Atos, uma história inacabada! Parte 6 - O derramamento do Espírito Santo. At 2:1 a 13. Pr. Edenir Araújo - Culto de Celebração - 04/05/15



Atos, uma história inacabada. Parte 6

O derramamento do Espírito Santo. At 2:1 a 13

“1 Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; 2 de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. 3 E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. 4 Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. 5 Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu. 6 Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua. 7 Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? 8 E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? 9 Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judeia, Capadócia, Ponto e Ásia, 10 da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, 11 tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus? 12 Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto dizer? 13 Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados!” At 2:1-13

Introdução

O tema do livro de Atos é a expansão do corpo de Cristo pelo Espírito por meio do testemunho dos discípulos. A expansão do corpo de Cristo é a expansão do próprio Cristo através da Igreja. Se a igreja é o corpo de Cristo, a expansão da Igreja é a expansão de Cristo. Assim, podemos dizer seguramente que Deus está crescendo! Tal expansão, todavia, deve acontecer por meio da unção do Espírito na vida dos discípulos. Daí o Senhor dizer para que os discípulos esperassem até que fossem revestidos do poder do alto. O revestimento de poder aconteceu por meio do derramamento do Espírito, no batismo no Espírito Santo sobre um grupo de pessoas sedentas pelo cumprimento de uma promessa.

Após a salvação, todo crente precisa entender que a mensagem Bíblica não é uma individualista, mas coletiva. Sempre que um mover é estabelecido, é para a edificação de um povo, de um corpo. Por essa razão, nós sempre estamos enfatizando o valor da igreja. Os ensinamentos de Atos e demais epístolas paulinas, visam um fim proveitoso para a igreja. Em todos os capítulos de Atos vemos uma igreja dinâmica e apaixonada por Jesus e seu reino.

No dia de Pentecostes - v. 1

“Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar...”. At 2:1

O dia de Pentecostes era o quinquagésimo dia depois da ressurreição do Senhor. A palavra Pentecostes significa quinquagésimo. O Senhor foi crucificado na Páscoa (Jo 19:14). O Pentecostes era o quinquagésimo dia contado a partir do dia seguinte ao sábado da Páscoa (Lc 23:54 a 24:1).

Levítico 23:15-16 diz que os 50 dias do Pentecostes deveriam ser contados a partir do dia seguinte ao sábado da Páscoa. “Contareis para vós outros desde o dia imediato ao sábado, desde o dia em que trouxerdes o molho da oferta movida; sete semanas inteiras serão. Até ao dia imediato ao sétimo sábado, contareis cinqüenta dias; então, trareis nova oferta de manjares ao SENHOR.” Lv. 23:15-16

O Pentecostes era ainda chamado festa das semanas (Dt 16:10), por que acontecia sete semanas depois da Páscoa e festa da colheita (Ex 23:16). Jesus morreu numa sexta-feira às três horas da tarde e na própria sexta-feira foi sepultado. Segundo a forma dos judeus contarem os dias, a sexta foi o primeiro dia de sua morte, o sábado foi o segundo e o domingo, quando ele ressuscitou, foi o terceiro.

Sendo assim tanto a ressurreição quanto o Pentecostes aconteceram no domingo. O domingo deve ser um dia santo, tanto quanto foi para os primeiros cristãos.

O dia do Senhor

Todos sabemos que devemos separar um dia na semana para o Senhor. Este princípio foi estabelecido em Gênesis (Gn 2:2). Agora veja que o descanso de Deus não foi porque Ele estava cansado, pois Ele nunca se cansa. o descanso de Deus foi contemplativo. A melhor tradução seria dizer que no sétimo dia o Senhor contemplou toda a obra que fizera. Devemos então, separar um dia na semana para interrompermos nossas atividades comuns, a fim de santificarmos e consagrarmos nosso relacionamento com Deus. Observar o dia do Senhor é uma expressão de amor e gratidão por tudo o que Ele tem feito. É uma oportunidade para estreitarmos nossa comunhão com ele e nos deleitarmos nele. Este é o dia propício para nos alegrar em Deus mais do que nas suas bênçãos, porque o Senhor é melhor do que suas dádivas.

