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Série de mensagens Uns aos Outros - Parte 6 - Não é bom que você viva só! Pr. Edenir Araújo - Culto de Celebração - 27/05/18


Deus fez você para o outro

“Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.” Gn 2:18

“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” 1 Jo 1:7

Introdução

É interessante o paradoxo da Igreja quando o assunto é união. Ao mesmo tempo em que temos uma Bíblia repleta de orientações para que nos amemos uns aos outros (Rm 12.10; 1Pe 1.22), o que vemos na  maior parte das relações é uma terrível crise de comunhão.

Ao ministrar exaustivamente sobre relacionamentos ou sobre os mandamentos da mutualidade, Deus não nos propõe encontrar culpados para crise de comunhão, mas a proposta de Deus é focar em resoluções, visto que, todos nós, como parte de um mesmo corpo, somos responsáveis pelo bom relacionamento, pela vida, pelo bem estar comum.  Da mesma forma que um casamento que não da certo tem nos cônjuges a responsabilidade da separação, não havendo culpado, mas, culpados, na Igreja todos nós somos partes integrantes das soluções e dos problemas na área da comunhão.

Porque ainda vamos falar sobre isso?

Primeiro porque Jesus disse que a marca de um discípulo é o amor (a base da comunhão). Em João 13:35, ele disse o seguinte: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros”.

Segundo por que Jesus ensinou aos seus discípulos que a união entre eles testificaria da presença do próprio Cristo na Igreja: “a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste”. Jo 17:21

E em terceiro, por uma questão lógica: Uma Igreja desunida terá dificuldade de crescer, pois, não passará uma boa mensagem para os de fora. Sobre esse assunto, o escritor Loweel Bailey, em seu livro 25 segredos para derrotar a crise da comunhão, diz: ... a desunião e a falta de amor entre os cristãos podem levar os perdidos a duvida de que essa gente realmente esteja seguindo a Jesus. Pior ainda, por notar que os cristãos não se salvaram do seu egoísmo, eles podem duvidar que Jesus seja “verdadeiramente o salvador do mundo” (Jo 4:42)

O desejo de Deus é que o homem se relacione

“Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.” Gn 2:18

Em Gênesis 1 e 2 até o verso 17 Deus cria todas as coisas e as sustenta pelo poder da Sua palavra. No processo de criação, por várias vezes, nós vemos Deus criando e dizendo que aquilo que Ele havia criado era bom. Porém, em Gênesis 2:18, Deus diz que algo não estava certo, Deus vê algo que não o agrada, e pela primeira vez Deus vê algo que não era bom. Não era bom que o homem vivesse solitário ou sozinho.  
Deus não nos fez para vivermos isolados como ilhas, a vida que Ele nos deu precisa ser compartilhada.

Baseado no texto de Genesis 2:18, podemos dizer que fomos feitos para o outro. Deus viu que Adão não poderia estar sozinho porque ele foi criado para alguém. Eva também foi criada no mesmo propósito para o outro.

A comunhão é o nosso alvo!

1. O conceito de comunhão

“1 Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos! 2 É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes. 3 É como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião. Ali, ordena o SENHOR a sua bênção e a vida para sempre.” Sl 133:1-3

O que é comunhão para você? Um encontro para confraternização? Um cafezinho? Ou quem sabe um belo almoço de domingo? No senso comum, esses são os fatores definidores da comunhão, porém eles não refletem o sentido bíblico da palavra.

Comunhão é a tradução portuguesa mais comum para a palavra grega koinomia. Essa palavra traz a ideia de fraternidade, associação, participação conjunta, relação íntima.

Observe como o sentido é bem mais amplo do que parece.

De acordo com o Novo Testamento, a comunhão tem a ver com aquela relação pessoal que os cristãos gozam com Deus e uns com os outros, em virtude de serem unidos com Jesus Cristo.

Quem estabeleceu essa relação foi o Espírito Santo, que habita em todo cristão, unindo-o a Cristo e a todos que são de Cristo. Essa associação pode ser percebida nos seguintes aspectos:

- Compartilhamento de bens e objetos
- Cooperação na obra do Evangelho
- Disposição para servir a todos
- Manter a unidade e o amor entre os cristãos

O texto de Atos 2:41-47 reflete bem a ideia bíblica de comunhão. Esse texto também nos ensina que a responsabilidade da comunhão na Igreja não é apenas dos líderes, mas de toda a Igreja, isto é, você é responsável por fazer a comunhão da sua Igreja dar certo.

“41 Os que aceitaram a mensagem foram batizados, e naquele dia houve um acréscimo de cerca de três mil pessoas. 42 Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações. 43 Todos estavam cheios de temor, e muitas maravilhas e sinais eram feitos pelos apóstolos. 44 Todos os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum. 45 Vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade. 46 Todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração, 47 louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo. E o Senhor lhes acrescentava todos os dias os que iam sendo salvos.” At 2:41-47

2. A relação entre comunhão e mutualidade

A comunhão pode ser classificada como uma experiência subjetiva, ela precisa de um mecanismo prático para que seja percebida. Um exemplo do que estou falado se refere a comunhão dos crentes com Cristo. Existem laços que nos unem a Cristo, fazemos parte do seu corpo místico, entretanto, essa relação é invisível, não pode ser vista, somente percebida.

