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A graça que o cego de Betsaida enxergou. Mc 8:22-26. Pr. Edenir Araújo - Culto de Celebração - 18/03/18


Muitos milagres foram operados por Jesus enquanto caminhou por essa terra. Os estudiosos dizem que 70% dos feitos de poder do Senhor está ligado a curas de enfermidades diversas, dentre elas a cegueira se destaca.

E com relação aos milagres de curas de enfermidades, grande a ênfase dada à cura da cegueira na Bíblia. A cegueira é na verdade uma alusão às pessoas que estão perdidas, cegos pelo deus deste século. A cura da cegueira é atribuída ao agir sobrenatural de Deus. A expressão “cair as escamas dos olhos” é quando uma pessoa passa a ver com clareza, o plano da salvação através da graça de Deus.

Cegos curados por Jesus

Há relatos bíblicos de pelo menos seis cegos que foram curados pelo Senhor. No entanto podemos ter certeza que muitos outros cegos foram curados por Jesus. João escreveu que:

Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas fossem relatadas uma por uma, creio eu que nem no mundo inteiro caberiam os livros que seriam escritos.” Jo 21:25

Dentro dessa compreensão, podemos dizer que muitos outros milhares de cegos foram curados por Jesus.

Agora veja que a ênfase que Jesus dava ao ministério de curar cegos foi predito pelos profetas, em especial pelo profeta Isaias.

Naquele dia, os surdos ouvirão as palavras do livro, e os cegos, livres já da escuridão e das trevas, as verão.” Is 29:18

“4 Dizei aos desalentados de coração: Sede fortes, não temais. Eis o vosso Deus. A vingança vem, a retribuição de Deus; ele vem e vos salvará. 5 Então, se abrirão os olhos dos cegos...” Is 34:4-5

“6 Eu, o SENHOR, te chamei em justiça, tomar-te-ei pela mão, e te guardarei, e te farei mediador da aliança com o povo e luz para os gentios; 7 para abrires os olhos aos cegos, para tirares da prisão o cativo e do cárcere, os que jazem em trevas.” Is 42:6-7

“Guiarei os cegos por um caminho que não conhecem, fá-los-ei andar por veredas desconhecidas; tornarei as trevas em luz perante eles e os caminhos escabrosos, planos. Estas coisas lhes farei e jamais os desampararei.” Is 42:16

Perceba que o profeta ao falar sobre o Messias, insiste em dizer que a vinda de Jesus estava diretamente ligada a trazer luz para os cegos. Isso por que os olhos são tão determinantes para seguirmos adiante.  O exercício da fé requer visão firme e sadia.

“Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, 2 olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé...”.

Ainda segundo o próprio Cristo, a importância de se ter uma visão clara, é que assim todo o nosso corpo pode ser afetado para melhor.

“22 São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso;
23 se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!” Mt 6:22-23

Quando falamos que Jesus veio curar a cegueira dos homens, isso vai muito além da cura física, essa cura aponta para a libertação da escuridão da lei, da justiça própria.

A graça que o cego de Batsaida Enxergou

22 Então, chegaram a Betsaida; e lhe trouxeram um cego, rogando-lhe que o tocasse. 23 Jesus, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia e, aplicando-lhe saliva aos olhos e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa? 24 Este, recobrando a vista, respondeu: Vejo os homens, porque como árvores os vejo, andando. 25 Então, novamente lhe pôs as mãos nos olhos, e ele, passando a ver claramente, ficou restabelecido; e tudo distinguia de modo perfeito. 26 E mandou-o Jesus embora para casa, recomendando-lhe: Não entres na aldeia.” Mc 8:22-26

O primeiro milagre de Jesus, envolvendo a cura de um cego foi o que ficou conhecido como a cura do cego de Betsaida. Esse homem enxergou a graça de Jesus de maneira clara e profunda. No contexto, Jesus e seus discípulos haviam acabado de entrar em uma aldeia chamada Betsaida que significa “casa do peixe”. Betsaida figura na lista das cidades descritas na Bíblia como impenitentes e sobre as quais Jesus lançou um lamento.