O sábado judaico era o dia do Senhor na velha aliança e rigorosamente seguido por Israel. Mas na nova aliança,  o sábado foi substituído pelo domingo, o dia do Senhor. O sábado marca o fim da obra da criação e o domingo o fim da obra da morte. Deus designou um dia inteiro em cada sete (Is 56:2-7), que era o sábado desde o princípio do mundo (Gn 2:3) até a ressurreição de Cristo e o domingo desde então, e será assim até Jesus voltar.

“2 Abençoarei o homem que tomar uma decisão firme de não trabalhar nos meus Dias de Descanso, e de não fazer o mal. 3 Essa promessa não é só para os judeus; é para as pessoas de outras nações que Me obedecem e vivem entre eles. É para os que perderam a capacidade de ter filhos também. Eles não serão separados do meu povo! 4 O Senhor promete a esses homens que não podem ter filhos: Se vocês guardarem os meus Dias de Descanso, fizerem a minha vontade, e obedecerem a minha Lei, 5 Eu lhes darei na minha casa, dentro dos meus muros, uma honra muito maior do que ter muitos filhos e filhas. Eu darei a vocês um nome eterno, que nunca vai ser esquecido! 6 Quanto a essas pessoas de outros povos, que se juntaram aos judeus, que amam ao Senhor e O servem, observando Dias de Descanso e obedecendo à Lei de Deus, 7 Eu mesmo as levarei ao meu santo monte e lhes darei grande alegria, na minha Casa de Oração. Aceitarei os seus sacrifícios e as suas ofertas queimadas, porque a minha casa será chamada Casa de Oração para Todos os Povos”. Is 56:1-7 (Bíblia VIVA)

A igreja cristã, ao longo dos séculos tem separado o domingo para o Senhor, para dedicar-se e consagrar-se a Deus e à sua obra, mas esse valor tem se esvaído para muitos cristãos. Hoje a conveniência de alguns é tanta que o primeiro dia da semana, que deveria ser separado ao Senhor e sua igreja como uma oferta de primícia, tornou-se o dia do descanso e entretenimento. Passeios e distrações são tidos como um meio de desestressar e aliviar a tensão provocada pelo acumulo de tarefas durante a semana. Todavia, os efeitos desse estilo de vida são pessoas frias e apáticas em nossos cultos, gente indisposta e alheia ao mover de Deus.

Os apóstolos estabeleceram o domingo como um novo começo. O domingo é o primeiro dia após o sétimo que é o sábado, mas também é o oitavo que representa o infinito na matemática e as 8 alianças que Deus fez com o homem. Até 2 séculos após a ressurreição de Cristo, a igreja se reunia no domingo pela manhã no nascer do sol. O culto acontecia por volta das 5:30h da manhã. Só no Brasil o culto mais importante é o da tarde ou noite. Eles celebravam a ressurreição e também a vinda do Espírito Santo na hora terceira. V.15

Não podemos desprezar a oportunidade de consagrar o domingo ao Senhor. Acredito que devemos celebrar adorando a Deus no domingo com uma atitude de gratidão, e isso deve começar logo pela manhã. Mas quantos querem pagar esse preço renunciando a si mesmos, seus prazeres e vontades?

Poucos com certeza! Conheço muitos irmãos que fazem do domingo, o dia do descanso, do entretenimento, do lazer, da diversão, menos do Senhor. O domingo deve ser uma oferta de primícia ao Senhor. Por 16 vezes no velho testamento Deus diz que o primeiro é dele. Paulo na carta aos Romanos orienta quanto a este princípio. E, se forem santas as primícias da massa, igualmente o será a sua totalidade; se for santa a raiz, também os ramos o serão.” Rm 11:16

Não quero ser chamado de “adventista do primeiro dia”, mas reconheço que se consagrarmos o primeiro dia ao Senhor, os demais dias da semana serão abençoados (Mt 6:33). Quando colocamos o Senhor na posição de honra, Ele nos coloca também no lugar onde devemos estar, no lugar da bênção. Se você não sente falta de reunir com a igreja do Senhor no domingo, alguma coisa está errada. Eu não me lembro quando foi a última vez que me ausentei de um culto no domingo, e já foram mais de 900 desde que me converti.

