras ocasiões.

7. Só aprendemos a servir pelo exemplo. V. 15

O verdadeiro servo só se tornou assim porque foi discipulado por um outro servo. Não adianta mandar servir, precisamos dar um passo adiante e servir como exemplo.

“Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também”. Jo 13:14-15

Conclusão: Em nossa visão dizemos que cada crente é um ministro, isto significa que cada um de nós é um servo, mas somente aqueles que amam realmente servem, porque tem segurança sobre si mesmo e é um verdadeiro servo, se fazendo menores que os irmãos, abrindo mão de sua liberdade para servir, tomando iniciativa através do exemplo do Senhor Jesus Cristo.

20190916

Aparência ou frutos duradouros? Mc 11:12-14. Pr. Edenir Araújo. Culto de Celebração - 15/09/19


Os psicólogos estudaram e descobriram um fenômeno chamado acomodação. A ideia é que toda vez que um novo objeto ou estímulo entra no nosso ambiente, ficamos intensamente atentos a ele, mais a atenção enfraquece com o tempo. Assim, por exemplo, quando usamos um relógio de pulso pela primeira vez, percebemos o relógio o tempo todo, mas depois de algum tempo nem sequer notamos que ele está ali.

Isso é acomodação. O pastor John Ortberg disse que “A acomodação espiritual é em alguns casos pior do que a depravação espiritual”. Isso procede de fato porque a acomodação espiritual gera aparência apenas.

Uma dos maiores desafios da vida é lutar contra o que pode ser chamado de aparência espiritual.

12 No dia seguinte, quando estavam saindo de Betânia, Jesus teve fome. 13 Vendo à distância uma figueira com folhas, foi ver se encontraria nela algum fruto. Aproximando-se dela, nada encontrou, a não ser folhas, porque não era tempo de figos . 14 Então lhe disse: ‘Ninguém mais coma de seu fruto’. E os seus discípulos ouviram-no dizer isso.” Mc 11:12-14

Existem somente três registros nos Evangelhos que apresentam Jesus com fome. O primeiro foi depois dos 40 dias de jejum e oração no deserto, “Depois de jejuar por quarenta dias e quarenta noites, teve fome.” Mt 4:1. O segundo, quando ele disse aos discípulos: uma comida tenho para comer que vós não conheceis.” Jo 4:32, e o terceiro quando voltava de Betânia para Jerusalém. “No dia seguinte, quando eles estavam saindo de Betânia, Jesus teve fome.” Mc 11:12

Na primeira vez que Jesus teve fome, Ele foi servido pelos anjos (Mt 4:11). Na segunda a vontade do Pai o alimentou, pois ele mesmo disse “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e concluir a sua obra”, Jo 4:34, podemos imaginar que banquete foi aquele. Mas aqui em Betânia, Jesus queria um lanche rápido, algo do tipo Drive thru, um breakfast, só pra forrar o estômago.

Daí, como providência divina, no seu caminho estava aquela bela figueira, e a Bíblia diz no relato de Mateus, que ela estava “à beira do caminho”.

Tente imaginar que combinação extraordinária. O Mestre do Universo, o Criador de todos os seres vivos, o divino Agricultor com fome, e no caminho d’Ele, uma figueira, cheia de folhas verdinhas, promissora, bem à mão, como que dizendo: “Chegue mais perto, faça o seu pedido, pegue o que precisa, mate a sua fome.”

De repente, o inesperado acontece. Jesus se aproxima da figueira, olha de um lado, olha de outro, bate num galho aqui, noutro acolá e ai... Nada! Nada acontece, Ele não acha nadanenhum fruto.

Jesus reage com justa e legítima indignação, e ali mesmo pronuncia o seu julgamento: “Que nunca mais ninguém coma de seu fruto!O mesmo relato em Mateus diz que “imediatamente a figueira secou”Mas há um detalhe importante, o evangelista Marcos disse que: “não era tempo de figos”.

Será que Jesus se enganou? Certamente Ele não se enganou! Ora, então por que Jesus foi tão radical com aquela pobre figueira? Por que procurar figos fora de época? Será então que ele não gostava de figueiras? Também não era isso.

O problema dessa figueira não era o de não ter figos, mas dar a aparência de tê-los.

Ela atraía pessoas com uma imagem bonita, folhas verdes, parecia uma árvore saudável, mas o que era uma promessa acabou numa frustraçãoTodos os nutrientes extraídos da terra, deveriam terminar em frutos, mas aquela figueira se alimentava para manter sua beleza exterior, porque aquela figueira só tinha aparência e era uma figueira sem frutos Jesus a amaldiçoou.

Durante muito tempo a mídia veiculou um comercial que procurava nos convencer dizendo: “Cara de remédio, cheiro de remédio, embalagem de remédio, mas não era remédio.” Era um shampoo. “Parece, mas não é”. Esta frase ganhou vida própria e a população incorporou a expressão como forma de dizer que nem sempre o que se vê corresponde à realidade. As aparências enganam.