“13 Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom, se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido, assentadas em pano de saco e cinza. 14 Contudo, no Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras.
15 Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno. 16 Quem vos der ouvidos ouve-me a mim; e quem vos rejeitar a mim me rejeita; quem, porém, me rejeitar rejeita aquele que me enviou.” Lc 10:13-16

A palavra impenitente é aplicada para aquele que não demonstra arrependimento por seus erros e pecados. São os arrogantes e prepotentes que não se diminuem e nem se constrangem. Foi assim que Jesus definiu Betsaida, uma cidade incorrigível.

Esse lamento sobre a aldeia se deveu ao fato de que ali Jesus realizou muitos milagres. Muitas curas e milagres aconteceram no meio daquele povo, mas apesar de tudo isso, aquele povo permaneceu irredutível e fechado para o evangelho da graça de Deus. O povo dessa cidade foi comparado aos povos das cidades ímpias de Tiro e Sidom.

O cego foi tirado da cidade!

Nisso explica o fato de Jesus ter tomado o cego pela mão para tirá-lo da cidade. “Jesus, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia...”. Mc 8:23

Antes do milagre, Jesus leva aquele homem para fora daquele ambiente, pois milagres não acontecem em ambientes legalistas.

Em nossos dias é incrível, mas diante de tanta graça e bondade de Deus, muitos ainda desprezam a graça. E o pior, muitos criticam e zombam do que estamos pregando. O mundo está cada vez mais hostil quanto a graça por que está cheio de justiça própria, cheio de merecimento.

Igrejas legalistas

O cenário piora muito quando vemos crentes da velha aliança, desprovidos de graça pregando o legalismo maquiado de evangelho. Essas mensagens só geram medo e acusação. Quanto mais as pessoas ouvem esse tipo de mensagem mais desanimados ficam, mais pesarosas se tornam.

“Vês alguma coisa” - O que você está vendo? Essa foi a pergunta que Jesus fez àquele homem.

23 Jesus, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia e, aplicando-lhe saliva aos olhos e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa? Mc 8:23

Já fora da cidade, Jesus impõe as mãos sobre aquele homem usando o mesmo método da saliva que ele usou com o cego de nascença do tanque de siloé, mas algo muito interessante e até mesmo curioso acontece e que precisa ser entendido. Depois de impor as mãos sobre o cego, Jesus faz uma pergunta: Você está vendo alguma coisa?

Na palavra de Deus nada é por acaso

Cada uma das palavras de Jesus tem o seu propósito e os milagres de Jesus são instrutivos. O texto, e principalmente essa pergunta do Senhor nos mostra princípios espirituais importantes, por isso há muito por trás da pergunta que Jesus fez ao cego.

Veja que este homem não foi curado de uma vez, antes, foi necessário que Jesus repetisse a ação de impor as mãos. Interessante que esse foi um Milagre em dois estágios.

Diante disso surgem as perguntas inevitáveis...

·  Porque uma única oração não seria suficiente?
·  Será que a cegueira daquele homem era tão forte?
·  Será que autoridade de Jesus não foi o bastante para que aquele homem fosse curado?
·  Será que o poder de Cristo estava diminuindo?
·  Será que Jesus não estava consagrado o suficiente?

Alguns até podem imaginar que talvez Jesus não tivesse tempo de orar naquela madrugada? Isso nos faz lembrar das vezes que oramos com imposição de mãos sobre algum inferno no culto ou na célula, e depois perguntando se ele ainda está sentindo dor o sujeito responde: “Melhorou mas ainda está doendo um pouco”. Então você derrama óleo em sua mão, mete na cabeça do irmão e ora mais alto e forte. Daí você pergunta novamente: “E aí irmão está melhor?”. O irmão responde: “Melhorei bastante, mas ainda dói um pouco”. Você então suspira, limpa o suor da testa, levanta as mãos, esbraveja contra o diabo, contra o inferno e finalmente, você pergunta: “Está melhor irmão?”. E a resposta é a seguinte: “Ok! Estou só com uma dorzinha, mas nada que um remedinho não resolva...

