20180705

Série de Mensagens "Uns aos Outros" - Parte 11 - Derrotando o espírito de Caim. Parte 2. Pr. Edenir Araújo - Culto de Celebração - 01/07/18


3 Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao SENHOR. 4 Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta; 5 ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou. Irou-se, pois, sobremaneira, Caim, e descaiu-lhe o semblante. 6 Então, lhe disse o Senhor: Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante? 7 Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo.”

O primeiro homicídio

“8 Disse Caim a Abel, seu irmão: Vamos ao campo. Estando eles no campo, sucedeu que se levantou Caim contra Abel, seu irmão, e o matou. 9 Disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei; acaso, sou eu tutor de meu irmão? 10 E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão clama da terra a mim. 11 És agora, pois, maldito por sobre a terra, cuja boca se abriu para receber de tuas mãos o sangue de teu irmão. 12 Quando lavrares o solo, não te dará ele a sua força; serás fugitivo e errante pela terra. 13 Então, disse Caim ao Senhor: É tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo. 14 Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua presença hei de esconder-me; serei fugitivo e errante pela terra; quem comigo se encontrar me matará. 15 O Senhor, porém, lhe disse: Assim, qualquer que matar a Caim será vingado sete vezes. E pôs o Senhor um sinal em Caim para que o não ferisse de morte quem quer que o encontrasse. 16 Retirou-se Caim da presença doSenhor e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden.”

Descendentes de Caim

“17 E coabitou Caim com sua mulher; ela concebeu e deu à luz a Enoque. Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho.”

"Não sejamos como Caim, que pertencia ao Maligno e matou seu irmão. E por que o matou? Porque suas obras eram más e as de seu irmão eram justas."1 Jo 3:12

Hoje, nós vamos continuar falando sobre o espírito de Caim, sobre a síndrome de Caim. Como já falamos na semana passada, Caim inaurura o ministério da ofensa, agressão e homicídio. Gênesis 4:8 é onde nasce a intolerância e arrogância, a indiferença e inveja.  

Podemos dizer que hoje, o espírito de Caim está operando na vida de muitos, lutando contra a mutualidade. A síndrome de Caim está mais presente no nosso meio do que em qualquer outro tempo. E isso está de acordo com as palavras de Jesus em Mateus 24: “por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos.” Mt 24:5

O amor de Deus é o combustível para a prática da mutualidade, e quando ele se esfria, se esvai as forças para a comunhão verdadeira, aumentando a hostilidade, a competição, a rivalidade, a inveja e a falta de perdão aumentaria.

O que é uma síndrome?

Síndrome não é doença, é uma condição médica. É o grupo ou agregado de sinais e sintomas associados a uma mesma patologia e que em seu conjunto definem o diagnóstico e o quadro clínico de uma condição médica.

Baseado no comportamento de Caim, eu gostaria de compartilhar hoje, 5 sintomas que podem denunciar a Síndrome de Caim, a indisposição para praticar o estilo de vida Uns aos Outros.

Antes, devemos lembrar que a má atitude do coração de Caim afetou seu presente e compro­meteu seu futuro. Veja alguns dos sintomas que dominaram seu coração, a ponto de endurecê-lo impedindo-o de amar seu irmão.

1.       Valorização exagerada de si mesmo. Gn 4:16-17

“16 Retirou-se Caim da presença do SENHOR e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden. 17 E coabitou Caim com sua mulher; ela concebeu e deu à luz a Enoque. Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho.” Gn 4:16-17

Permitir que a vida fosse dominada pela soberba foi a atitude que complicou a vida de Caim. A expressão Retirou-se Caim da presença do SENHOR, deve ser considerada.

O fato de não ter dado ouvidos ao Senhor, o fez fugir da presença do Senhor. Deus não o mandou embora, Caim decidiu ir embora, ele retirou-se da presença do Senhor porque não amou seu irmão e não quis se corrigido no seu erro. Não há caminhos alternativos, além de amar seu próximo. Quando não nos dispomos a amar e suportar nossos irmãos, inevitavelmente nos afastamos da presença de Deus.

