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21 Dias de Jejum para a Unidade e Multiplicação

Capítulo 6

A unidade no exército

Pois também se a trombeta der som incerto, quem se preparará para a batalha? 1Co 14:8

Ninguém considera uma batalha como algo sem importância, insignificante. Ao travar uma batalha, um exército precisa de moral, de união para a luta. A fim de manter esse moral, é preciso eliminar até mesmo a pequena dissensão sobre o menor assunto. Se aquela pequena conversa não for eliminada, o moral será anulado e conseqüentemente a unanimidade será destruída. O resultado é que, por falta do moral, o exército pode perder a batalha.
Tudo isso nos mostra a seriedade do ministério na casa de Deus. É ele quem faz soar a trombeta para o exército sair para a guerra (Nm 10:9; Jz 7:18). O trombetear para a guerra é um símbolo do liberar da Palavra hoje no meio da Igreja. Ignorar a palavra ministrada é o mesmo que ignorar a trombeta soada para a batalha. Se os soldados começassem a discutir sobre a trombeta em vez de obedecerem ao comando, o inimigo certamente os derrotaria.
Temos de perceber que a igreja do Senhor é um exército combatente. Estamos fazendo algo mais sério do que qualquer batalha na terra. Estamos lutando contra satanás, o inimigo de Deus.

A igreja é o exército de Deus e isso está muito claro no livro de Efésios, que mostra muitas ilustrações da Igreja como: o corpo de Cristo, a família de Deus, o edifício de Deus e o novo homem. Mas, ao final do livro, Paulo diz que a Igreja é também um exército para combater o inimigo. Ele nos mostra claramente como deve ser a armadura desse exército. A Igreja não é um mero grupo de pessoas reunidas para um culto, mas sim o exército de Deus posicionado em um tempo de guerra para trazer o reino de Deus à Terra.

A Igreja certamente é o exército do Senhor e a característica mais marcante de um exército é o respeito à autoridade. Sem autoridade e submissão, não há como um exército seguir para a batalha. O mesmo princípio se aplica à Igreja. Quando não há uma ordenação clara de autoridade, não podemos prevalecer contra o inimigo. Onde há rebeldia e insubmissão, na verdade, o inimigo já tem levado vantagem. Um cidadão pode dizer muitas coisas e criticar o governo ou as forças armadas, mas quando ele entra no exército e se torna um soldado, ele perde o direito de dizer qualquer coisa. É possível debater e até brigar no senado, mas até um senador, ao se tornar um soldado, precisa ficar quieto. Não há som incerto no exército. A igreja e o ministério não são como o senado, onde qualquer um chega e expressa sua opinião. No ministério, nós somos completamente preenchidos com um espírito de luta, de batalha espiritual. Isso evidentemente não significa que os pastores controlam as pessoas, mas significa que os membros entendem esse princípio e espontaneamente se submetem à liderança na Casa de Deus. Entender o espírito de guerra espiritual em que vivemos implica também em reconhecer que o ponto central do exército é a submissão. Se já temos o espírito de guerra, precisamos agora receber o espírito de submissão. Somente pela submissão podemos ser um exército unido na batalha, com um moral elevado pela unanimidade. Muitos não têm percebido como o inimigo sorrateiramente tem infectado a igreja com o espírito de rebeldia disfarçado em críticas e opiniões aparentemente inofensivas e até bem intencionadas. É tempo de nos unirmos para a peleja e eliminarmos toda dissensão entre nós.
Você se considera uma pessoa submissa? Gostaria de expor alguns pontos que mostram as características de uma pessoa realmente submissa. Lembre-se que somente irmãos submissos à autoridade podem ser úteis na obra de Deus e que a insubmissão destrói a unanimidade, impedindo-nos de avançar no mover do Espírito.

Sinais da pessoa submissa

A maioria das pessoas na igreja se considera submissa, mas qual é o nível dessa submissão? Se um pastor exorta uma irmã por causa de seu namoro com um incrédulo e ela simplesmente rejeita a exortação, ela está sendo rebelde. Se um líder recebe a orientação para ministrar em sua célula o esboço da edificação e, de forma independente, ele resolve seguir outra direção, está sendo rebelde. Mas quantos admitem serem rebeldes nessas situações? Eles imaginam que podem simplesmente ignorar a direção do pastor e agir com independência, mas o que não percebem é que aquela rebeldia está minando a unidade da igreja como exército. Ignorar orientações, não executar as direções dadas, rejeitar convocações espirituais, falar mal dos pastores ou permitir que outros o façam, essas são expressões comuns de rebeldia entre nós, mas quantos possuem sensibilidade espiritual para perceber isso? Qual soldado ignora as ordens de seu comandante? Isso não acontece porque eles entendem o que é submissão. Todavia, no exército da Igreja, às vezes temos de implorar para alguns obedecerem a uma ordem. Precisamos mostrar a eles todas as vantagens e tudo o que eles podem ter se obedecerem à direção dada.
Imagine se um capitão tivesse de parar para persuadir um soldado cada vez que tivesse de lhe dar uma ordem? Todavia, hoje, na igreja, as pessoas somente se submetem se concordarem com a direção, ou visão, da liderança. Ora, se apenas nos submetemos quando concordamos é porque não nos submetemos, apenas fazemos o que achamos melhor. Que o Senhor nos abra os olhos nestes dias para termos revelação da autoridade no Exército de Deus.