É possível que alguém pense que algo parecido com isso que aconteceu com Jesus, mas é claro que não foi isso. Três vezes não! A resposta para as perguntas acima é um categórico não! Não foi isso que aconteceu com Jesus! Ele não estava sem fé! Jesus é Deus e n’Ele reside toda autoridade e poder. Aquele homem jamais poderia resistir a um simples olhar de Cristo.

A verdade por trás da pergunta de Jesus era que ele não queria saber “se” o cego estava vendo, mas, “o que” o cego estava vendo. Ao fazer a pergunta, Jesus não estava fazendo um teste pra ver se a oração havia funcionado. Jesus ao passar saliva nos olhos daquele homem e impor as mãos sobre ele, queria na verdade saber “o que” ele estava vendo e não “se” ele estava vendo.

Homens andando como árvores

A visão daquele homem foi homens andando como árvores, e essa resposta foi surpreendente. A Bíblia faz questão de mencionar que o homem recobrou a visão. Isso mostra que o milagre já havia acontecido, mas agora o importante é saber “o que” aquele homem estava enxergando, e ao contar o que estava vendo, provavelmente os discípulos pensaram que ele estava alucinando ou simplesmente estava com a vista embaçada. Todavia, eu posso te assegurar que aquele cego viu exatamente o que Jesus queria que ele visse. Ele não estava tendo alucinações ou tinha recebido apenas uma cura parcial, o que é aquele cego viu refletia a crença e os padrões de pensamentos que todos naquela cidade tinham. Eles haviam rejeitado a graça, rejeitaram a obra completa de Cristo. Eram impenitentes e o comportamento impenitente daquele povo era fruto da visão deturpada obscurecida e embaçada que eles tinham de Deus e da sua graça.

Porque ele viu homens andando como árvores?

Isto remonta e nos remete para atitude de Adão, pois imediatamente após a queda, as Escrituras dizem em Genesis 3:7-8 que após terem comido do fruto da árvore do conhecimento do bem do mal os homens perceberam que haviam pecado contra Deus.

“7 Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si. 8 Quando ouviram a voz do SENHOR Deus, que andava no jardim pela viração do dia, esconderam-se da presença do SENHOR Deus, o homem e sua mulher, por entre as árvores do jardim.” Gn 3:7-8

A suas vestes antes do pecado eram vestes de glória que dava ao homem o domínio sobre todas as coisas. Mas com o pecado eles foram destituídos desta glória e por isso se viram com vergonha e medo, assim tentaram concertar as coisas pelo esforço próprio fazendo folhas de figueira. Então, se esconderam entre as árvores. Na viração do dia, quando Deus vem pra ter comunhão com o homem, O Senhor chama Adão e Eva que estavam vestidos de folhas de figueira para sair de trás das árvores. Isso não parece com a visão daquele homem? Homens andando como árvores?

Aquele cego ao recobrar a visão, definiu em palavras como era o cativeiro em que ele e o restante da aldeia estavam. Jesus fez com que ele declarasse que tinha visto para que todos se identificassem com ele. Eles estavam ainda presos nas crenças do homem caído, condenados e destituídos da glória.

Ele se identificava com o primeiro Adão que jazia de baixo do juízo da lei do pecado e da morte. Essa é a prisão na qual muitos crentes estão cativos. Sempre se relacionando com Deus tendo como base o que fizeram de certo ou errado. Assim, vivem na expectativa do castigo e por isso sofrem com medo do juízo de Deus.

A vida de tais pessoas é sempre na angústia de serem castigados pelo Senhor. Vivem como se Deus não os amassem de maneira incondicional. Se sentem sempre em débito com o Senhor. Eles dizem: Eu não sou digno de estar aqui... Eu sou muito pecador... Quem sou eu para pregar a palavra... Quem sou eu para ser crente...

Essa é a razão de muitos estarem longe da igreja, de Jesus e dos irmãos.

Essas pessoas não receberam revelação da aliança feita com o último Adão, o Cristo que veio para nos libertar de toda a condenação da lei e nos revestir com a sua glória. Por se sentirem nus (vergonha) diante de Deus, esses crentes costumam cozer folhas de figueira, o que aponta para obra humana, para justiça própria, caminhando sempre na direção de Deus confiados nas suas próprias obras na sua própria justiça daquilo que pode fazer para Deus, assim são homens andando como árvores.