Devemos observar que Caim se afasta de Deus para uma terra chamada NODE, que significa terra da peregrinação. Isso nos ensina que os que se afastam da vontade de Deus, são como peregrinos sem paradeiro e sem destino.

O orgulho e a vergonha de Caim

O orgulho de Caim o impede de tentar ofertar novamente, de modo a ser aceito por Deus. A soberba de seu coração apresenta a parceira das desgraças: a vergonha. Tentar de novo? Reconhecer o erro? Isso é uma vergonha! Foi assim com Caim. Ele permite que o orgulho domine seu coração por inteiro. Mas, como vimos, o orgulho não vem sozinho; ele traz sua irmã, a vergonha.

O orgulho e a vergonha. Jamais diríamos que são irmãos. Eles parecem tão diferentes.

O orgulho estufa o nosso peito. A vergonha pesa em nossa cabeça. O orgulho ostenta. A vergonha esconde. O orgulho busca reconhecimento. A vergonha busca ser evitada. Mas não se engane, pois essas emoções possuem a mesma parentela. E têm o mesmo impacto. Elas nos afastam do Pai e dos nossos irmãos.

O orgulho diz: "você é muito bom para ele". A vergonha diz: "você é muito ruim para ele". O orgulho afasta. A vergonha nos mantém afastados. "Se o orgulho precede a queda, a vergonha é o que nos impede de levantar-se após a queda”. Não foi diferente com Caim. Com um coração dividido entre o orgulho e a vergonha, ele passou a "temer mais o fracasso do que a desejar o sucesso".

A Bíblia diz que Deus odeia a arrogância; ele vê o orgulho como uma abominação porque sabe que o orgulho precede a des­truição. Por isso, Paulo ordena: "Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade".

A pessoa com uma visão exagerada de si mesma fundamenta sua vida sobre a falsa premissa de que tem o controle em suas próprias mãos. Acha-se importante demais e auto-suficiente para fazer com que as coisas aconteçam do modo como deseja. Assim, descartam ajuda de seus familiares, irmãos, etc.

O orgulho de Caim o fez pensar que sua vontade era mais im­portante que a vontade de Deus. Não aceitava que Deus fosse Se­nhor absoluto de sua vontade. Não procurava fazer as coisas do jeito de Deus.

O estilo Caim de ser...

O jeito Caim de ser, “nariz empinado” era, a seu ver, a única maneira de viver a vida. Leia comigo, o texto de Gênesis 4:16-17: “16 Retirou-se Caim da presença do SENHOR e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden. 17 E coabitou Caim com sua mulher; ela concebeu e deu à luz a Enoque. Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho.” Gn 4:16-17

Preste atenção nas palavras:

Retirou-se Caim da presença do SENHOR...”. Esfriou sua relação com Deus.
habitou na terra de Node...”. Terra da peregrinação. Tornou-se um peregrino, sem rumo e sem destino. 
“coabitou Caim com sua mulher...”.
Caim edificou uma cidade...”. É assim com muitos peregrinos... Fundam suas próprias igrejas...
e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho...”.

Caim no controle

Qual foi o nome da cidade? Enoque, o nome de seu filho! Chamar a cidade de Enoque era dizer: Essa cidade é minha! A glória é minha! Assim, Caim se coloca no controle de tudo, vivendo a vida do seu jeito, conforme sua vontade, auto-suficiente, determinado em fazer as coisas a seu modo, baseado em sua pró­pria força.

Caim age à sua maneira e, como um orgulhoso convicto, faz uso de suas armas: a justificação, a racionalização e a comparação. Ele se justifica: já que Deus não me aceitou, vou fazer do meu jeito. Ele racionaliza: não tem mais jeito. Minha maldade é grande demais para ser perdoada. Vou viver conforme o que eu penso ser correto. Ele compa­ra: nunca vou ser aceito como Abel foi.