Você deve estar se perguntando: O que o Novo Testamento fala sobre o domingo? Bem, vamos lá:

·         Jesus morreu numa sexta e ressuscitou no domingo. (Jo 19 e 20)
·         Se ausentou por alguns dias e só no domingo seguinte, reapareceu aos discípulos. (Jo 20:26)
·         Em 1Co 15:20-23, Paulo chama Cristo de primícia, e essa primícia foi entregue no domingo.
·         O dia do pentecostes (cinquenta), que comemorava a segunda etapa da festa das primícias aconteceu em um domingo. (At 2:1-4)
·         Atos 20:7 nos diz que Paulo ceou com irmãos no domingo.
·         Num domingo, a igreja cristã se reunia para ofertar e adorar (1Co 16:1-2) e celebrar a ceia (At 20:7).
·         Vemos no velho testamento que o domingo também era o dia escolhido para entregar as primícias. (Lv 23:9-14)
·         Num domingo Jesus apareceu a João na Ilha de Patmos para trazer-lhe a revelação do Apocalipse. (Ap 1:10)

Tenho saudades dos tempos em que eu e minha esposa recebemos a Cristo como Salvador de nossas almas. Congregávamos em uma denominação onde logo às 9h da manhã do domingo, estudávamos a palavra de Deus na EBD (Escola Bíblica Dominical). No término da EBD, saíamos para evangelizar e visitar os irmãos que estavam distantes da igreja local. Almoçávamos e logo em seguida, voltávamos para os ensaios de louvor, dança, etc. Voltávamos para casa por volta das 17h, para um banho rápido e logo retornávamos para o culto das 18:30h. Não me arrependo de ter dedicado todos os mais de 900 últimos domingos ao Senhor.

O primeiro em tudo deve ser sempre ser entregue a Deus. O domingo deve ser o dia do Senhor!

Li uma história de um freqüentador de igreja que escreveu para o editor de um jornal e reclamou que não fazia sentido ir à igreja todos os domingos. Ele disse: “Eu tenho ido à igreja por 30 anos e durante este tempo eu ouvi uns 3.000 sermões. Mas não consigo lembrar nenhum deles. Assim, eu penso que perdi meu tempo e os Pastores estão desperdiçando o tempo deles pregando sermões!” Esta carta iniciou uma grande controvérsia na coluna “Cartas ao Editor”, para prazer do Editor e Chefe do jornal. Isto foi por semanas, recebendo e publicando cartas no assunto, até que alguém escreveu este argumento: “Eu estou casado já há 30 anos. Durante este tempo minha esposa deve ter cozinhado umas 32.000 refeições. Eu não consigo me lembrar do cardápio de nenhuma destas 32.000 refeições. Mas de uma coisa eu sei; todas elas me nutriram e me deram a força que eu precisava para continuar vivendo com vigor. Se minha esposa não tivesse me dado estas refeições, eu estaria hoje fisicamente morto. Da mesma maneira, se eu não tivesse ido à igreja aos domingos para saciar minha fome e sede espiritual, eu estaria hoje morto espiritualmente.”

Para aqueles que querem descansar no domingo, leiam o que diz Miqueias 2:10: “Levantai-vos e andai, porque não será aqui o vosso descanso; por causa da corrupção que destrói, sim, que destrói grandemente.” Mq 2:10

Não quero generalizar, mas os que dizem que querem descansar no domingo, geralmente são preguiçosos e descompromissados para com as coisas espirituais. Salvo algumas exceções, os mesmos que querem descansar passam o dia na frente da TV, se enchendo de porcarias. Dormem o sono de Sansão no colo de Dalila. Tornam-se vulneráveis e geralmente manifestam carnalidades. Comem, bebem, e se embriagam com o entretenimento mundano. Gostei de um artigo publicado no informativo dos Atletas de Cristo com o título “Domingo sem desculpas”.

