20090107

21 Dias de Jejum pela Unidade e Multiplicação

capítulo 4

Unidade e unanimidade

Algum tempo atrás foi veiculada uma propaganda muito interessante. Ela dizia: “Sonho que se sonha só é só um sonho; mas sonho que se sonha junto já começou a se tornar realidade”. Isso é verdade porque, ao compartilhar com você o meu sonho e começarmos a sonhar juntos, ele vira um projeto, um empreendimento, uma realidade.
Eu sonho com a Igreja, com um empreendimento celestial, no qual o próprio Deus se une a gente como nós para sermos um testemunho de graça na terra. Se muitos sonharmos juntos, a realidade vem. Na verdade, é por isso que nossas células estão se multiplicando a cada dia, pois é um sonho sonhado com muitos irmãos.
Quando sonhamos com uma igreja em células, nós não sonhamos apenas com cultos nas casas. Os cultos são importantes, mas as células são um projeto para ser vivido em comunidade no dia-a-dia. A igreja acontece onde nós estivermos. A igreja acontece na caminhada ao final da tarde, no trabalho árduo, no passeio no shopping ou comprando no supermercado. Estar em uma célula é participar de uma família, é se reunir com aqueles que possuem uma mesma natureza de vida, que compartilham e ministram uma vida em comum.

É cortante a dor solitária, mas a lágrima solidária já é um anestésico. Nada é mais triste que chorar sozinho; mas, se alguém chora conosco, já nos sentimos confortados. Nada pior que uma vitória sem companheiros para celebrá-la. Quero desafiá-lo a experimentar a glória de viver a vida da igreja cheia da comunhão e da unidade divina. Todos sabem que desejamos nos multiplicar. Mas que adianta simplesmente multiplicarmos cultos nas casas? Queremos multiplicar células. Sonhamos com uma igreja forte e a força da igreja está nas juntas, nos vínculos. Quando essas juntas operam em harmonia, entendemos o poder que há na unidade. Podemos ser muitos, mas, quando somos um, é que verdadeiramente o Céu desce à Terra.

Queremos ser uma igreja que expresse amor e ande no caminho da paciência e da tolerância mútua. Um povo alegre que seja festeiro e festeje a vida abundante que tem recebido. Um povo livre que ande na serenidade dos desafios de Deus. Um povo abençoador que tem sido muito abençoado. Sonhamos com um lugar onde seja gostoso estar por haver ali um ambiente de amor e aceitação, porque todos entenderam a graça e, por isso, graciosamente se aceitam. Mas ansiamos também por um lugar cheio de unção e poder Deus para que os milagres pipoquem entre nós, assim como o milho explode na panela quente. Afinal sonhamos com uma comunidade onde flua o sobrenatural. Mas, para que tudo isso se torne realidade, precisamos estar juntos em um mesmo propósito. Sem unidade, nada disso pode acontecer. É por isso que estou desafiando você a sonharmos juntos. Cada um pode ter seu próprio sonho. Mas, se deseja edificar conosco, você precisa ter o mesmo coração e o mesmo sonho que temos. Nossa unidade se expressa na unanimidade. Nelson Rodrigues disse uma das frases mais conhecidas em nosso país: “Toda unanimidade é burra”. A frase nega a si mesma, uma vez que, se concordarem com ela, todos serão burros, ou seja, se a frase se tornar uma unanimidade ela será burra. Nem preciso dizer que é uma tolice.
Hoje em dia as pessoas pensam que, para serem inteligentes, precisam ser “do contra”. Imaginam que, se forem discordantes, serão pensadores livres e originais. O problema é que essa atitude destrói a unidade. Não existe unidade sem unanimidade. A Palavra de Deus ensina que as coisas de Deus são alcançadas na unidade de propósito, ou seja, na unanimidade:

“Todos estes perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele.” At 1:14
“Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração.” At 2:46
“Ouvindo isto, unânimes, levantaram a voz a Deus e disseram: Tu, Soberano Senhor, que fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há.” At 4:24
“Para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.” Rm 15:6