1. Ele reconhece facilmente a autoridade

Quem tem revelação da importância da autoridade não vive solto e sem restrição. Ele busca se submeter de coração e não apenas por obrigação. Há muitas autoridades na Igreja. Elas estão acima de você e você tem de aprender a submeter-se a elas. Uma pessoa submissa reconhece a autoridade quando a encontra. Ao encontrar a autoridade em outra pessoa, ela procura se submeter imediatamente; não fica analisando com cuidado, antes de se submeter a ela, para depois decidir se tal pessoa é digna de submissão. Se você pára para pensar se uma pessoa é digna de submissão, então você está lidando com pessoas e não com o princípio da autoridade espiritual que procede de Deus. Se você nunca encontrou alguém suficientemente bom e capaz para ser autoridade sobre você, essa é a prova de que você é rebelde e arrogante. Aquele que é submisso sabe que a sua submissão não depende da perfeição do líder, mas da autoridade que lhe foi delegada. Ele sabe também que aquele que se rebela contra um líder se levanta contra toda a autoridade da igreja local e, no final, se levanta contra o próprio Deus, pois as escrituras afirmam que toda autoridade procede de Deus. Paulo diz:

“Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação.” Rm 13:1,2

2. Uma pessoa submissa não é independente

Ser independente é achar que ninguém é autoridade sobre si e que se é auto-suficiente e se pode fazer qualquer coisa na igreja sem o conselho e a orientação de ninguém. Você consegue perceber a arrogância dessa atitude? Todo rebelde é também muito arrogante. Infelizmente, temos até mesmo líderes de célula independentes. Fazem o que bem entendem como se não tivessem de prestar contas a ninguém, rejeitando a instrução e a exortação. Não estou sugerindo que você seja dependente de pessoas ou de líderes. O que quero dizer é que você precisa prestar contas dentro da igreja. Não somos independentes, somos ligados uns aos outros como os membros do corpo. Aprecio o seu desejo de liderar uma célula, mas é triste quando o vemos abrir uma célula de forma independente e desconcatenada do corpo. Independência é um grande sinal de rebeldia.
Deus não aceita fogo estranho. Lembra-se de Nadabe e Abiú? (Lv 10:1,2) Eles ofereceram fogo estranho diante de Deus e foram consumidos. Fogo estranho é aquele que tem origem em nossa presunção e independência.
Com relação à submissão, o pecado pode ser de dois tipos; presunção e desobediência. Desobediência quando Deus nos manda fazer algo e não fazemos; presunção quando Deus não mandou e fazemos assim mesmo.
O trabalho deve ser uma coordenação de autoridade. Deus havia estabelecido Arão como sumo sacerdote e seus filhos sob a sua liderança. Observe que Levítico fala de Arão e seus filhos (Lv 8 e 9). Quando os filhos resolveram oferecer sacrifícios fora da coordenação de seu pai, aquilo se tornou fogo estranho e o resultado foi morte.
A conseqüência imediata da rebeldia é a morte. Qualquer pessoa que sirva a Deus sem discernir a autoridade oferece fogo estranho. Quando você age de forma independente, fora da coordenação da autoridade na igreja, você está oferecendo fogo estranho, mesmo que esteja fazendo algo como liderar uma célula.

3. Aquele que conhece autoridade não procura ser autoridade

Na igreja, sempre existem aqueles que procuram posição, mas fogem da responsabilidade. Há aqueles que procuram status e títulos e presumem que a autoridade seja algo para se desfrutar. Aquele que conhece autoridade não busca ser autoridade porque entende que, junto a ela, vem a responsabilidade diante de Deus.
Aquele que é submisso procura cuidar do seu líder porque entende o peso espiritual da função que o líder exerce. Ele procura ser alívio e não um peso a mais, procura ser parte das soluções e nunca dos problemas. Os rebeldes procuram dificultar a vida do líder porque querem que ele pague algum preço pelo status que possui. Isso mostra que a rebeldia sempre vem acompanhada da inveja. Todo rebelde inveja a posição do líder, por isso tenta minar a sua autoridade. Ele supõe que, se provar a incapacidade do líder, todos vão perceber que ele é que deveria estar em uma posição elevada. São pessoas naturais e egocêntricas, sem encargo algum pelo coração de Deus.
Tenha muito cuidado. Todo esse processo começa quando começam a perceber muitos erros cometidos pelo líder e começam a falar como as coisas estão ruins e poderiam ser melhores. No momento seguinte, começam a pensar que seriam capazes de fazer melhor do que o líder. Enchem-se de opiniões e críticas, supondo serem capazes de fazer melhor do que ele.
Depois, vem a indagação: “Se eu vejo os erros e posso fazer melhor, porque ele ainda é o líder? Se não posso tomar o lugar dele, também não preciso me submeter a ele”. Esses são os estágios normais do pensamento rebelde. Lembre-se que todo rebelde é também invejoso, como foi lúcifer, que quis subir acima das mais altas nuvens porque teve inveja do Altíssimo.

