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O poder da confissão. Parte 3. A disciplina da confissão. Pr. Edenir Araújo. Fl 2:12 - Culto de Celebração - 28/06/15

“Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (Filipenses 2:12)
“A confissão de obras más é o primeiro começo de obras boas.” - Agostinho de Hipona

No coração de Deus está o desejo de perdoar e amar. Por isto ele pôs em ação todo o processo redentor que culminou na cruz e foi confirmado na ressurreição. Nesse processo a palavra de Deus precisou ser liberada de maneira viva. Lembre-mos que a palavra já existia antes de Jesus, mas ela era morte. A Lei nos foi dada como condenação e morte por que ninguém pode cumpri-la. Mas quando a palavra da lei não foi suficiente para salvar a humanidade, a palavra viva, o verbo vivo se fez carne e habitou entre nós. E na cruz aconteceu a maior confissão intercessória de todos os tempos: “Pai perdoa-lhes pois não sabem o que fazem.”

O Gólgota resultou do grande desejo divino de perdoar, mas não poderia acontecer sem que houvesse confissão. Jesus viu que mediante seu sofrimento vicário ele poderia realmente assumir todo o mal da humanidade e assim curá-la, perdoando-lhe.

A disciplina da confissão não é uma questão psicologica ou terapêutica. Ela é muito mais do que isso porque realiza uma mudança objetiva em nosso relacionamento com Deus e o nosso próximo. É um meio de curar e transformar a nosssa disposição interior.
A confissão que num primeiro momento te levou à salvação, agora pode te conduzir por um caminho de aperfeiçoamento.
“Mas eu pensava que o sacrifício de Cristo na cruz tinha algo que ver com a salvação apenas”, pode você dizer. Sim isso em partes está correto. Mas a salvação, de acordo com a Bíblia, refere-se a muito mais do que a questão de quem vai para o céu ou quem se tornará cristão. Aos convertidos, Paulo disse: “Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (Filipenses 2:12).
“Digo, pois, que, durante o tempo em que o herdeiro é menor, em nada difere de escravo, posto que é ele senhor de tudo. 2 Mas está sob tutores e curadores até ao tempo predeterminado pelo pai.” Gl 4:1-2
Num sermão intitulado “O Arrependimento dos Crentes”, João Wesley falou da necessidade de os cristãos receberem como herança mais da graça perdoadora de Deus dia após dia. A Disciplina da confissão pode ajudar o crente a crescer “à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Efésios 4:13).
“Mas não é a confissão uma graça em vez de uma Disciplina ou esforço próprio?” Ela é ambas. A menos que Deus conceda a graça, não há confissão autêntica. Mas é também uma Disciplina, porque há coisas que devemos fazer. É um curso de ação conscientemente escolhido que nos conduz à sombra do Todo-poderoso.
Antes, no início da minha caminhada cristã, eu pensava que confissão fosse um assunto privado entre o indivíduo e Deus. Aqui também a afirmação não está errada, mas também não está completa. Com relação à confissão damos  graças pelo ensino da Reforma, de que há “um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Timóteo 2:5).
Mas também somos gratos pelo ensino bíblico, cujo apreço se renova em nossos dias, enquanto além de confessarmos a Deus “confessamos os nossos pecados uns aos outros, e oramo uns pelos outros...” (Tiago 5:16). Ambos se encontram na Bíblia, e um não exclui o outro.
Achamos a confissão uma Disciplina tão difícil em parte porque vivemos a comunidade dos crentes com uma comunhão de santos antes de vê-la como uma comunhão de pecadores. Chegamos a sentir que todos os outros progrediram tanto em santidade que nos encontramos isolados e sozinhos em nosso pecado. Ou de maneira oposta, pensamos que somos mais santos que os nossos irmãos. Assim, escondemo-nos uns dos outros e vivemos em mentiras veladas e em hipocrisia.
Se, porém, sabemos que o povo de Deus é, antes de tudo, uma comunhão de pecadores, estamos livres para ouvir o incondicional chamado de amor de Deus e confessar nossa necessidade abertamente diante dos irmãos e irmãs. Sabemos que não estamos sozinhos em nosso pecado. O medo e o orgulho que se apegam a nós como cracas, apegam-se aos outros também. Somos pecadores juntos. Em atos de confissão mútua, liberamos o poder que cura.
Nossa condição humana já não é negada mas transformada.
Quem não confessa pecados, nega sua condição. Quem confessa pecados passa por transformação.
Consequências da confissão de pecados na vida do crente:
1.     A confissão trás o perdão.
Sim! A confissão trás perdão quando confessamos nossas iniquidades e pecados a Deus. O ato de confessar também prepara o caminho para que sejamos perdoados pelo nosso próximo.
2.     A confissão trás a reconciliação.
Um vez que o pecado foi exposto através da confissão, um caminho é desimpedido para a reconciliação.  Lembremos dos irmãos de José do Egito. Gn 50:15-21
3.     A confissão trás comunhão.
Restaura o relacionamento do pecador com Deus e seu próximo.
4.     A confissão trás o poder do acordo.
A confissão produz despertament gerando concordância.   
5.     A confissão trás unidade.
Da mesma maneira que o pecado não confessado trás separação entre Deus e os homens, a confissão restaura a unidade.
6.     A  cofissão trás luz.
Confessar pecados é uma maneira de expor a luz de Deus neste mundo.

“Determinação de evitar o pecado” é o terceiro elemento de uma boa confissão.

A Disciplina da confissão põe termo ao fingimento. Deus está chamando à existência uma igreja que possa confessar abertamente sua frágil condição humana; uma igreja que conhece não só a graça perdoadora de Cristo mas também a graça de Cristo que lhe dá autoridade. A honestidade conduz à confissão, e a confissão conduz à mudança. Possa Deus conceder à igreja, mais uma vez, a graça de recobrar a Disciplina da confissão.

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