Todo o mover de Deus no livro de Atos foi resultado de uma única atitude: unanimidade. Por que todos eram unânimes num só propósito, Deus pôde agir no meio deles. O mesmo princípio se aplica hoje. Só haverá mover entre nós se formos unânimes como igreja local. Não pode haver voz discordante entre nós. Não pode haver outros sonhos estranhos que transformem nossa obra num pesadelo. Você precisa zelar pela unidade entre nós. Não permita que pessoas se levantem em sua célula para questionar a visão ou a liderança. Precisamos todos tocar a mesma canção em um mesmo tom. A palavra “unânime” vem do latim e significa uma mesma alma. A palavra usada em Atos é homothymadón, no grego, que literalmente significa “uma só mente, propósito e vontade”.
No exército você já deve ter ouvido a respeito do moral da tropa. O moral é a unanimidade. Um comandante jamais permitirá que um soldado introduza alguma maneira diferente de pensar no pelotão. Os soldados todos pensam a mesma coisa, falam a mesma coisa e vivem pela mesma causa. Se alguém pensar algo diferente ou for discordante, será cortado para o bem do moral da tropa. Esse moral não pode ser visto na maioria das igrejas hoje, mas precisa ser visto entre nós. Existem quatro áreas nas quais precisamos ter uma unidade prática. Essas áreas são também níveis que avançamos na unidade.

Ensino

O que podemos ver no livro de Atos é que a obra prevaleceu por causa da unanimidade em três áreas: a oração, a Palavra e o Espírito. Tudo o que precisamos é oração, Palavra e Espírito para conquistarmos a nossa geração, mas isso deve acontecer com unanimidade.
Atos diz que a igreja perseverava unânime na doutrina e na comunhão (At 2:42). É preciso que haja uma única doutrina em nosso meio. O que é ensinado entre nós precisa ter o amém de cada um. Se não houver essa unanimidade, a palavra não prevalecerá. Sei que muitos vieram de outros grupos com diferentes ensinos, mas, se crê que foi Deus quem o trouxe para cá, você precisa ser um conosco em tudo o que for ensinado aqui. Se há algo que você discorda, mas ainda assim deseja estar conosco, então você precisa guardar essa discordância só para você. Se você ensinar algo diferente, estará quebrando a unidade da igreja e bloqueando o mover de Deus entre nós. Podemos ter diferentes opiniões e pareceres a respeito das coisas naturais dessa vida, mas quando se trata das coisas da igreja precisamos ter um único parecer.

“Quanto ao mais, irmãos, adeus! Aperfeiçoai-vos, consolai-vos, sede do mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz estará convosco.” 2Co 13:11

Precisamos ter o mesmo ensino, no mesmo espírito e tudo isso regado com oração. Mas, se não houver a chave da unanimidade, nada acontecerá. Alguns anos atrás, batizamos mais de mil e cem pessoas em um único dia. Dois anos depois batizamos quase três mil depois de quarenta dias de jejum e quarenta dias de evangelismo. Tudo foi feito sem nenhum artifício, somente com Palavra, Espírito e oração. O segredo é que naqueles dias havia uma tremenda unidade entre nós. Nós éramos uma única voz, por isso alcançamos tudo isso. O milagre está na unanimidade.

Prática

“Contudo, se alguém quer ser contencioso, saiba que nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus.” 1Co 11:16
“Porque Deus não é de confusão, e sim de paz. Como em todas as igrejas dos santos.” 1Co 14:33

Todos nós sabemos que o ensino produz uma prática. A nossa pratica na igreja é resultado da revelação que temos tido do Senhor no decorrer dos anos. Nossa prática deriva do ensino. Não somos uma igreja em célula por mero modismo, mas por uma profunda convicção espiritual.
Mas até mesmo nessa questão prática é preciso haver unanimidade. Muitos pensam que podem praticar as células da maneira como bem entendem. Isso traz confusão e nos impede de atingir o propósito. Se, em um carro com cinco ocupantes, todos fossem motoristas, como o carro poderia andar? Muitas vezes os que não estão no volante são cheios de opiniões, são os motoristas do banco de trás. Quando você está em um carro e não é o motorista, é melhor não emitir opinião. Deixe o motorista livre para dirigir. Se há algo que precisamos restaurar urgentemente é a unanimidade. Na verdade, o objetivo deste jejum é restaurar a unanimidade para avançarmos no atual mover de Deus. Sem unanimidade, nós absolutamente não estaremos qualificados para fazer coisa alguma para o Senhor. Sem unanimidade, estamos acabados e definharemos. Precisamos avançar na prática da visão de células. Todas as nossas células precisam ter a mesma prática, de acordo com o ensino bíblico e com a cobertura pastoral.
Precisamos ter a mesma mente e a mesma vontade para o mesmo objetivo, com a mesma alma e o mesmo coração. Mas quantos motoristas do banco de trás têm se levantado para dizer que não devemos buscar tanto assim a multiplicação das células. Não têm o mesmo coração, por isso desprezam nosso encargo. Quantos têm acintosamente desrespeitado autoridades e outros que nada dizem e toleram deslealdades contra a igreja.