Nada de clamar pela bondade de Deus. Nenhum apelo à mise­ricórdia. Caim não percebe que sua maldade não consegue dimi­nuir o amor de Deus por ele. Em seu entender, Caim achava que o amor divino dependia de seu desempenho. Mas não há nada que possamos fazer para que o amor de Deus por nós diminua ou au­mente. A nossa fé não consegue conquistá-lo. Os nossos desacertos não conseguem prejudicá-lo. Deus não nos ama menos quando falhamos. Também é verdade que ele não nos ama mais quando somos bem-sucedidos. Deus ama-nos incondicionalmente, qual­quer que seja nosso desempenho. Caim é soberbo demais para perceber isso, e seu orgulho traz consequências terríveis. Esse sentimento nos coloca na contramão do caminho que conduz ao céu. Você já ouviu a expressão nadar contra a maré? É o que faz alguém que cultiva o orgulho como prática de vida. A ação de Deus passa a ser contrária, pois o orgulhoso escolhe transitar na contramão da vida. Deus passa a repre­sentar-lhe oposição, por sua escolha de pecador. E, por fim, a so­berba o priva da graça de Deus. “Deus se opõe e resiste aos orgulhosos, mas concede graça aos simples e humildes”. Se nos colocarmos na direção opos­ta a Deus, perderemos os efeitos de sua bondade.

Caim escolhe viver fora da medida da graça e da fé

A medida da graça e da fé consiste em termos uma imagem adequada de nós mesmos. Nem abaixo do que somos, pois isso nos tornaria pessoas ingratas a Deus, nem acima do que somos, pois isso seria orgulho. Nem acima, nem abaixo! “Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um.” Rm 12:3

A visão exacerbada de Caim sobre si mesmo, seu jeito “nariz-empinado” de ser o impede de humilhar-se, de procurar ajuda, de clamar por misericórdia, de reconhecer sua fraqueza. Caim não com­preende que o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza humana. Este é um dos grandes malefícios da síndrome de Caim: valorizar demasiadamente a si mesmo.

Caim não compreende que “auto-estima significa ver a si mes­mo como Deus o vê e reconhecer-se como uma pessoa especial em quem ele depositou dons, talentos e propósitos específicos, dife­rentes dos de qualquer outra pessoa”.

2.       Espírito crítico. Gn 4:9

“Disse o SENHOR a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei; acaso, sou eu tutor de meu irmão?” Gn 4:9

A visão exacerbada sobre si mesmo, que Caim nutriu no cora­ção, transformou-o em um crítico frio e maligno. Geralmente os críticos de plantão, são na verdade intolerantes e querem impor o seu jeito de ser. Caim permite firmar em seu coração a mentira diabólica de que ele era melhor que Abel. Caim, porém, sabia a verdade e temia o fato de Abel ser melhor que ele. O problema não era a certeza de ser o melhor, e sim a convicção de ser o pior. Isso o transformou em um murmurador, um queixoso, homem cínico, alguém incapaz de desfrutar da alegria na vida. Ele tornou-se, como escreveu Stormie Omartian, "um tipo de pessoa que geralmente os outros gostam de evitar".

Caim desenvolveu uma atitude crítica no coração. Tanto que, em vez de responder adequadamente a Deus, ele questiona: "Então o Senhor perguntou a Caim: 'Onde está seu irmão Abel?' Res­pondeu ele: 'Não sei; sou eu o responsável por meu irmão?' ". O sarcasmo de Caim revela seu espírito crítico: sou eu o responsável por meu irmão?

Suas atitudes de:

·         não assumir responsabilidades;
·         de fa­zer da vida uma competição;
·         e sua valorização exacerbada de si mes­mo;

fizeram nascer o cinismo de um espírito crítico. Eu, Senhor? Meu irmão, Senhor? Não é ele o seu “queridinho”? Sou eu que sei dele? Desde quando sou eu o seu guardador?! Caim questiona com sarcasmo!

Os reis das questões...

Analisando friamente, vemos como a síndrome de Caim nos atinge até hoje. Somos os reis das questões. Temos tantas perguntas para Deus e nenhuma resposta sobre nós mesmos ou sobre a ma­neira pela qual agimos em relação aos que vivem a nosso lado.