Assim dizia o artigo:

“Para aqueles que têm sempre alguma desculpa para matar os cultos de domingo, uma ótima notícia: A igreja está preparando para o próximo fim de semana o ‘Domingo Sem Desculpas’. Não percam! Saca só o que vai ter por lá nesse dia:
1. Camas para aqueles que dizem que domingo é o único dia em que podem dormir até tarde.
2. Capacetes de aço para aqueles que dizem: “Se eu entrar numa igreja o teto cai na minha cabeça”.
3. Cobertores para aqueles que acham a igreja muito fria.
4. Ventiladores para aqueles que acham a igreja muito quente.
5. Aparelhos de surdez para os que acham que o pastor fala muito baixo.
6. Protetores de ouvido para os que acham que o pastor grita muito.
7. Cartelas e lápis especiais para anotar os tantos defeitos dos irmãos presentes.
8. Alguns parentes à disposição para aqueles que gostam de fazer visita aos domingos.
9. Pratos congelados para as donas de casa que não podem passar um só domingo sem cozinhar.
10. Inauguração de um jardim “super ecológico” na igreja para os que curtem ver Deus na natureza. Com grama, árvores e pássaros. Naturais, é claro. (Publicado no informativo dos Atletas de Cristo No. 79).

O sopro e o vento.  V. 2

de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados.” At 2:2

A festa do Pentecostes era também chamada festa da colheita e simboliza o rico produto gerado pela ressurreição de Cristo. No Pentecostes temos o suprimento completo de Deus para todas as nossas necessidades, o Espírito Santo enviado para ser o nosso poder e a nossa vida. Como todas as verdades da Palavra de Deus, o sentido espiritual do Pentecostes tem dois lados: por um lado somos feitos lavoura de Deus a ser colhida no arrebatamento e por outro lado somos feitos ceifeiros revestidos de poder para colher a seara madura das almas no mundo. Gálatas 3:14 diz que a bênção mais importante do evangelho não é o céu e nem o perdão dos pecados, mas é o Espírito Santo vindo habitar em nós, nos encher e ser a nossa vida e poder. O Espírito Santo é o próprio Deus habitando dentro do homem. Ele é o selo da propriedade de Deus sobre nós, e é o penhor e antegozo da glória futura. Esse é o mistério oculto dos séculos e das gerações, Cristo morando dentro de nós pelo Espírito Santo. “Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido.” Gl 3:14

Deus sempre quis morar na terra. Na contramão disso, o homem espera pelo céu. Muitos querem subir, mas Deus quer descer.

No verso 2, o Espírito vem como um vento impetuoso. Depois da sua ressurreição o Senhor soprou o Espírito sobre os discípulos. O Espírito como sopro aponta para o Espírito Santo como vida. “E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.” Jo 20:22. Essa vida é a vida eterna, é a Zoe de Deus (Gn 2:7). Por outro lado o vento impetuoso que encheu a casa aponta para o Espírito como revestimento de poder. Essas São duas experiências distintas. A primeira experiência aponta para o novo nascimento, a regeneração, que acontece no dia da nossa conversão quando invocamos o Senhor. A segunda experiência aponta para o batismo no Espírito Santo quando o fogo de Deus nos enche de poder para testemunhar.

Precisamos ver claramente a diferença entre o sopro em João 20 e o vento em Atos 2. O sopro em João 20 visa a vida e o vento em Atos 2 visa o revestimento de poder. Alguns pensam que o sopro de João 20 não era um fato, mas uma representação que se cumpriu 50 dias depois no dia de Pentecostes. Tal conceito está errado. Em João o Espírito é comparado à água para beber. “Aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna.” Jo 4:14

“No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado.” Jo. 7:37-39

Atos dos Apóstolos logo em seu início, registra que a obra de Jesus foi continuada pelo Espírito Santo, através dos apóstolos. Eles, no entanto, não predominam no livro dos Atos, mas o Espírito Santo. Jesus é o assunto principal nos evangelhos e, em comparação, pouco é dito sobre o Espírito Santo. Mas, em Atos, o Espírito Santo é o Consolador, Ajudador, Mestre e força motriz para a glória e poder de Deus se manifestar. Tudo na vida e na pregação dos apóstolos e dos crentes primitivos se centralizava em Jesus como Salvador vivo e Senhor exaltado, mas também na unção do Espírito Santo como poder para continuarem vivendo de maneira vitoriosa.