A segunda experiência – A segunda imposição de mãos – A segunda obra

Mas depois daquela descrição daquele relato surpreendente, Jesus então completa obra na vida daquele homem, novamente impondo as mãos sobre o cego para o curar. Esse ato de impor as mãos pela segunda vez, nos da clareza da obra de Cristo . Na primeira vez, a visão foi do primeiro Adão que remonta o homem caído e condenado pela lei, mas Jesus é o segundo Adão, é o último Adão. É a obra completa.

“45 Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante.46 Mas não é primeiro o espiritual, e sim o natural; depois, o espiritual. 47 O primeiro homem, formado da terra, é terreno; o segundo homem é do céu.”  1Co 15:45-47

Ao impor as mãos pela segunda vez sobre o homem, Jesus estava dando a ele a oportunidade de receber a visão completa, Jesus estava exercendo seu chamado de restaurar a visão ao cego e trazer luz para os que estavam entregues na limitação física daquele homem.

Podemos traduzir essa atitude de Jesus impondo as mãos pela segunda vez nos olhos daquele servo, da seguinte forma...
“Filho, sim você viu certo, você estava debaixo da maldição da lei do pecado e da morte, mas eu vim a este mundo para tomar essa maldição sobre mim, para que você possa ser livre. Eu vim para você ter vida, e vida em abundância. Eu sou aquele que veio trazer cura e libertação. Eu sou O filho de Deus que veio dar a Sua vida em seu resgate. Você viu a condenação da lei, mas agora será revelada a você, a maravilhosa graça do Pai.”

Veja que em seguida o cego foi completamente curado e passou a distinguir todas as coisas de modo perfeito.

Qual foi a primeira visão que aquele homem teve depois a sua vista completamente curada?

Ele viu Jesus, ele viu Cristo bem diante dos seus olhos. Foi uma visão clara e perfeita da graça de Deus. Diferentemente da primeira vez, ele viu agora o último Adão que veio não mais para condenar e sim para salvar. Ele viu o favor do pai disponível a todos os que crerem. Ele viu a glória de Deus que reveste o homem e o cobre em sua plenitude.

No lugar do medo e da vergonha, agora está a visão perfeita da graça e do favor do Pai. Só podemos dizer que enxergamos de modo perfeito quando primeiro enxergarmos a Cristo.

Amado irmão, as mãos do Senhor estão sobre o seus olhos agora para restabelecer também a sua visão. Talvez suas vistas estejam embaçadas e fixas na lei que julga e condena, e essa falta de visão clara tem levado você a tropeçar e a entrar por caminhos errados. Sem visão não há como avançar.

Mas o Senhor hoje quer te ensinar a distinguir todas as coisas e te fazer enxergar de modo perfeito. Ele quer se revelar a você como um Deus que veio não para de condenar, mas para te salvar de suas crenças e padrões equivocados. Se até aqui a sua visão se limitava a enxergar homens andando como árvores, hoje o Senhor te diz: Filho, receba agora minha graça e o meu favor e seja livre da condenação e acusação que te prende. Seja livre para desfrutar de todo favor e bom sucesso que tenho pra você. Seja livre pra enxergar a graça que o cego viu!

Não volte para a aldeia

Agora curado e completamente restabelecido, aquele homem ouve de Jesus uma recomendação muito importante. Jesus diz não volte na aldeia. Isso é interessante não é mesmo? Jesus mandou embora pra casa mas disse pra ele não voltar pra aldeia. Como isso é possível? Como ele poderia voltar pra casa sem entrar na aldeia sendo que a casa dele ficava na aldeia. Isso nos mostra que Jesus se referia ao ambiente da aldeia e não a cidade em si.

Jesus advertiu a não retornar para que aqueles padrões de pensamentos. Para as crenças erradas, para  a influência da lei. Isso se assemelha advertência que o apóstolo Paulo fez aos gálatas que uma vez tendo conhecido graça se colocaram novamente baixo jogo da lei.
















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