Infelizmente a cultura da aparência tomou conta das pessoas, e principalmente no nosso meio cristão evangélico. Vivemos numa sociedade que alimenta e idolatra a cultura da aparência, onde a imagem é tudo. Este é o nosso mundo, o MUNDO DA IMAGEM, O MUNDO DAS APARÊNCIAS. O importante é parecer ser. Muitas vezes olhamos para alguém que comprou um carro zero e logo pensamos: “O fulano tá podendo”. Entretanto, muitas vezes se formos analisar o caso mais de perto, chegaremos a conclusão de que ele tem um carro zero e atrás de tudo isso uma dívida imensa, e ele está fazendo uma força enorme para poder pagar. Mas, o que vale é a aparência, a imagem.

Saiba meu amado irmão, ter aparência e não ter um comportamento santo, não ter frutos, diante de Deus é pecado!

Paulo não viveu de aparência, ele foi uma árvore frutífera!

Veja que o apóstolo Paulo, preocupou-se em ser uma árvore frutífera quando disse:

“Antes, subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão (renúncia Mt 16:24 e serviço), para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha, de alguma maneira, a ficar reprovado (não ter fruto).” 1Co 9:27

Nós fomos chamados para prestar um serviço! Servir à mesa!

1 Coríntios 4:1-2 (Almeida Revista e Atualizada with Strong's Numbers)

Os pregadores responsáveis a Deus

1 Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. 2 Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel. 1Co 4:1-2

Como um despenseiro devemos oferecer comida do céu para as pessoas sedentas e esfomeadas por Deus.

Jesus se manifestou no nosso meio produzindo muitos frutos

Estamos querendo nos parecer com o Senhor, queremos ser segundo a imagem e semelhança de Deus, mas nos esquecemos que nosso comportamento fala mais de quem somos do que as palavras que saem da nossa boca.

Lembre-se de que Jesus é o verbo que se fez carne, Ele era e é a palavra, mas se manifestou de maneira prática entre nós.

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” João 1:1

Jesus é a Palavra, mas se fez carne e habitou entre nós! Se manifestou não ficando somente na palavra.

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” João 1:14

Jesus foi o grão de trigo lançado na terra que depois de morrer produziu e produz muito fruto. Gerou muitos filhos para Deus. Precisamos nos seus passos, no seu encalço, também produzir muitos frutos.

Em outra de suas cartas, Paulo fala de não somente pregar um evangelho verbal, mas de produzir frutos.

“Porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas, também, em poder (Dunamis), e no Espírito Santo (Fogo), e em muita certeza (fé, convicção), como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós.” 1Ts 1:5

Paulo tinha o “dunamis” que significa poder explosivo e gerador. O apóstolo usou este poder para gerar muitos filhos para Deus, legitimando seu ministério pelos muitos frutos que produziu.

Voltando ao texto de Marcos 11:12-14 - Uma curiosidade sobre a figueira

Uma curiosidade sobre a figueira nos permite entender porque tal árvore foi utilizada por Jesus como exemplo do que o pecado provocou em Israel e pode provocar no crente.

1. Ela produz o seu fruto antes das folhas, ao contrário das demais árvores. Ela simbolizava, assim, a necessidade de uma espiritualidade verdadeira (os frutos), antes de uma religiosidade aparente (as folhas).

2. Veja que a folha de figueira aparece pela primeira vez na Bíblia como uma maneira de esconder o pecado, ou de encobertar uma realidade, produzindo apenas uma aparência de concerto. (Gênesis 3). A figueira coberta de folhas aponta para o homem escondido, coberto de aparência apenas.

Na carta de Judas, há várias figuras que ilustram esse comportamento. Ali, o Apóstolo fala de rochas submersas, nuvens sem água, árvores secas, Ondas de espuma, estrelas errantes, movimentos produzindo apenas aparência, sem nenhum fruto, etc.

“São nuvens sem água, impelidas pelo vento; árvores de outono, sem frutos, duas vezes mortas, arrancadas pela raiz. 13 São ondas bravias do mar, espumando seus próprios atos vergonhosos; estrelas errantes, para as quais estão reservadas para sempre as mais densas trevas.” Jd 12b-13 (NVI)

Por isso Jesus proferiu a sentença: Ninguém mais coma de seu fruto.”

É triste saber que algumas pessoas não fazem diferença alguma na vida de outras pessoas.

A figueira enganou Jesus? Como já disse, a Ele não. Jesus sabe todas as coisas. Mas havia um princípio que Jesus queria ensinar aos seus discípulos.

O princípio é esse:

Você não precisa ser o que não é; não precisa dar o que não tem, mas também não pode mostrar a outros o que você não é, não pode prometer o que não pode cumprir.



Vencendo o medo pelo poder da fé. Sl 34:4. Pr. Edenir Araújo. Culto de Celebração - 16/02/20

Meses atrás , eu e minha esposa estávamos indo de carro para Poá, quando percebi que o marcador de combustível estava na reserva. Quando a...