20120116

Vencendo a orfandade. Jo 14:1:18. Pr. Edenir Araújo - Culto de celebração - 15/01/12

1 Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. 2 Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. 3 E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também. 4 E vós sabeis o caminho para onde eu vou. 5 Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais; como saber o caminho? 6 Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. 7 Se vós me tivésseis conhecido, conheceríeis também a meu Pai. Desde agora o conheceis e o tendes visto. 8 Replicou-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta. 9 Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai? 10 Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras. 11 Crede-me que estou no Pai, e o Pai, em mim; crede ao menos por causa das mesmas obras. 12 Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai. 13 E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. 14 Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei. 15 Se me amais, guardareis os meus mandamentos. 16 E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, 17 o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós. 18 Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros. Jo 14:1-18

Muitos crentes não tem uma consciência apurada sobre a importância de se ter um pai espiritual. Isso acontece porque vivemos um tempo de orfandade. Há uma falta tremenda de paternidade em nossa sociedade, e isso se reflete dentro da igreja. O Brasil tem 30% de sua população sem o nome do pai na identidade. Como eu disse esse problema reflete hoje a realidade das nossas igrejas. A maioria dos cristãos não sabe dizer ao certo quem é seu pai espiritual. Não tem uma referência de pai na vida espiritual. Alguém que é modelo e ministre sobre sua vida. Alguns até são acompanhados por algum líder, eles dizem: "Eu congrego em determinada igreja, meu pastor é o fulano de tal", mas na verdade não são cuidados como filhos e por essa causa também não se sentem filhos. Outros até demonstram interesse e querem ser acompanhados, mas lhes faltam pais espirituais.

Um dos sentimentos mais inquietantes que o ser humano pode guardar na sua vida, no seu coração, é o da orfandade. A criança órfã, que não tem a presença do pai ou da mãe, cresce sem ter referencial algum. Muitas vezes, o pai, sendo vivo, pode até ser relapso, mas só pelo fato de se ter um pai como referencial de existência, a criança se sente segurança. Ainda que esse pai possa ser ausente ou omisso.

Para o órfão, não existe isso, porque aquele sentimento de proteção, aqueles braços fortes de amor e amparo e aquela palavra que muitas vezes coloca fronteiras e limites, não existem. Alguns caminham órfãos na idade adulta porque decidem abrir mão do cuidado e amor do pai, enquanto que outros, nem sequer chegaram a conhecer seu pai. Em ambos os casos, a situação é muito delicada. Só os que já experimentaram, sabem da dor da orfandade. No nosso país, este sentimento é intenso, pois atinge a muitas pessoas. Milhões de crianças e adolescentes perambulam pelas ruas das cidades. Muitos são órfãos de fato e verdade. Outros são “órfãos de pais vivos”, sem amor, sem cuidado, solitários.

Esse abandono, esse tipo de orfandade, pode ser avaliado estatisticamente. Na sua família, em nossa igreja, podemos saber quantos órfãos existem. Mas há outro tipo de orfandade em que os órgãos de pesquisa nem as estatísticas apontam; essa é a orfandade espiritual.

Existem milhões de crentes em Jesus que têm igreja, pastor, mas são órfãos espiritualmente. Pessoas cujo coração está vazio, completamente carentes de amor, de emoção, de afeto, de aconchego, de amizade, de encorajamento, solidariedade, de envolvimento. O semblante deles é triste. E normalmente os órfãos espirituais são tristes.

Incrivelmente este mesmo sentimento de orfandade está presente em todo e qualquer lugar onde existem crentes reunidos. As igrejas chamadas cristãs, da mais humilde e simples até a mais rica e abastada, sofrem deste mal.
Se conversarmos com as pessoas que têm um pai ou mãe espiritual, e que fazem da vida cristã algo prazeroso, nós perceberemos que o que dá tempero à vida é exatamente esse relacionamento entre pai e filho.