Questionamos o plano de Deus

Passamos a agir com desconfiança dos estatutos de Deus, duvi­damos de sua boa intenção para com nossa vida e nos rebelamos contra o fato de que seu modo de viver é o único que funciona. Deus é visto por nós como um desmancha prazeres. E, por isso, em vez de procurarmos conhecer seu plano bom, concluímos er­roneamente que devemos fazer o que manda o nosso coração en­ganoso. É exatamente aí que estragamos tudo. Acabamos por correr à frente de Deus, tomando nossas providências e complicando nossa vida, criando dentro de nós um estado de descontentamento in­terior! Com que facilidade deixamos os planos de Deus e passamos a questioná-lo. Duvidamos de que Deus seja confiável, de que seu plano seja bom o suficiente para nós e saímos em desabalada carrei­ra. No final, o que conseguimos é um coração cansado e crítico.

A verdade é que, quando desconfiamos do plano de Deus, nosso modo de vida passa a acontecer em oposição a Deus! E aí que o espírito crítico nos leva a ser pessoas frustradas, amargas, sem sen­tido na vida. Fora da vontade de Deus, acabamos por nos colocar numa posição que desagrada ao Criador. Dessa forma, somos do­minados por sentimentos de irrealização, pois nossa vida não al­cança seu verdadeiro intento. Nunca questione a Deus! A única maneira de viver a vida com alegria e realização é confiar no plano de Deus e submeter-se a ele. “Confia ao SENHOR as tuas obras, e os teus desígnios serão estabelecidos.” Pv 16:3

O espírito crítico de Caim cegou seus olhos e endureceu seu coração, a ponto de ele se rebelar contra os desígnios de Deus.

Questionamos os métodos de Deus

Caso sejamos convencidos do plano bom de Deus, então a síndrome de Caim manifesta-se de outra forma: nosso espírito crí­tico passa a questionar os métodos que Deus utiliza para executar seus planos! Somos invadidos pelo sentimento de que, embora o plano do Criador seja bom, os métodos que usa para torná-lo reali­dade são muito complicados.

A síndrome de Caim leva-nos a querer explicações e compreen­são de tudo. Não há espaço para a mente infinita de Deus agir. Permitimos que a síndrome coloque um ponto final no mistério e tudo se torna lógico e racional. O resultado é o descontentamento contra Deus e contra a vida!

Um Deus infinito espera que seres finitos como nós confiem em seus métodos. E a razão principal está no fato de que nenhum dos métodos que ele utiliza em nossa vida deixa de passar pelo crivo de sua misericórdia. E a limitação humana que nos impede de enten­der a forma de agir do seu amor. “Assim como os céus são mais altos do que a terra, também os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os seus pensamentos.” Is 55:9

Quando não confiamos nos métodos divinos, instala-se a síndrome de Caim, tornamo-nos pessoas críticas e a vida perde o sentido. Esquecemo-nos de que Deus opera segundo a sua vontade e não segundo a nossa!

Questionamos o tempo de Deus

A síndrome leva-nos a avaliar o período que Deus usa para exe­cutar seu plano. Novamente nosso coração crítico e questionador diverge do plano divino, que parece demorar demais! Onde está Deus? Esta passa a ser pergunta freqüente em nosso coração! Somos invadidos pela falsa sensação de que Deus desapareceu e não tra­rá a salvação de que precisamos. Entramos numa crise profunda de questionamentos, lágrimas e depressão. Até nossos inimigos se juntam a esse coração crítico e questionador com zombarias. O muito que conseguimos, nesses questionamentos, é cansar o Pai.