A mutualidade é o processo através do qual a comunhão se expressa. O termo se refere a expressões recíprocas. No Novo Testamento o processo de mutualidade aparece nas palavras uns aos outros (Rm 12:10; 2Co 13:12; Ef 4:2; Cl 3:13; 1Ts 4:18).

A mutualidade faz da comunhão uma via de mão dupla. Um irmão se dispondo a fazer o bem a outro irmão, que por sua vez corresponde fazendo a mesma coisa. A relação é recíproca.

Entretanto, a mutualidade não está limitada ao que eu faço de bom pelo outro, mas também o que eu deixo de fazer de prejudicial pelo outro. Nesse caso existem dois aspectos, um positivo (eu faço o bem) e outro negativo (eu deixo de fazer o que é ruim).
Você ajuda a sua Igreja a ser mútua? 6

3. A comunhão libera poder

“É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes.” Sl 133:2

O óleo precioso do Espírito de Deus desce da cabeça. Evidentemente somente aqueles que estão conectados à cabeça desfrutam do óleo fresco da unção. Nestes dias de jejum, queremos experimentar esse óleo juntos, em comunhão.

O Espírito Santo é o poder de Deus e este poder está em você. O Espírito Santo é a unção de Deus sobre nós. Mas, quando estamos juntos em comunhão, essa unção é potencializada e este poder pode ser liberado de forma explosiva sobre nós. Gn 11:9

O óleo representa a unção na Palavra de Deus. O azeite era um elemento muito versátil no mundo antigo, ele servia para virtualmente qualquer coisa e simboliza a provisão completa da unção do Espírito. O fato de o Salmo 133 nos dizer que a comunhão libera o óleo é algo muito precioso. Quando estamos unidos aos nossos irmãos, esse óleo desce da cabeça, que é Cristo, e alcança todos os membros.

O uso do óleo entre o povo de Israel é um retrato claro da provisão completa da unção para o povo de Deus hoje. Todas essas coisas vêm sobre nós porque estamos unidos aos irmãos na agradável comunhão do Corpo de Cristo.

a. O óleo é Alimento

A primeira utilidade do azeite estava na preparação dos alimentos, sendo ele mesmo, na verdade, um alimento. No mesmo princípio, nós precisamos receber periodicamente uma porção da unção de azeite do céu como alimento. Quando deixamos de nos alimentar dessa unção, somos enfraquecidos e nos sentimos incapazes de fazer a vontade de Deus. A unção, portanto, é alimento.

Você sabia que a comunhão nos alimenta? Sim, a comunhão libera o óleo que nos nutre.

b. O óleo nos limpa

A segunda utilidade do azeite nos dias antigos estava na feitura de sabão. A unção do azeite também tem a função de limpar e purificar as nossas vidas. Quando digo purificar, não me refiro propriamente à purificação do pecado, mas à purificação da sujeira do mundo. A morte do mundo nos contamina e nos faz ficar insensíveis a Deus. A unção, então, nos purifica da poeira da carne que nos contamina. Todos nós testificamos que, quando estamos na comunhão dos irmãos, nossos pés são lavados da poeira do mundo.

c. O óleo é combustível

As lamparinas do mundo bíblico eram mantidas acesas usando o azeite como combustível. No mesmo princípio, nossa luz somente pode brilhar diante do mundo se houver o azeite do céu em combustão dentro do espírito. E esse azeite vem sobre nós na comunhão dos irmãos. Cada vez que nos reunimos, devemos esperar uma medida do combustível celestial sobre nós.

d. O óleo é para uso sacerdotal

O azeite também era usado pelo sacerdote para ungir e consagrar pessoas e coisas a Deus, como também era usado pelo médico como remédio. A unção é também para consagração. O propósito de Deus somente pode ser cumprido por meio da unção. O suprimento de Deus para nossas vidas vem somente pela unção e todo jugo do pecado pode ser quebrado e destruído pelo poder da unção. Quando estamos em comunhão, os jugos do pecado e do diabo são quebrados e experimentamos o refrigério de Deus.

e. O óleo cura

Um aspecto importante da unção está em Tiago 5:14, em que o autor nos manda ungir os enfermos para serem curados. cura disponível para o povo de Deus na comunhão dos irmãos. O óleo da cura é liberado quando estamos juntos e ministramos uns aos outros. Sabemos que o óleo do Espírito é o suprimento completo de Deus, mas ele é liberado quando os irmãos vivem unidos em comunhão.
A comunhão é algo realmente poderoso. Paulo chega a dizer que a igreja de Corinto estava doente porque seus membros não entendiam a comunhão:

“Pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. Eis a razão por queentre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem.” 1Co  11:29-30

Quando não temos discernimento do corpo experimentamos morte e enfermidade. Se a falta de comunhão traz doenças sabemos que a comunhão produz tudo o que mencionamos: alimento, purificação, combustível, libertação e, principalmente, cura.


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