Em João 14.18, lemos: “Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós.” Foi o próprio Jesus quem dissera tais palavras aos seus discípulos acuados e temerosos, visto que ele em breve não estaria mais com eles em razão da iminência de sua crucificação. Mas havia a promessa da ressurreição. Daí, ele ter dito: “Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós.”
Os discípulos de Jesus tinham consciência sobre a importância de se ter um pai espiritual, de não ser um órfão espiritual. Na ocasião em que Jesus disse aos discípulos que iria partir para o Pai, e os discípulos logo pensaram: "Nós vamos ficar órfãos!" Mas logo o Senhor disse a eles: "Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós." Jo 14:18

Deus quer impactar as gerações. Não apenas uma geração, ou apenas algumas pessoas, mas ele quer transformar gerações. Daí a necessidade de não se haver órfãos espirituais, pos todas as vezes que a orfandade espiritual se manifesta o mover de Deus é interrompido.

Na experiência que Moisés teve com a sarda ardente, ele ouviu as seguintes palavras do Senhor: “...Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus” (Êxodo 3:6). O SENHOR se apresentou a Moisés em primeiro lugar como o Deus de seus pais e não de órfãos e depois como Deus de três gerações, ou o Deus de gerações.

Na Bíblia fica muito claro quando estudamos a vida dos grandes homens de Deus, que Deus sempre opera através dos pais para abençoar os filhos. Moisés e Josué Ex 33:11; Nm 11:28; Dt 34:9. Elias e Eliseu 1 Reis 19:19;21; 2 Reis 2:12; 2 Reis 2:9;15. Rute e Noemi Rt 2:19. Jesus e os discípulos. Paulo e Timóteo 1Tm 1:2; 1Tm 1:18; 2 Tm 1:2; 2Tm 2:1; Fp 2:19;23; 1 Cor 4:17. Pedro e João Marcos 1Pe 5:13

Deus escolheu trabalhar dessa forma, usando os pais como canais de bênçãos sobre os filhos. Essa é a causa de Deus ser conhecido como um Deus de gerações.

Abrindo um parênteses na mensagem, sem fugir do assunto é necessário que se levantem pais espirituais urgentemente, para que os órfãos sejam adotados, para que os que estão sem cuidado sejam acompanhados e investidos. Graças a Deus, nós estamos abrindo os nossos olhos para isso, estamos sendo despertados para erradicarmos a orfandade na nossa igreja. Muitos pais espirituais se multiplicarão em seus filhos espirituais. Líderes que deixarão um legado a seus filhos e aos filhos de seus filhos. “O homem de bem deixa uma herança aos filhos de seus filhos, mas a riqueza do pecador é depositada para o justo.” (Provérbios 13:22)

Precisamos de identidade

Precisamos de paternidade, pois a paternidade nos da identidade. Dentro das nossas igrejas, é preciso termos um senso de identidade. Quantas vezes já ouvi pais dizerem de seus filhos: "Nem parece que é meu filho", ou: "Eu não sei pra quem esse menino puxou?!?!"

Isso muitas vezes acontece porque falta exercer paternidade, falta aos pais revelação da importância do relacionamento entre pais e filhos. As últimas palavras de Deus no Velho Testamento foram: "ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição." Malaquias 4:6

A necessidade de Deus é que pais e filhos tenham relaciomento sadio.

Na oração modelo vemos Jesus ensinando a orar dizendo: "Pai nosso que estás no céu...". A mensagem é: Nunca se esqueçam, que eu quero que vocês sejam filhos.

Você pode estar se perguntando? Ser chamado de filho de Deus não é suficiente? Deixe-me mencionar uma passagem que irá nos ajudar. Em 1Jo 4:20 podemos ler: "Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê." 1 João 4:20

Vamos parafrasear: Se alguém não consegue ser filho de um pai que vê, como poderá ser filho de um pai que não vê!

Como é bom ter a certeza de que temos um Pai celestial, mas também alegrar-nos com a realidade de termos um pai espiritual, que é o nosso manto profético, a voz que fala na nossa vida. Isso é realmente muito confortador. Veja a expressão de Jesus: “Aquilo que Meu Pai Me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar”. João 10:29

Devemos ser filhos espirituais para que tenhamos uma identidade e também segurança. Um filho espiritual de um pai responsável nunca terá crise de identidade. Esse filho não desejará ser outra pessoa, mas desejará ser ele mesmo. Se eu sou filho, eu estou debaixo desta bênção.

No relacionamento que teve com Jesus, o próprio Deus nos deixou seu exemplo de como um pai amoroso levanta a auto-estima de um filho: “E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”(Mateus 3:17).

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