O desejo de estender o Evangelho até os confins da Terra num primeiro momento era de Cristo (1:8),  mas quando o poder do alto revestiu os discípulos no cenáculo, eles se tornaram intrépidos e corajosos como Cristo. O mesmo poder do Espírito que havia ressucitado a Jesus, agora estava dentro dos discípulos pela imersão no fogo.

Revestidos pelo Espírito

Nos evangelhos, Jesus vem proporcionar um novo nascimento, mas em Atos o Espírito vem nos revestir para vivermos uma vida vitoriosa. Lucas e Atos compõe um mesmo livro, são um único volume, e o Espírito é comparado à roupa que vestimos. “Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.” Lc 24:49

A água da vida é para limpar o interior e o fogo é como uma roupa que reveste o crente para a obra exterior. Vamos ilustrar isso com um policial. Quando ele se levanta ele precisa beber ou comer algo para ter força. Isto é representado pelo Espírito como vida. Mas ele precisa colocar o uniforme para ter autoridade. O uniforme é o Espírito como poder.
Ter apenas a vida não garante autoridade. Há muitos crentes que de fato são nascidos de novo, mas que não possuem autoridade para testemunhar porque não são cheios do Espírito. Depois de ser revestido com o uniforme do Espírito Pedro pôde se levantar a falar com autoridade. Devemos rejeitar todo ensinamento errado sobre o Espírito Santo. O sopro é para vida e o vento é para o mover. O sopro nos dá força, mas o vento nos dá poder e autoridade. Do ponto de vista de nossa experiência talvez não percebamos diferença nenhuma, mas duas palavras no grego são traduzidas como encher no texto. No verso 2 diz que um vento “encheu” a casa, aqui o verbo usado é pleróo” que significa encher por dentro. Depois no verso quatro diz que todos ficaram cheios” do Espírito. A palavra usada aqui para cheio é plethó” que significa ser cheio por fora.

Todo crente precisa experimentar os dois aspectos do Espírito Santo. Mesmo o Senhor Jesus experimentou isso. Ele era nascido do Espírito (Lc 1:35, Mt 1:18 e 20) e também foi ungido com o Espírito Santo (Mt 3:16; Lc 4:18). Ele tinha o Espírito como vida e como unção. Lamentavelmente há muitos que possuem a vida, porém negligenciam a unção do Espírito.

Línguas de fogo - v. 3

“E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles.” At 2:3

No verso 3, lemos que línguas de fogo pousaram sobre cada um deles. A língua é um símbolo da fala, o que denota que o Espírito como poder é principalmente para falar. Ele é o Espírito que fala. O fogo simboliza o poder ardente que há no mover de Deus para purificar e motivar nos levando sempre a falar.

E passaram a falar em outras línguas - v. 4

Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.” At 2:4

Ainda que os homens entendiam o que os Apóstolos proferiam, as línguas podem ser interpretadas e não traduzidas. Nem sempre as línguas são dialetos como em Atos, mas podem ser ininteligíveis como I Coríntios 12 a 14.
Paulo disse que algumas línguas são celestiais (língua dos anjos 1Co 13). “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.” I Cor. 13:1
Elas podem se manifestar com gemidos inexprimíveis (Rm 8:26). “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis.” Rm. 8:26

É um princípio de Deus que as realidades e experiências espirituais têm manifestações naturais e físicas em nossas vidas. Por exemplo: Se realmente temos um amor divino, ele se revela por um amor aos irmãos. Os pensamentos dos nossos corações são expressos pelas nossas palavras. O verdadeiro arrependimento é expresso pelo batismo na água e confissão pública. E o recebimento do Espírito é manifesto pelo falar em línguas. Há uma diferença entre línguas como a evidência inicial do batismo do Espírito Santo e o falar em línguas como o “dom de línguas”.