4. Aqueles que são submissos são tardios para opinar

Aqueles que rapidamente emitem a sua opinião mostram um coração independente e uma vaidade de expor constantemente suas considerações. Tal vaidade e independência mostram um coração que tem dificuldade de se submeter. Aquele que é submisso deseja ouvir a opinião da autoridade antes de expor a sua própria e só o fará se realmente for contribuir para ajudar a resolver problemas.
Pessoas cheias de opiniões na verdade querem ter autoridade, mas nem entendem como a autoridade é estabelecida. Uma pessoa torna-se autoridade na obra do Senhor por conhecer a vontade, a mente e os pensamentos de Deus. Não nos tornamos autoridade baseados em nossas próprias opiniões e idéias, mas sim compreendendo a vontade de Deus. Nunca devemos esperar que as pessoas se submetam à nossa própria opinião, elas nos seguem porque percebem que falamos aquilo que é a mente e a vontade de Deus.
A extensão de nossa autoridade é a exata medida do nosso conhecimento da vontade de Deus. Ninguém é reconhecido como autoridade na igreja porque tem muitas opiniões ou idéias inteligentes. Na verdade, o que mais tememos na igreja são aquelas pessoas que se julgam inteligentes e presumem ter idéias e opiniões superiores. Quando for dar uma opinião, fale da parte de Deus o que está na mente dEle. Ninguém quer saber a sua opinião. Na verdade, nem Deus quer saber a sua opinião, mas todos desejam saber o que vai no coração do Pai. É triste dizer, mas, no mundo todo, o único que aprecia a sua opinião é você mesmo. A Casa de Deus é edificada quando alguém fala da parte de Deus.

5. A pessoa submissa é muito sensível a rebeliões e iniqüidades

A pessoa que conhece a autoridade sabe o quanto a rebelião contamina. Na verdade, o homem submisso é aquele que foi tratado por Deus em sua rebeldia. Por isso, ele sente temor quando percebe outros agindo dessa forma, pois sabe o custo do tratamento.
Mas o que você sente quando alguém age com rebeldia? Fica do lado dela? Concorda com suas idéias? Fica calado? Infelizmente, é um fato da vida que Jacó sempre vai procurar Labão e Maria sempre vai procurar Isabel. Os semelhantes se atraem no mundo espiritual, o profundo atrai o profundo, mas o raso atrai o superficial.
Certa vez, um de nossos obreiros recebeu uma cantada maliciosa de uma mulher. Ele ficou indignado e veio me contar o ocorrido. Eu o elogiei pela sua indignação, mas lhe fiz a seguinte pergunta: “Por que a mulher se sentiu à vontade para falar com você essas coisas?”. É a mesma pergunta que faço àqueles irmãos que constantemente estão envolvidos com pessoas rebeldes. Se pessoas rebeldes sentem liberdade para falarem mal da autoridade perto de você vezes seguidas, deve ser porque você concorda com as idéias delas. Mesmo o seu silêncio é uma concordância.
Se você não é sensível para perceber quando alguém está sendo rebelde, isso significa que a rebeldia ainda não foi tratada por Deus em sua vida.

6. Aquele que é submisso consegue levar os outros à submissão

A primeira lição de um servo de Deus é submeter-se à autoridade. Precisamos ver que há autoridade em todo lugar: em casa, na escola, no trabalho, na sociedade etc. O problema é que muitos vêem a submissão como um castigo ou punição, uma vez que Deus disse à Eva, em Gênesis, que ela deveria se submeter a Adão depois da queda. Precisamos, porém, reconhecer que a autoridade já existia antes da queda e, portanto, a submissão também.
Nesse processo de crescimento, precisamos adquirir um espírito de submissão e também precisamos ser treinados na submissão. Somos treinados andando com pessoas submissas. Pessoas submissas passam o espírito de submissão, assim como pessoas rebeldes infectam a igreja com o espírito de rebeldia.
Tome hoje uma nova posição em sua vida. Rejeite todo espírito sutil de rebeldia. Além disso, posicione-se para guardar a igreja. Cabe a cada soldado zelar pela unidade do exército. Não admita que ninguém aja com rebeldia dentro de sua célula. O Espírito Santo está trabalhando para produzir em nosso meio uma santa unanimidade. Como exército, o que se espera de nós é um moral forte e elevado e que caminhemos juntos em submissão à autoridade.

“Ajunta-os um ao outro, faze deles um só pedaço, para que se tornem apenas um na tua mão.” Ez 37:10

“Correm como valentes; como homens de guerra, sobem muros; e cada um vai no seu caminho e não se desvia da sua fileira. Não empurram uns aos outros; cada um segue o seu rumo; arremetem contra lanças e não se detêm no seu caminho.” Jl 2:7-8

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