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Obrigado, Google!

Josué Ebenézer de Sousa Soares
Publicado em 01.09.2009

O que é o Google? Uma ferramenta de pesquisa para Internet. Muito útil, mas que, se incorretamente utilizada, pode ser um caos para a educação moderna. A quantidade de estudantes e pesquisadores que se utiliza desta e de outras ferramentas disponíveis é quase que incalculável.
Ouvi de um pregador num auditório onde haviam várias igrejas representadas, a história de um seminarista que na formatura levantou uma faixa com os dizeres em epígrafe. Erro do seminarista. Erro do orador, que contou o causo em tom de chacota. Vivemos na era da superficialidade. Do enaltecimento do erro e do desvio; da busca das coisas fáceis e da apropriação das idéias alheias sem dar os devidos créditos.
Os tempos modernos engendram uma cultura da farsa, da máscara. Estudantes que acessam a Internet com o intento de sugar o já feito, apropriar-se do suor do outro, daquele que já pensou, já refletiu, já elaborou conceitos e idéias, não estão levando a sério a vida acadêmica e, conseqüentemente, não serão profissionais respeitáveis em suas áreas de trabalho.
Além disso, como justificar um comportamento como esse, proveniente de alguém que está sendo encaminhado para o ministério pastoral, onde valores e princípios devem ser buscados e preservados? É eticamente reprovável aceitar as facilidades da tecnologia cibernética moderna para galgar novas etapas, cumprir com facilidade obrigações estudantis e avançar para os passos seguintes, sem que isto represente um esforço próprio e signifique apropriação de conhecimentos.
Quero fazer três considerações básicas sobre a questão, que entendo serem úteis não só para estudantes que tenham princípios cristãos, mas para aqueles que de modo geral estão interessados em buscar um conhecimento sadio e honesto.
Primeiro, a cópia de conteúdos não gera conhecimentos. É ignorância basear-se na cópia de conteúdos para cumprir requisitos necessários à aprovação em disciplinas acadêmicas. Nos tempos anteriores à Internet, ainda se tinha o concurso da "cópia manuscrita/datilografada de conteúdos" que, somada à leitura dos mesmos para efetuar a tal cópia, expunha o conteúdo em dois momentos distintos para o copista. Com o advento da Internet basta o uso das teclas Ctrl + C e Ctrl + V para a impressão de conteúdos que sequer foram lidos. Conhecimento se constrói com leitura, reflexão e assimilação de conteúdos. A tecnologia internética é avessa ao conhecimento e emburrece a classe estudantil à medida que não leva o indivíduo a exercitar a leitura, a reflexão e o cruzamento de dados, processo tão importante ao conhecimento.
Segundo, os mestres não podem ser relapsos com seus alunos. No frenesi moderno, em que a educação brasileira se tornou um subemprego, professores precisam acumular contratos em várias instituições de ensino para reforçar o orçamento doméstico. Neste esquema, mal têm tempo para deslocar-se entre os estabelecimentos de ensino e não podem dar a devida atenção aos testes, trabalhos e pesquisas recomendados aos seus pupilos. Algumas escolas solicitam dos alunos uma "introdução" e uma "conclusão" aos trabalhos pedidos, criando, desta forma, um mecanismo de controle do conteúdo apresentado. Neste caso, ocorre a admissão de que o trabalho é originário da Internet, o que, por si só, já é um erro. O fato de o professor procurar na "introdução" e na "conclusão" a intervenção do aluno é pouco para o conhecimento pretendido. Dessa forma, o processo ensino-aprendizagem fica prejudicado e o aluno, por falta de leitura, ingressa no mercado de trabalho e na vida adulta sem a bagagem necessária para o enfrentamento das circunstâncias da vida. Entra-se, então, no círculo vicioso daquilo que já ouvi alhures: os professores fingem que ensinam, enquanto os alunos fingem que aprendem...
Terceiro, o pequeno desvio é o pai da grande fraude. Sem princípios e valores norteadores da vida; sem exemplos de vida dos gestores da educação; sem parâmetros adequados para se conduzir o processo de aprendizagem; nossos alunos ficam sujeitos a repetição de erros, criando-se uma normalidade altamente nociva para a educação brasileira. A sociedade, através dos meios de comunicação de massa, grita por maior moralidade na política nacional e tenta entender tanta corrupção, suborno e desvios entranhados na cultura nacional. Tudo começa, porém, nos pequenos delitos que a sociedade tampa os olhos para não ver, mas que vai inoculando a desgraça da corrupção nas veias morais da brasilidade. O brasileiro cresce acostumado a "levar vantagem em tudo". Não há a preocupação de se estabelecer princípios morais (até porque alguns mais "modernosos" os reputam por antiquados) e o caos se torna cada vez mais grave. O incremento da violência, do consumo de drogas, da banalização do sexo (com conseqüente aumento dos casos de assédio sexual, gravidez na adolescência, pedofilia e toda sorte de crime sexual), do aborto, da ilegalidade e da crise de autoridade tem a ver com os pequenos desvios (como o caso da "cópia" escolar) que não são devidamente disciplinados e que, entranhados no inconsciente coletivo nacional, constroem uma sociedade corrupta que se prepara para a grande fraude da vida:
- Existir é uma hipocrisia! Às "cucuias" com a educação...

Obrigado, Google, por expor as entranhas da moralidade brasileira e o que se vê não é nada animador.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o sitewww.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

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