1 Até quando, SENHOR? Esquecer-te-ás de mim para sempre? Até quando ocultarás de mim o rosto? 2   Até quando estarei eu relutando dentro de minha alma, com tristeza no coração cada dia? Até quando se erguerá contra mim o meu inimigo?” Sl 13:1-2

“Bom é aguardar a salvação do SENHOR, e isso, em silêncio.” Lm 3:26

3.       Rejeição. Gn 4:7

Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo.” Gn 4:7

O Senhor disse a Caim: “Se você fizer o bem, não será acei­to?”. Deus não estava rejeitando a pessoa de Caim, e sim os seus atos. Mas Caim não soube separar a rejeição dos seus atos da rejei­ção de sua pessoa. E não percebeu que o que Deus procurava não era o sacrifício apenas, mas seu coração. Não era o sacrifício de Caim que faria Deus se deleitar. Não são sacrifícios ou holocaustos que agradam a Deus. O que lhe causa alegria e prazer é o coração quebrantado e contrito de pessoas que se rendem a sua vontade. A estes, o Senhor não despreza. Não há nada que leve o coração de Deus a me rejeitar como pessoa. Isto não é tremendo?

Aceitar-nos como pessoa não significa concordar com nossas ações erradas. Deus ama o pecador, mas odeia o pecado. “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cris­to morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores.” Rm 5:8

Ape­sar de morrer por nós na condição de pecador, ele não aceita o pecado. Por isso morreu, para que pudéssemos ficar livres do peca­do, para podermos gozar plenamente da sua comunhão.

Não misture a rejeição de seus atos com a reeleição de sua pessoa

É nesse ponto que Caim se perde, pois ele mistura a rejeição de seus atos com a rejeição de sua pessoa. Ele se deixa enganar pelo Diabo. Sua mente fundamenta-se na seguinte mentira: "Não te­nho valor; então, é perfeitamente compreensível que as pessoas me rejeitem". E uma vez que adotemos essa mentira como crença, passamos a interpretar tudo a partir da nossa rejeição. Nossa mente é dominada por toda espécie de pensamentos negativos, impedindo-nos de nutrir uma atitude positiva em relação ao amor divino e à nossa aceitação por Deus.

Leite fica azedo se for conservado no refrigerador. Atitudes tornam-se amargas pela mesma razão. Um coração reto, uma atitude correta nos conserva e protege. Todavia, uma atitude ruim, amarga e azeda nos faz estragar. Este foi o problema de Caim: ele desconsiderou a aceitação de Deus, só a rejeição passou a ter lugar em sua mente e em seu cora­ção. Então, passou a reagir em conformidade com uma vida sem Deus. Seguiu adiante com a coerência de alguém que foi rejeitado. Dá para imaginar que tipo de vida Caim passou a ter? Relaciona­mentos rotos, amargura, ódio, mentira, revolta, desobediência, re­belião e distanciamento de Deus.

4.       Não encarar a culpa e entra pelo caminho do vitimismo. Gn 4:13-14

“13 Então, disse Caim ao SENHOR: É tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo. 14 Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua presença hei de esconder-me; serei fugitivo e errante pela terra; quem comigo se encontrar me matará.” Gn 4:13-14

Caim não enfrentou sua culpa, e este foi um dos fatores que o levaram a se afastar de Deus. Ele saiu da presença do Senhor para não ter de enfrentar o fracasso. Seu pecado aprisionou-o e trancou-o atrás das garras da vergonha, da decepção, do medo e da culpa.

É isso que vemos em Caim. A atitude de não tratar a culpa está estampada em suas palavras:
Então, disse Caim ao SENHOR: É tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo.  Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua presença hei de esconder-me; serei fugitivo e errante pela terra; quem comigo se encontrar me matará.” Gn 4:13-14

Esconder-se e fugir tornaram-se as opções possíveis na mente culpada de Caim, e também é o caminho que muitos estão trilhando.

Caim entra pelo caminho do vitimismo.

A pessoa que vive se fazendo de vítima diante de seus fracassos, está na verdade promovendo a própria mediocridade. Em vez de assumir a responsabilidade pelo acontece em sua própria vida prefere colocar a culpa em outros. Aquele que não reconhece seus erros, inviabiliza a sua recuperação.

Eu tenho visto que na maioria dos casos as pessoas não são vítimas, e sim, se fazem de vítimas. Existe uma distância muito grande entre ser vítima e se fazer de vítima. Se fazer de vítima, é sempre mais cômodo do que assumir responsabilidades e suas consequências.