Sem unanimidade, que diferença fará possuirmos células? Se não vão todas numa mesma direção, o que sobra é só uma estrutura natural. O que traz o impacto é todas as células caminharem em uma mesma visão, como um feixe de luz que se concentra e se torna um laser. São os raios de sol que, direcionados pela lente a um só ponto, produzem fogo. A força concentrada em uma mesma direção é poder.

Pensamento e Palavras
Se tivermos diferentes maneiras de fazer as coisas, será difícil preservar a unanimidade. Para manter a unanimidade, todos temos de aprender a fazer a mesma coisa da mesma maneira. Os ingredientes que constituem a única maneira do mover do Senhor são oração e o Espírito que resultam na Palavra. Todavia a prática está associada ao nosso falar e pensar. Em sua Primeira Carta aos Coríntios, Paulo exorta os irmãos para que falem a mesma coisa: “Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer” 1Co 1:10

Somos claramente exortados a falar a mesma coisa. Dentro da igreja local não pode haver mais de um falar. Não estou dizendo que devemos ter o mesmo gosto e opinião sobre as coisas naturais, de fora da igreja, mas sim que, quando se trata das coisas da igreja, o nosso falar deve ser o mesmo. Quando um irmão resolve falar algo diferente, a unanimidade é quebrada e já não conseguimos seguir o mover.
Para que possamos ter uma mesma palavra, precisamos antes ter um mesmo pensar. É o que Paulo exorta aos filipenses: “Completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento” Fp 2:2

Não podemos e nem queremos pensar a mesma coisa com respeito a uma infinidade de coisas naturais, mas, quando se trata das coisas do Espírito, precisamos todos pensar a mesma coisa a ponto de sermos unidos de alma.

Que significa dizer que temos todos uma só mente? Isso quer dizer que “logo já não sou eu (...) mas Cristo [que] vive em mim Gl 2:20.

É Cristo, o Cabeça, vivendo em mim. É interessante observar que tanto o falar quanto o pensar são funções da cabeça e não do corpo. Como corpo, temos de seguir um único pensar e um único falar da cabeça que é Cristo.

Essência e Expressão

“Dizendo: O que vês escreve em livro e manda às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro.” Ap 1:11-12

“Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas.” Ap 1:20

Apocalipse diz que Deus é a luz e o Cordeiro é a lâmpada (Ap 21:23), mas agora sabemos que a igreja é o candelabro que sustenta esta lâmpada. A função da igreja é sustentar o testemunho. Esse é o propósito. Aqui vemos Cristo andando no meio dos candelabros de ouro. Esses candelabros possuíam algumas características. Em primeiro lugar, os candelabros eram de ouro. Em tipologia, o ouro simboliza a natureza divina, a unção e a glória de Deus. Isso significa que eles tinham a mesma essência. A essência de tudo o que fazemos em nossa igreja é ouro. Para nós, a presença e a unção do Espírito são vitais em nossas reuniões, aulas, aconselhamentos e tudo o mais. Qualquer líder ou irmão que não valorize essa essência não entendeu que ela é fundamental para sermos um único candelabro. A unanimidade depende de todos fluírem na mesma unção.
Em segundo lugar vemos que estes candelabros estão resplandecendo no meio das trevas desse mundo. Há uma expressão de glória visível a todos. A expressão deles é a mesma. Isso significa que, apesar de sermos milhares de células na cidade, ainda assim precisamos ser uma única expressão. Muitos líderes ainda são independentes e vaidosos e procuram fazer com que a sua célula seja diferente. Às vezes, não seguem o ensino proposto, outras vezes se abrem para práticas estranhas a nós, o que produz mais uma vez a quebra da unanimidade. Poucas pessoas têm o discernimento da importância de termos uma voz unânime para seguirmos o mover de Deus, mas isso é absolutamente fundamental. Se quisermos colher frutos em uma medida como ainda não vimos, precisamos trabalhar em todos esses pontos: um só ensino, uma só prática, um só pensar e falar, bem como uma só essência e expressão.

“Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias, completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento.” Fp 2:1-2

“Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum.” At 4:32

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