Todos os casos em Atos onde se mostra alguém recebendo o batismo no Espírito Santo mostram que as pessoas falaram em línguas ao receberem o Espírito. Os exemplos bíblicos nos mostram que todos deveriam falar em línguas ao receberem o Espírito.

O exemplo do dia de Pestecostes. “Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.” Atos 2:4

O exemplo dos Samaritanos. “Então, lhes impunham as mãos, e recebiam estes o Espírito Santo. Vendo, porém, Simão que, pelo fato de imporem os apóstolos as mãos, era concedido o Espírito Santo, ofereceu-lhes dinheiro, propondo: Concedei-me também a mim este poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Espírito Santo.” At 8:17-19

O exemplo de Paulo. “Então, Ananias foi e, entrando na casa, impôs sobre ele as mãos, dizendo: Saulo, irmão, o Senhor me enviou, a saber, o próprio Jesus que te apareceu no caminho por onde vinhas, para que recuperes a vista e fiques cheio do Espírito Santo.” At 9:17
“Dou graças a Deus, porque falo em outras línguas mais do que todos vós.” 1Co 14:18

O exemplo de Cornélio. “Ainda Pedro falava estas coisas quando caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, que vieram com Pedro, admiraram-se, porque também sobre os gentios foi derramado o dom do Espírito Santo; pois os ouviam falando em línguas e engrandecendo a Deus.” Atos 10:44-46

O exemplo de Éfeso. “perguntou-lhes: Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes? Ao que lhe responderam: Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo. Então, Paulo perguntou: Em que, pois, fostes batizados? Responderam: No batismo de João. Disse-lhes Paulo: João realizou batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que vinha depois dele, a saber, em Jesus. Eles, tendo ouvido isto, foram batizados em o nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam.” Atos 19:2-6

Na maioria destes casos, é bem óbvio que eles não se submeteram às instruções do Senhor naquilo que se refere à maneira com que as línguas deveriam ser usadas para edificarem a assembléia. Todos eles, por exemplo, falaram ao mesmo tempo. Na primeira carta aos Coríntios 14:6, 23 e 27 vemos que isto está em desordem na igreja. Além disso, não havia interpretação, o que 1Co14:5 e 28 revelam como sendo impróprio também na reunião da igreja. Todavia, Paulo mostra que há também um falar em línguas dentre os vários dons que foram dados à Igreja para o ministério do Corpo. (1Co 12:10 e 30 além de 14:5 e 26)

Foi a confusão destes dois, aliás, que Paulo procurou corrigir na Igreja de Corinto. Alguns vinham às reuniões e falavam em línguas demasiadamente, sem nenhuma interpretação, produzindo abusos e confusão. Assim, Paulo esclareceu este problema mostrando que na reunião da Igreja cada pessoa deveria procurar edificar o Corpo (1Co 14:12); e que as mensagens em línguas dadas no Corpo deveriam ser interpretadas para que todos pudessem ser edificados (1Co 14:5 e 28).

Paulo esclarece, no entanto, que ele não está se referindo ao uso privado de línguas, nas orações e louvor deles ao Senhor (Ver 1Co 14:4,15,18 e 19). A isto ele chama de “orar no Espírito” e “cantar no Espírito” (V. 15) e confirma o fato de que deveríamos praticá-lo.

Fica claro diante de tantas passagens que quem tem o batismo e revestimento do Espírito santo fala! Por que você acha que tantas pessoas não falam das coisas concernentes a vontade de Deus? Não falam sobre o Reino, Biblia, santidade, discipulado, dízimo, oferta, igreja, etc. Assim, perpetuam o vazio existencial deixando de ser testemunhas vivas do poder de Deus.

“15 Portanto, vede diligentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, 16 usando bem cada oportunidade, porquanto os dias são maus. 17 Por isso, não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor. 18 E não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito, 19 falando entre vós em salmos, hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração, 20 sempre dando graças por tudo a Deus, o Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, 21 sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.” Ef 5:15-21

Nós só somos cheios quando falamos. Crente calado é crente vazio!

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