Acredite, é fácil descobrir se alguém está se fazendo de vítima, observe se essa mesma pessoa...

1. Frequentemente coloca a culpa dos seus fracassos em terceiros
2. Frequentemente vive se queixando de tudo e de todos.
3. Frequentemente está se justificando.

“Antes de procurarmos um culpado, devemos pensar numa solução.” Henry Ford

Não encarar a culpa sempre nos afasta de Deus e das pessoas, porque Sata­nás vem e semeia a vergonha.

Se ele não pode nos seduzir com o nosso pecado, ele nos fará pensar em nossa culpa. Nada o faz exultar mais do que nos ver nos escondendo em um canto, embaraçado por estarmos de volta com um velho hábito. "Deus já está cheio de meus confli­tos", cochicha ele. "Meu pai está cansado dos seus pedidos de perdão", é  isso o que ele nos diz.

A culpa cria um ambiente desesperador. Ela é um algoz que nos tortura incansavelmente. Ela nos priva da felicidade e arruína nossa confiança. Quando não a tratamos de modo adequado, ela instala em nós um constante temor de sermos descobertos em nosso pecado. E isso causa uma grande tensão, que nos leva a um negligente abandono, num esforço frenético por escapar do dedo condenador que insiste em perturbar nossa consciência. Essa tensão se manifesta em todas as áreas da vida. Mas sobretu­do na vida espiritual, impedindo nossa comunhão com Deus. Ao invés de nos achegarmos, distanciamo-nos dele.

A Culpa nunca confirma nada, ela agride. A Culpa nunca restaura nada, ela fere. A Culpa nunca resolve nada, ela complica. A Culpa nunca serve para unir, ela separa. A Culpa nunca sorri, ela franze a testa. A Culpa nunca perdoa, ela rejeita. A Culpa nunca se esquece, mas sempre se lembra. A Culpa nunca edifica, ela destrói.

Como Caim poderia ter tratado sua culpa?

·         Confessando e encarando o pecado em vez de escondê-lo.

Onde está seu irmão Abel?”. Você acha que Deus perguntou isso porque desconhecia o paradeiro de Abel ou ignorava o que havia acontecido? Não! Deus estava dando uma oportunidade para que Caim assumisse seu pecado. Mas ele simplesmente desconversa: “Não sei; sou eu o responsável por meu irmão?”. E inacreditável! O que Deus esperava de Caim é que ele abrisse seu coração e admi­tisse o pecado. Mas não, ele opta por escondê-lo.

Quase posso ouvir o lamento do coração de Deus: Ah! Caim. Será que você não sabe que aquele que tem suas transgressões perdoadas e seus pecados apagados é a pessoa mais feliz desta terra? Será que não percebe como é feliz aquele a quem eu não atribuo culpa? Abra os olhos! Esconder sua transgressão vai fazer você definhar de tanto so­frer. Reconheça diante de mim o seu pecado e não encubra de mim as suas culpas.

·         Aceitar o perdão de Deus

Veja o que Deus sugere quando questiona Caim: “Por que você está furioso? Por que se transtornou o seu rosto? Se você fizer o bem, não será aceito?”. Três perguntas que revelam o profundo interesse de Deus em perdoar o pecado de Caim. Deus diz:

·         O que é isso Caim?
·         Por que seu rosto se desfigurou?
·         Deixe essa raiva de lado. Enfrente sua culpa! Se você fizer o que é certo, será aceito?.

Em outras palavras: Você ainda tem chance. Nem tudo está perdido. Ânimo, rapaz! Eu o perdôo. Faça as coisas de maneira certa e pronto. Existe possibilidade de se refazer, existe perdão!Não imporat quantas vezes você caiu, importante é se você quer levantar!!!

Deus oferecia perdão a Caim, mas Caim não podia se perdoar. Sua resposta foi: A minha maldade é grande demais para que possa ser perdoada. Da tua face me esconderei. Serei fugitivo e vagabundo na terra.” Ele dá as costas ao perdão de Deus.

Caim não assume as dificuldades que ele mesmo criou. E, por não assumir seus erros, inviabiliza sua recuperação.

·         Optar por Deus

Deus jamais abandonaria Caim. Ele se compadece de nós como o pai se compadece de seus filhos. Não é Deus quem se separa de Caim, mas a maldade do coração de Caim o distancia do Criador, seu pecado encobre o rosto de Deus.

“Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.” Is 59:2

Pode até ser que uma mãe se esqueça de seu bebê que ainda mama. E possível que uma mãe não tenha compaixão do filho que gerou. Todavia, Deus não esquece e jamais abandona seus filhos! Caim permitiu que o pecado o cegasse a tal ponto que o desejo dominou seu coração de forma irresistível. Em vez de fugir do pecado, Caim se entrega aos braços do pecado. Portanto, a Bíblia ensina que, em tempos de tentação da carne, há um só mandamento: fuja da fornicação, fuja da idola­tria, fuja das paixões da juventude, fuja da sensualidade do mundo. Não é possível resistir a Satanás nessas ocasiões, senão fugindo. Todo esforço contra a cobiça em nossas próprias for­ças está condenado ao fracasso.

Sim! Caim poderia ter optado por ficar com Deus e fugido do pecado, mas não foi essa a sua decisão. Desgraçadamente, ele optou por se afastar da presença do Senhor e viver do seu jeito.

5.       Fundamentar a vida na mentira. Gn 4:9

“Disse o SENHOR a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei; acaso, sou eu tutor de meu irmão?” Gn 4:9

Deus oferece a oportunidade de Caim tratar o assunto, resolver o problema, mas ele prefere esconder a verdade e entregar-se a uma vida de mentiras. Caim deve ter pensado que a mentira poderia facilitar-lhe as coisas, e assim cai no engano da mentira. Não perce­be como ela é prejudicial. Não vê, ou se nega a ver, que a mentira atinge, com poder destrutível, o mais profundo do nosso ser. Todo homem que se aventura a mergulhar num lamaçal de men­tiras fica tão amortecido pela sujeira que se aloja em seu coração, que acaba, ele mesmo, acreditando nas próprias invenções. Quanto mais apregoa mentiras, mais se torna insensível e covarde em ouvir, aceitar e proferir verdades. Mais distante de Deus permanece. A mentira corrompe nossa comunhão com Deus e, por fim, nos distancia dele. Ela é contra a natureza de Deus, pois o Senhor é Deus da verdade. O apóstolo Pedro declara: "... nenhum engano foi encontrado em sua boca".1 Pe 2:22

A mentira leva-nos a romper com Deus e a estabelecer laços estreitos com Satanás

Quando você mente, significa que você aliou-se a um espírito de mentira, que é Satanás. Contar uma mentira significa que você deu uma porção do seu coração ao Diabo. Permitir que o Diabo domine qualquer parte do seu coração o torna vulnerável ao seu reino. Quanto mais você mente, mais poder ele tem sobre você e, uma vez que esteja atado por um espírito de mentira, não será mais capaz de parar de mentir.

O texto de João 8:44 aborda essa parte da vida de Caim. Foi ele quem cometeu o primeiro homicídio da história da humanidade. Leiamos João e deixemos que o texto penetre em nosso coração: "Vocês pertencem ao pai de vocês, o Diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua pró­pria língua, pois é mentiroso e pai da mentira".

A mentira separa-nos de Deus. Ela atrai a ira de Deus. Ela nos impede de viver relacionamentos saudáveis e causa ruína.

Deixe-me sinalizar quatro características de alguém que funda­mentou sua existência na mentira.

Isolamento

Uma pessoa que se fundamenta na mentira precisa viver isolada. Geralmente as pessoas que mentem vivem a crise de serem descobertas e esse medo as afasta dos relacionamentos. Agora o pior do que o isolamento físico, é o interior. Cercada por colegas, conhecidos, parentes, porém solitária por dentro; sozinha e possuidora de uma mente que passa o tempo todo arquitetando mil maneiras de impedir que o que há em seu coração torne-se visível aos olhos dos outros; atormentada por um medo terrível de que sua máscara caia e sua verdadeira pessoa seja revelada ao públi­co que a assiste. Sim, porque ela se comporta como uma personagem em cima do palco, representando um papel de mentiras. Por trás dos sor­risos e da aparente vida festeira, essa pessoa vive uma solidão mortal que ninguém pode imaginar.

Vida sem valor

A pessoa que vive fundamentada na mentira sabe que suas con­quistas são imerecidas. Sabe que é uma farsa. Tem convicção de que não tem nada a ver com elas. Quando vêm os elogios, as coroas de glória, uma voz interior denuncia que até a celebração é uma men­tira. Celebrar o quê? Festejar qual conquista? Dentro de nós, somos dominados por pensamentos: se soubes­sem quem eu sou, eles saberiam a verdade sobre tudo. Isso mata a alegria verdadeira e o sentimento de realização, de conquista.

Vida sem paz

A mentira nos rouba uma vida de paz, uma vez que a paz é a principal evidência de que nossa vida está fundamenta na verdade de Deus. "Tu, Senhor, guardarás em perfeita paz aquele cujo pro­pósito está firme, porque em ti confia." Is 26:3

Uma pessoa que constrói a vida na mentira perde a paz que excede todo o entendimento. Seu coração fica desprotegido e a sua mente, à mercê da tragédia. A mentira não só rouba a nossa paz, como nos tira o Deus da paz.

Vida irreal

A mentira exige a criação de um mundo próprio, cujas compa­nhias são: eu, a consciência, o Diabo e Deus. O eu, com suas justificativas e racionalizações para permanecer­mos na mentira. A consciência, se ainda boa, pode nos alertar. Mas, se corrompi­da, afunda-nos ainda mais na mentira e tortura-nos com a culpa. O Diabo, aquele que nos ajudou, nos incentivou a preparar tudo, agora faz pesar sobre nós o que sabe fazer perfeitamente bem: acu­sar-nos dia e noite. E Deus, ele também está nesse nosso mundo. Nada pode nos afastar de sua presença. Mesmo nesse mundo, o braço dele conti­nua competente; seu ouvido sempre pronto para ouvir. O proble­ma está na decisão maldosa do nosso coração de continuar vivendo na mentira. Essa decisão nos separa dele. O fato de optarmos por não romper com nossos pecados acaba por esconder o rosto de Deus de tal forma que ele não nos ouve.

Dá para imaginar que tipo de vida vive uma pessoa que alicerça sua existência na mentira? Deixar a mentira precisa ser a nossa es­colha. Precisamos clamar a Deus para que ele nos livre dessa arma­dilha. Os salmos 120:2 e 141:3 precisam ser o conteúdo de nossas orações: "Senhor, livra-me dos lábios mentirosos e da língua trai­çoeira!"; Coloca, Senhor, uma guarda à minha boca; vigia a porta de meus lábios". Amigo leitor, Deus planejou que vivêssemos uma vida cada vez mais abundante. Em seu plano, nossa vereda, nosso caminhar, seria "como a luz da alvorada, que brilha cada vez mais até a plena claridade do dia".

Como vimos na história, Caim não optou pelo plano de Deus. Ele escolheu, por livre vontade, as atitudes que produziram o efeito contrário em sua existência. Por isso, passou a viver uma vida que sutilmente, preste atenção neste detalhe, estragou o seu hoje e comprometeu negativamente o seu amanhã.

Ao finalizar este compartilhamento, convido você a meditar cuidadosa­mente sobre os motivos ou atitudes do seu coração. Tire um tempo para verifi­car em qual direção seu coração se inclina. Peça a Deus para que coloque seu coração à prova. Deixe-o examiná-lo. Certifique-se de que seu coração se alegra em fazer a vontade de Deus, de que a integridade se encontra em seu coração.

Faça da oração do salmista a sua: Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos...” Sl 139:23

“Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.” Mt 5:8

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